

Um novo remédio experimental, o BIIB122 (também chamado DNL151), foi testado por até quase três anos em 648 pessoas com Parkinson em fase inicial. A ideia era ambiciosa: bloquear uma enzima chamada LRRK2 para tentar frear a progressão da doença, e não apenas aliviar os sintomas, como fazem os tratamentos disponíveis hoje. Os dados completos do estudo LUMA, apresentados em outubro de 2026, mostram que o remédio reduziu a atividade da enzima, mas essa redução não se traduziu em diferença na evolução clínica entre quem tomou o medicamento e quem tomou placebo.
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O resultado geral do LUMA já havia sido divulgado pelas empresas responsáveis em maio de 2026. O que chegou agora, em outubro, foi a apresentação detalhada dos dados no congresso da International Parkinson and Movement Disorder Society, em Seul. É essa apresentação que permite entender melhor o que o estudo mostrou e o que ele não mostrou.
Também achamos importante publicar porque resultados negativos fazem parte do caminho da ciência. Pacientes e familiares acompanham com esperança as notícias sobre terapias que possam modificar o curso do Parkinson, e saber que uma estratégia bem desenhada e de grande porte não funcionou, nesse grupo de pessoas, ajuda a calibrar expectativas e a entender por que a pesquisa avança em passos, e nem sempre em linha reta.
A LRRK2 é uma enzima que participa do funcionamento das células, incluindo vias ligadas ao descarte e à reciclagem de componentes celulares. Alterações genéticas nessa enzima estão associadas a formas hereditárias de Parkinson, e há indícios de que uma atividade aumentada da LRRK2 também possa ter papel em formas esporádicas da doença, que são a maioria dos casos no mundo.
Com base nessa hipótese, o BIIB122 foi desenvolvido como um inibidor oral da LRRK2. Os tratamentos atuais para o Parkinson, como a levodopa, atuam principalmente sobre os sintomas. Até hoje, nenhum medicamento comprovou frear a progressão da doença. Por isso, um estudo que tente fazer isso é tão aguardado.
O LUMA foi um ensaio clínico de fase 2b, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Isso significa que os participantes foram sorteados para receber o remédio ou um placebo, e nem eles nem os médicos sabiam quem estava recebendo o quê.
Participaram 648 adultos de 30 a 80 anos, diagnosticados com Parkinson havia até dois anos e em estágios iniciais da doença. A maioria ainda não usava tratamento para os sintomas. O estudo incluiu pessoas com e sem mutação no gene da LRRK2 e foi conduzido em 206 centros de cinco países.
Cada participante tomou o remédio ou o placebo uma vez ao dia, por no mínimo 48 e no máximo 144 semanas (quase três anos). O principal objetivo era verificar se o medicamento atrasava o tempo até uma piora confirmada na pontuação da escala MDS-UPDRS, que avalia sintomas motores e o impacto da doença nas atividades do dia a dia.
No exame de sangue, o remédio fez o que se esperava. O BIIB122 reduziu em mais de 90% a atividade da LRRK2 medida no sangue. No líquor, o líquido que envolve o cérebro e a medula, em um subestudo com 86 participantes, a redução foi menor, de cerca de 30%. Ou seja, o efeito foi expressivo na circulação, mas mais modesto no sistema nervoso central, que é onde a doença atua.
Na evolução clínica, não houve diferença. O tempo até a piora confirmada nas escalas foi semelhante entre os grupos que tomaram o remédio e o placebo. Os desfechos secundários também não mostraram benefício.
Segurança. De forma geral, a frequência de eventos adversos e de eventos graves foi semelhante nos dois grupos, e as empresas descreveram o perfil como geralmente bem tolerado. Dor de cabeça foi mais comum no grupo que recebeu o remédio, e mais participantes desse grupo deixaram o estudo por causa de efeitos adversos.
Decisão das empresas. Diante do resultado, Biogen e Denali interromperam o desenvolvimento do BIIB122 para o Parkinson idiopático, termo usado para os casos sem causa genética identificada.
Vale lembrar que, até onde apuramos, os resultados completos foram apresentados em congresso e ainda não foram publicados em revista científica com revisão por pares. Detalhes podem se tornar mais claros na publicação.

Para quem convive com o Parkinson, este resultado não muda o tratamento atual: o BIIB122 era experimental e não estava disponível fora de estudos clínicos. Quem usa levodopa e outros medicamentos deve manter o acompanhamento e as orientações do neurologista.
O estudo mostra, porém, que reduzir a atividade da LRRK2, nessa dose e nesse grupo de pessoas, não foi suficiente para frear a doença, ao menos nas medidas e no período avaliados. Ele não prova que a LRRK2 seja irrelevante para o Parkinson, e é importante separar o que foi demonstrado do que ainda é hipótese:
Por fim, um resultado negativo em um estudo grande e bem conduzido tem valor: ele evita que recursos e esperanças sejam direcionados a uma estratégia que não funcionou e ajuda a orientar os próximos passos da pesquisa.
O estudo BEACON, uma pesquisa de fase 2a conduzida pela Denali, segue avaliando o BIIB122 especificamente em pessoas com Parkinson causado por mutação na LRRK2. Os resultados são esperados para o primeiro semestre de 2027. Será a primeira resposta mais direta sobre se esse grupo, geneticamente selecionado, poderia se beneficiar.
Além disso, a análise completa do LUMA e uma eventual publicação científica devem trazer mais detalhes sobre subgrupos e sobre a relação entre os marcadores e os resultados clínicos.
O LUMA testou, em 648 pessoas com Parkinson inicial, um inibidor oral da LRRK2. O remédio reduziu a atividade da enzima de forma expressiva no sangue e mais modesta no líquor, mas não mostrou diferença na progressão da doença em relação ao placebo, e o desenvolvimento para o Parkinson idiopático foi encerrado. Se a LRRK2 pode ser um alvo útil em pessoas com mutação no gene continua em investigação, com respostas esperadas a partir de 2027.
Para os pacientes, a mensagem é de cautela e de continuidade: o tratamento atual segue sendo o indicado pelo neurologista, e a pesquisa para encontrar terapias que modifiquem a doença continua.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).
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