Aviso de privacidade: Nosso site utiliza arquivos chamados “cookies” que, inseridos em seu dispositivo, coletam dados para análise estatística. Essas informações melhoram nosso site e sua experiência como usuário. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies. Você pode ler mais sobre nossos cookies, em nossa página: política de privacidade/cookies.
São Paulo: (11) 3504-4304 | Vitória: (27) 99707-3433 - (27) 99886-7489

Parkinson: biomarcador no líquor sugere via biológica comum entre casos com e sem mutação no LRRK2

Dr Diego de Castro
16/10/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
Compartilhe

Uma das perguntas centrais da pesquisa em Parkinson é se formas que parecem diferentes, como a ligada a uma mutação genética e a esporádica, sem mutação conhecida, compartilham algum mecanismo biológico. Dados apresentados em outubro de 2026, no congresso da Movement Disorder Society, em Seul, sugerem que sim, ao menos em um ponto: uma proteína medida no líquor, o líquido que envolve o cérebro e a medula, estava mais elevada tanto em pessoas com Parkinson associado ao gene LRRK2 quanto em pessoas com Parkinson esporádico. O achado é preliminar e ainda não se tornou um exame para uso na prática.

Por que estamos publicando isso agora

O trabalho foi apresentado há pouco mais de uma semana e chega em um momento em que o gene LRRK2 está no centro de várias tentativas de desenvolver tratamentos. Em maio de 2026, o primeiro grande estudo de fase 2b com um inibidor dessa via (BIIB122), em pessoas com Parkinson inicial, não mostrou benefício em retardar a progressão da doença. Resultado negativo, porém, não encerra a pergunta que mais importa para quem convive com a doença: em quais pessoas essa via está de fato ativa, e como saber isso?

É nessa lacuna que o novo estudo se encaixa. Ele não traz um tratamento nem um teste pronto. Mostra que a atividade da via LRRK2 pode ser medida no líquor e que ela parece estar presente também em quem não tem mutação no gene. Por isso, vale explicar o que foi encontrado, e com que cautela deve ser lido.

Contexto

O LRRK2 é um gene cujas mutações estão entre as causas genéticas mais frequentes de Parkinson. A proteína que ele produz funciona como uma enzima (uma quinase) que "marca" outras proteínas com um grupo químico, e as mutações conhecidas tornam essa atividade mais intensa. Uma das proteínas marcadas é a Rab10. Quando ela aparece com essa marca, chamada de forma fosforilada (pRab10), os pesquisadores a usam como indicador de que a via do LRRK2 está ativa.

Há um detalhe importante: variações comuns do gene LRRK2 também estão associadas ao risco de Parkinson esporádico, aquele que ocorre sem mutação herdada conhecida. Mesmo assim, estudos anteriores com exames de sangue não detectaram de forma consistente um aumento de pRab10 nessas pessoas, o que mostrou a necessidade de métodos mais sensíveis. A nova análise usou um ensaio de laboratório recente, chamado SISCAPA, para medir essas proteínas diretamente no líquor.

Metodologia

Os pesquisadores, liderados por Edwin Jabbari, do UCL Queen Square Institute of Neurology, em Londres, analisaram amostras de líquor de duas coortes independentes:

  • PPMI (Parkinson's Progression Markers Initiative), com cerca de 380 pessoas: pacientes com Parkinson esporádico, pacientes com Parkinson associado ao LRRK2, portadores da mutação que ainda não tinham desenvolvido a doença e controles saudáveis da mesma faixa etária. Para esse grupo havia também amostras de acompanhamento após 2 anos.
  • Coorte da UCL, com 117 pessoas: pacientes com Parkinson esporádico, pacientes com paralisia supranuclear progressiva (PSP, outra doença neurodegenerativa que também causa sintomas de parkinsonismo) e apenas 9 controles saudáveis.

Foram medidos o LRRK2 total e o pRab10. A equipe também avaliou a relação desses valores com variações genéticas comuns, com o resultado de um teste que detecta agregados anormais de alfa-sinucleína no líquor (chamado de teste de amplificação de sementes, ou SAA) e com a evolução clínica em 2 anos.

Os dados foram apresentados como resumo de congresso. Ainda não há artigo completo publicado.

Ilustração conceitual da fosforilação de Rab10 pela quinase LRRK2 em uma membrana celular, acompanhada de uma amostra de líquor em análise laboratorial.

Principais achados

  • Nível de pRab10 mais alto em três grupos. Na coorte PPMI, o pRab10 no líquor foi mais alto em pessoas com Parkinson esporádico, com Parkinson associado ao LRRK2 e em portadores da mutação sem sintomas, em comparação com controles saudáveis da mesma idade. A diferença foi descrita pelos autores como significativa.
  • Resultado visto também em outra coorte. Na coorte da UCL, pacientes com Parkinson esporádico tiveram pRab10 mais alto que controles e também que pacientes com PSP. Essa replicação envolveu apenas o Parkinson esporádico, já que não havia portadores de LRRK2 nesse grupo.
  • Variação genética comum aparece no líquor. Em controles e em pessoas com Parkinson esporádico da PPMI, quem tinha a variante comum de risco rs76904798 apresentou níveis mais altos de LRRK2 total no líquor. Isso sugere que a genética ligada ao LRRK2 pode se refletir nessa medida mesmo sem mutação patogênica.
  • Diferença conforme o teste de alfa-sinucleína. Entre os pacientes com Parkinson associado ao LRRK2, o pRab10 foi mais alto nos que tinham o teste de alfa-sinucleína negativo do que nos positivos. Esse dado indica que, mesmo dentro do grupo LRRK2, o marcador reflete diferenças biológicas entre as pessoas, e que o quadro é mais complexo do que "uma única via comum".
  • Associação com a evolução em 2 anos. Nos pacientes com Parkinson associado ao LRRK2, níveis mais altos de pRab10 no início se associaram a maior piora, ao longo de 2 anos, em um teste de cognição (MoCA) e em uma escala de atividades da vida diária (Schwab e England).

O que isso significa para os pacientes?

Para quem convive com o Parkinson, a leitura mais honesta é que este é um avanço de pesquisa, e não uma mudança na prática clínica. Alguns pontos ajudam a calibrar a expectativa:

Não é um exame disponível. A medida foi feita em laboratório de pesquisa, com um ensaio novo, em amostras de líquor. Ainda não se sabe se ela serviria para diagnóstico, para acompanhar a doença ou para escolher tratamento em uma pessoa individual.

É uma associação. Os resultados mostram que o marcador está mais alto em certos grupos e se relaciona com a evolução, mas não provam que a via do LRRK2 seja a causa do Parkinson esporádico, nem que reduzir essa atividade traria benefício.

Há limites no estudo. Os dados vêm de resumo de congresso, sem artigo completo e sem detalhamento público dos valores estatísticos. A coorte da UCL tinha só 9 controles saudáveis, o que limita a força dessa parte da análise. E a associação com a piora clínica foi observada em um grupo específico, o do Parkinson associado ao LRRK2.

Não indica que quem tem Parkinson esporádico "tem a doença do LRRK2". O estudo sugere que a via pode estar envolvida em mais de uma forma da doença, mas isso é uma hipótese, e a decisão sobre fazer ou não testes genéticos continua sendo conversa individual com o neurologista.

Enquanto a pesquisa avança, o cuidado segue o mesmo: acompanhamento neurológico regular, tratamento medicamentoso ajustado a cada pessoa e, conforme a avaliação do médico, fisioterapia e atividade física. Essas orientações fazem parte do cuidado geral do Parkinson e não são conclusões deste estudo.

Próximos passos

Para saber se esse achado terá uso prático, a comunidade científica ainda precisa de:

  • publicação completa do trabalho e revisão por pares, com os valores estatísticos detalhados;
  • confirmação em coortes maiores e independentes, incluindo mais pessoas com Parkinson esporádico e diferentes populações;
  • estudos que avaliem se o pRab10 ajuda a prever a resposta a medicamentos dirigidos ao LRRK2;
  • análise de se subgrupos definidos por esse marcador, pela genética e pelo teste de alfa-sinucleína realmente seguem trajetórias clínicas diferentes.

Também permanece em aberto se formas menos invasivas de medir essa via, sem a necessidade de punção lombar, poderiam funcionar no futuro.

Em resumo

Uma análise de duas coortes, apresentada no congresso da Movement Disorder Society em 2026, encontrou níveis mais altos de pRab10 no líquor de pessoas com Parkinson associado ao LRRK2, com Parkinson esporádico e de portadores da mutação sem sintomas, em comparação com controles. Os resultados sugerem que a via do LRRK2 pode estar ativa além dos casos com mutação, e que o marcador pode se relacionar com a evolução clínica no grupo LRRK2.

Trata-se de um dado preliminar, ainda sem artigo completo publicado, e que não muda o diagnóstico nem o tratamento hoje. Seu valor está em ajudar a definir, nos próximos estudos, em quais pessoas terapias dirigidas ao LRRK2 fariam mais sentido.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista Tratamento da Doença de Parkinson

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).

Compartilhe este artigo! Siga-nos nas redes sociais.

Leia outros artigos sobre este tema:

Estamos disponíveis para cuidar de você nos endereços:

Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 - Enseada do Suá, Vitória - ES, 29050-911

Tel: (27) 99707-3433

R. Itapeva, 518 - sala 1301 Bela Vista - São Paulo - SP, CEP: 01332-904

Telefones: (11) 3504-4304

Posts Relacionados:

Compartilhe
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro 

CRM-SP 160074 
CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
Posts mais Populares
Acompanhe nosso Podcast!
Escute nossos conteúdos em áudio, na sua plataforma preferida:
Assine nossa Newsletter!

Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail todos os nossos novos artigos.

Dr Diego de Castro dos Santos
Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
Dúvidas? Sugestões?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DR DIEGO DE CASTRO

Dr. Diego de Castro dos Santos
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153
Diretor Clínico Autor e Responsável Técnico pelo Site – Mantenedor.

Missão do Site: Prover Soluções cada vez mais completas de forma facilitada para a gestão da saúde e o bem-estar das pessoas, com excelência, humanidade e sustentabilidade. Destinado ao público em geral.
NEUROLOGISTA EM SÃO PAULO – SP
CRM-SP 160074

R. Itapeva, 518 - sala 1301
Bela Vista - São Paulo - SP 
CEP: 01332-904

Telefones:
(11) 3504-4304


NEUROLOGISTA VITÓRIA – ES
CRM-ES 11.111

Av. Américo Buaiz, 501 – Sala 109
Ed. Victória Office Tower Leste, Enseada do Suá, Vitória – ES, CEP: 29050-911

Telefones:
(27) 99707-3433
(27) 99886-7489

magnifier
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram