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Prasinezumabe no Parkinson: estudo de fase 2b não comprova que o anticorpo retarda a progressão, mas pesquisa continua

Dr Diego de Castro
03/11/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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O prasinezumabe, um anticorpo experimental dirigido contra a proteína alfa-sinucleína, retarda a progressão do Parkinson? Em um estudo de fase 2b chamado PADOVA, publicado na The Lancet em maio de 2026, a resposta foi: não foi possível comprovar. O resultado principal não atingiu significância estatística, embora os números tenham ficado, de modo geral, a favor do tratamento. O medicamento segue em fase experimental e não está disponível para uso fora de estudos clínicos.

Por que estamos publicando isso agora

Estudos que não atingem o objetivo principal costumam receber pouca atenção, mas fazem parte de como a ciência avança, e o PADOVA é um caso em que o resultado "negativo" não encerra a história. Os dados completos já foram publicados em uma das principais revistas médicas do mundo, e uma fase 3, desenhada a partir dessas informações, está em andamento e recrutando pacientes. Entender o que o PADOVA mostrou, e o que ele não mostrou, ajuda a ler com mais critério as notícias sobre "tratamentos que modificam o curso do Parkinson", um tema que costuma gerar expectativas além do que as evidências sustentam.

Contexto

Os medicamentos disponíveis hoje para o Parkinson, como a levodopa, tratam principalmente os sintomas. Nenhum deles comprovadamente freia a progressão da doença. Por isso, há muito interesse em terapias que atuem sobre a causa biológica.

Uma das linhas de pesquisa mais estudadas envolve a alfa-sinucleína, proteína que se acumula de forma anormal no cérebro de pessoas com Parkinson, formando agregados. A hipótese é que esses agregados contribuem para a lesão dos neurônios e podem se espalhar de uma célula para outra. O prasinezumabe é um anticorpo monoclonal que se liga à alfa-sinucleína agregada, com a proposta de reduzir esse efeito. Importante: trata-se de uma hipótese em teste, não de um mecanismo já demonstrado como capaz de mudar o curso da doença em pacientes.

Estudos anteriores, de menor porte, haviam sugerido um possível efeito do prasinezumabe sobre a progressão dos sintomas motores. O PADOVA foi desenhado para testar essa possibilidade em um grupo maior e mais variado de pacientes.

Metodologia

O PADOVA foi um ensaio clínico de fase 2b, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo: nem os participantes nem os avaliadores sabiam quem recebia o medicamento e quem recebia o placebo. Participaram 586 pessoas com Parkinson em fase inicial, com diagnóstico recente, em 110 centros de nove países da Europa e da América do Norte.

Todos os participantes já usavam uma medicação sintomática estável, isolada: levodopa ou um inibidor da MAO-B. O prasinezumabe ou o placebo foi aplicado por infusão na veia a cada quatro semanas, por pelo menos cerca de um ano e meio.

O objetivo principal era medir o tempo até a progressão motora confirmada, definida por um aumento de pelo menos cinco pontos na parte motora de uma escala padronizada usada por neurologistas (MDS-UPDRS parte III), avaliada com o paciente sem tomar a medicação.

Representação conceitual de um anticorpo ligando-se a um agregado extracelular de alfa-sinucleína entre neurônios.

Principais achados

O estudo não atingiu o objetivo principal. O tempo até a progressão motora foi numericamente maior no grupo que recebeu o anticorpo, mas a diferença não alcançou o nível de confiança estatística necessário para afirmar que o efeito é real. Em outras palavras, os dados são compatíveis tanto com um benefício modesto quanto com ausência de benefício.

Em uma análise pré-especificada, o sinal foi mais forte entre os participantes que usavam levodopa, cerca de três em cada quatro do estudo. Esse tipo de análise de subgrupo, porém, gera hipóteses para novos estudos, não conclusões.

Em relação à segurança, os eventos adversos graves ocorreram em proporção semelhante nos dois grupos, e as mortes registradas durante o estudo não foram consideradas relacionadas ao medicamento.

Segundo os autores, análises exploratórias pré-especificadas sugerem atividade clínica do prasinezumabe, o que justificou a continuidade do desenvolvimento. "Sugerem" é a palavra-chave: análises exploratórias não substituem um resultado confirmado em um estudo desenhado para isso.

O que isso significa para os pacientes?

Para quem vive com Parkinson, o PADOVA não representa a confirmação de uma nova terapia. O prasinezumabe é experimental, não foi aprovado por nenhuma agência reguladora e não deve ser buscado fora de estudos clínicos formais.

Também não significa que a abordagem tenha sido descartada. O resultado foi inconclusivo para o objetivo principal, mas deixou sinais que justificaram um estudo maior. A decisão sobre o tratamento continua sendo individual, com o neurologista que acompanha o paciente, e as terapias já disponíveis seguem sendo a base do cuidado.

Vale lembrar ainda que o estudo avaliou apenas a progressão dos sintomas motores em pessoas com doença em fase inicial. Os resultados não se aplicam automaticamente a quem está em fases mais avançadas.

Próximos passos

A fase 3, chamada PARAISO, já está em andamento. Ela pretende incluir cerca de 900 pessoas com Parkinson em fase inicial que usam levodopa como medicação isolada, grupo em que o sinal do PADOVA foi mais evidente. A conclusão da etapa principal está prevista para meados de 2029, o que significa que respostas definitivas ainda levarão alguns anos.

Em resumo

O PADOVA testou se o prasinezumabe, um anticorpo contra a alfa-sinucleína, retarda a progressão motora do Parkinson inicial. O estudo não atingiu o objetivo principal, mas mostrou tendência favorável ao tratamento, boa tolerabilidade e sinais exploratórios que sustentam uma fase 3 em andamento. Por enquanto, o medicamento continua experimental, e a evidência atual não permite afirmar que ele modifica o curso da doença.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referência

Dr Diego de Castro Neurologista Tratamento da Doença de Parkinson

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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