

Usar EMT para tratar ansiedade pode exigir um alvo cerebral diferente do usado para tratar depressão — essa é a sugestão de um novo ensaio clínico randomizado publicado na revista Molecular Psychiatry. A pesquisa comparou dois pontos distintos do córtex pré-frontal em pessoas com depressão moderada a grave acompanhada de ansiedade significativa, e encontrou uma diferença específica na resposta da ansiedade conforme o alvo escolhido.
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Este estudo não traz um novo medicamento nem uma técnica pronta para uso imediato no consultório. O que o torna relevante é que, pela primeira vez, um ensaio randomizado testou de forma prospectiva e direta (não apenas em análises retrospectivas) se estimular dois alvos corticais diferentes produz efeitos distintos sobre ansiedade e depressão em pessoas com os dois quadros ao mesmo tempo.
Isso importa porque grande parte das pessoas que buscam tratamento para depressão também convive com sintomas significativos de ansiedade — e nem sempre respondem da mesma forma aos protocolos padrão. Entender se é possível "mirar" o tratamento de acordo com o sintoma predominante é um passo na direção da psiquiatria de precisão, mesmo que ainda estejamos em uma fase inicial desta investigação.
A EMT repetitiva já é uma terapia estabelecida e aprovada para depressão maior, aplicada geralmente sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (DLPFC), a região cortical mais estudada e utilizada na prática clínica para esse fim.
Só que a forma convencional de localizar esse alvo no crânio é relativamente imprecisa, baseada em referências anatômicas de superfície. Nos últimos anos, pesquisas de conectividade cerebral (que mapeiam como diferentes regiões do cérebro se comunicam entre si) sugeriram que alvos corticais distintos poderiam estar ligados a circuitos cerebrais diferentes — um mais associado a sintomas que os pesquisadores chamam de "disfóricos" (tristeza, anedonia, humor deprimido) e outro mais associado a sintomas "ansiosomáticos" (tensão, inquietação, sintomas físicos de ansiedade).
Até agora, essa hipótese vinha principalmente de análises retrospectivas. O novo estudo foi desenhado para testá-la de forma prospectiva, randomizada e comparativa — o tipo de desenho que permite conclusões mais robustas sobre causa e efeito.
O ensaio clínico randomizou 40 adultos, entre 18 e 65 anos, com diagnóstico de depressão maior e sintomas moderados a graves tanto de depressão quanto de ansiedade (medidos por escalas validadas. Os participantes foram distribuídos entre dois grupos:
Cada participante recebeu um protocolo de 30 sessões de EMT no alvo randomizado para seu grupo. Ao final, os dados de 36 participantes (16 no grupo do circuito disfórico e 20 no grupo do circuito ansiosomático) foram incluídos na análise principal — refletindo a saída de alguns voluntários entre a randomização inicial e a conclusão do estudo.
Os dois grupos apresentaram melhora semelhante nos sintomas depressivos, avaliados pela escala de depressão de Beck. Ou seja, o alvo cortical escolhido não fez diferença relevante na resposta da depressão em si.
A diferença apareceu na ansiedade: o grupo que recebeu estimulação no alvo do circuito ansiosomático apresentou uma melhora bem mais expressiva nos sintomas de ansiedade do que o grupo estimulado no alvo do circuito disfórico. Essa diferença se manteve mesmo quando os pesquisadores levaram em conta o grau de melhora da depressão de cada participante, o que reforça que o efeito sobre a ansiedade não foi apenas um reflexo indireto da melhora do humor.
Em outras palavras: estimular um circuito cerebral diferente pareceu modular especificamente a ansiedade comórbida à depressão, sem comprometer a eficácia da EMT sobre os sintomas depressivos.
Vale destacar que a amostra do estudo foi pequena — 36 participantes analisados, divididos de forma não exatamente equilibrada entre os dois grupos — o que é típico de um ensaio de prova de conceito, mas limita o quanto esse resultado pode ser generalizado antes de ser replicado em estudos maiores.

Para quem já faz ou considera fazer EMT para depressão, esse estudo não muda a prática clínica agora. O DLPFC continua sendo o alvo padrão, com décadas de evidência acumulada de segurança e eficácia.
O que a pesquisa aponta é uma possibilidade futura: a de que a escolha do alvo cortical possa um dia ser personalizada de acordo com o perfil de sintomas de cada paciente — priorizando um alvo quando a ansiedade for o componente mais incapacitante, e outro quando a depressão predominar. Isso seria um avanço relevante especialmente para pacientes com quadros mistos de ansiedade e depressão, que muitas vezes não respondem de forma uniforme aos tratamentos disponíveis.
É importante também que o leitor saiba que parte da equipe de pesquisadores envolvidos no estudo tem vínculos comerciais com empresas do setor de neuromodulação — incluindo participação acionária, consultoria e financiamento de pesquisa recebido de fabricantes de equipamentos de EMT. Os próprios autores declaram que a propriedade intelectual relacionada a esses vínculos não foi utilizada neste estudo específico, mas é uma informação relevante para contextualizar os resultados.
Os autores indicam que os próximos estudos poderão testar a estratégia de personalização do alvo cortical de acordo com o perfil sintomático predominante de cada paciente — uma abordagem que, se confirmada em ensaios maiores, poderia orientar decisões clínicas sobre qual região estimular. Também será importante replicar esse achado em populações maiores e mais diversas, e investigar a durabilidade do efeito sobre a ansiedade ao longo do tempo.
Um ensaio clínico randomizado comparou dois alvos corticais de EMT em pessoas com depressão e ansiedade comórbida. Os dois alvos melhoraram a depressão de forma parecida, mas o alvo do circuito ansiosomático — uma região dorsomedial ainda pouco usada na prática — produziu uma melhora mais expressiva da ansiedade. É um resultado promissor para o futuro da psiquiatria de precisão aplicada à neuromodulação, mas, por se tratar de um estudo pequeno e ainda inicial, não representa uma mudança imediata na forma como a EMT é aplicada hoje.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e disponibiliza conteúdo sobre condições neurológicas e o sistema nervoso. Leia nossos outros artigos relacionados a este tema:
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