

A doença de Parkinson continua desafiando médicos e pacientes, especialmente quando surgem complicações motoras como flutuações de resposta à medicação e discinesias. Nesse cenário, uma nova publicação no The Lancet Neurology trouxe dados importantes sobre uma abordagem menos invasiva: o ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética, ou MRgFUS, aplicado em ambos os lados do cérebro em estágios.
O estudo sugere que a técnica pode trazer melhora clínica relevante, mas também reforça que a bilateralidade aumenta o risco de efeitos adversos persistentes, sobretudo em fala, marcha e equilíbrio.
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O trabalho foi um ensaio prospectivo, multicêntrico e de braço único, conduzido em nove centros nos Estados Unidos, Espanha e Taiwan. Foram incluídos adultos com doença de Parkinson idiopática, responsiva à levodopa, e com complicações motoras importantes.
A estratégia testada foi a Tractotomia palidotalâmica por MRgFUS estagiada: primeiro um lado do cérebro, depois o outro, em vez de tratar ambos ao mesmo tempo. Essa escolha buscou equilibrar benefício motor e segurança, uma vez que procedimentos bilaterais podem ampliar o risco de efeitos indesejáveis.
Após o tratamento bilateral, os pacientes apresentaram melhora mediana de 32% nos escores motores relacionados às complicações da doença, com benefício sustentado ao longo do seguimento.
Também houve redução importante nas discinesias relatadas pelos próprios pacientes, além de melhora nas complicações motoras de forma geral.
Esses resultados mostram que o ultrassom focado não se limita ao controle do tremor, mas pode entrar na conversa como uma opção para sintomas mais complexos do Parkinson, incluindo flutuações motoras e movimentos involuntários provocados por levodopa.
Apesar do ganho clínico, o estudo também deixou claro que o tratamento bilateral traz um custo em segurança. Segundo os autores, o tratamento unilateral já demonstrou benefício com perfil mais favorável, enquanto a bilateralidade acrescentou apenas um ganho motor adicional modesto, ao mesmo tempo em que aumentou a ocorrência de eventos adversos persistentes.
Os efeitos mais preocupantes envolveram fala, marcha e equilíbrio, justamente áreas que têm grande impacto funcional no dia a dia do paciente. Isso significa que o MRgFUS bilateral em estágios não deve ser visto como substituto automático da DBS ou de outras cirurgias funcionais, mas como uma opção que precisa ser cuidadosamente selecionada.

A estimulação cerebral profunda, ou DBS, continua sendo uma referência consolidada no tratamento cirúrgico do Parkinson, especialmente para sintomas motores refratários e na melhora da qualidade de vida.
O ultrassom focado ganha espaço por ser uma técnica sem incisões, sem implante permanente e com perfil diferente de risco cirúrgico, mas ainda com limitações importantes, sobretudo porque cria uma lesão no alvo cerebral e não permite ajustes pós-procedimento da mesma forma que a DBS.
Por isso, a melhor leitura desse novo estudo não é “ultrassom melhor que DBS” ou “DBS melhor que ultrassom”, e sim que o campo das terapias cirúrgicas no Parkinson está ficando mais personalizado. Cada estratégia tem vantagens e desvantagens, e a escolha depende do tipo de sintoma, do perfil do paciente e da experiência do centro.
Na prática, essa publicação amplia as opções que podem ser discutidas em casos selecionados de Parkinson com complicações motoras relevantes. Para alguns pacientes, a possibilidade de uma técnica minimamente invasiva, sem hardware implantado, pode ser atraente.
Mas o estudo também mostra que essa decisão não pode ser tomada apenas com base no potencial de melhora: é preciso pesar cuidadosamente os riscos funcionais, especialmente quando se pensa em bilateralidade.
Esse é um tipo de estudo que vale destaque porque não fala só de “mais uma terapia”; ele ajuda a reposicionar o papel do ultrassom focalizado no Parkinson, mostrando que a técnica pode ir além do tremor e atingir complicações motoras mais amplas.
Ao mesmo tempo, a publicação traz a mensagem que mais interessa ao leitor clínico: inovação precisa vir acompanhada de seleção criteriosa e de expectativa realista.
O novo estudo do Lancet Neurology sugere que o MRgFUS bilateral em estágios pode proporcionar melhora importante nas complicações motoras da doença de Parkinson, mas também reforça que a bilateralidade exige cautela adicional.
Na prática, o trabalho fortalece o ultrassom focado como uma alternativa real dentro da neurocirurgia funcional, mas não como solução simples ou isenta de riscos.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).
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