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Parkinson ou PSP? Estudo combina exame de sangue e ressonância para ajudar no diagnóstico

Dr Diego de Castro
23/09/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Nas fases iniciais, a paralisia supranuclear progressiva (PSP) pode ser muito parecida com a doença de Parkinson, e essa semelhança faz com que muitos pacientes só recebam o diagnóstico correto depois de um longo período de acompanhamento. Um estudo publicado na revista Neurology sugere que a combinação de marcadores medidos no sangue com uma medida simples da ressonância magnética pode ajudar a diferenciar as duas condições. O resultado é promissor, mas ainda não se trata de um exame disponível para uso na prática clínica.

Por que estamos publicando isso agora

Os exames de sangue para doenças neurodegenerativas estão avançando rapidamente. Alguns deles, como a dosagem da proteína pTau217, já começaram a ser usados no diagnóstico da doença de Alzheimer em alguns países. É natural que pacientes e familiares passem a ouvir falar desses testes e se perguntem se eles também servem para o Parkinson ou para outras formas de parkinsonismo.

Este estudo ajuda a responder essa pergunta com cuidado. Ele mostra que esses marcadores podem, no futuro, contribuir para distinguir o Parkinson da PSP, mas também deixa claro que ainda não chegamos lá. Publicamos este texto para explicar por que esse diagnóstico é difícil, o que a pesquisa encontrou e, principalmente, o que ela ainda não permite fazer.

Contexto

O termo "parkinsonismo" descreve um conjunto de sinais, como lentidão dos movimentos, rigidez e alterações do equilíbrio. A causa mais comum é a doença de Parkinson, mas existem outras condições que produzem sintomas semelhantes, chamadas de parkinsonismos atípicos.

A paralisia supranuclear progressiva é uma delas. Segundo a Mayo Clinic, ela está associada ao acúmulo anormal de uma proteína chamada tau em regiões específicas do cérebro. Com o tempo, costuma provocar quedas precoces, dificuldade para mover os olhos para cima e para baixo e resposta limitada aos medicamentos usados no Parkinson. No início, porém, esses sinais podem ser discretos ou ainda não estar presentes, o que torna a distinção difícil.

Hoje, o diagnóstico da PSP é essencialmente clínico: baseia-se no exame neurológico, na evolução dos sintomas ao longo do tempo e em exames de apoio, como a ressonância magnética, que pode mostrar uma redução do tamanho do mesencéfalo, uma região do tronco cerebral. Existem exames de PET capazes de visualizar o acúmulo de tau no cérebro, mas eles são usados principalmente em pesquisa e são praticamente indisponíveis na rotina, inclusive no Brasil.

Distinguir as duas condições cedo importa porque elas têm evolução, prognóstico e resposta ao tratamento diferentes. Um diagnóstico mais preciso ajuda o paciente e a família a se planejarem e permite a participação em estudos clínicos voltados para cada doença.

Metodologia

Os pesquisadores avaliaram 275 participantes divididos em dois grupos. O primeiro, chamado de coorte exploratória, incluiu pessoas com PSP, síndrome corticobasal (outro parkinsonismo atípico relacionado à proteína tau), ou doença de Parkinson sem alterações cognitivas e voluntários saudáveis.

Os pacientes com PSP e síndrome corticobasal fizeram PET de tau para confirmar o acúmulo da proteína, e todos tiveram a presença de alterações típicas do Alzheimer descartada.

O segundo grupo, chamado de coorte de validação, reuniu 80 pacientes com PSP diagnosticada clinicamente, sem PET, e serviu para verificar se os resultados se repetiam em uma população independente.

Em todos os participantes, foram medidos no sangue cinco marcadores: três formas da proteína tau fosforilada (pTau217, pTau181 e pTau231), o neurofilamento de cadeia leve (NfL), que indica dano às células nervosas, e a GFAP, associada à ativação de células de suporte do cérebro. Os pesquisadores também usaram uma medida da ressonância magnética: a razão entre as medidas do mesencéfalo e da ponte, duas estruturas do tronco cerebral.

Principais achados

Os pacientes com PSP e com síndrome corticobasal apresentaram níveis mais altos da maioria dos marcadores avaliados, incluindo as três formas de tau fosforilada e o neurofilamento de cadeia leve, em comparação com os pacientes com Parkinson e os voluntários saudáveis.

O melhor resultado veio da combinação de dois marcadores do sangue, o pTau217 e o neurofilamento de cadeia leve, com a medida da ressonância. Essa combinação teve bom desempenho para diferenciar PSP de Parkinson, comparável ao do PET de tau, que é um exame muito mais caro e de difícil acesso.

Na coorte de validação, a combinação manteve um desempenho considerado adequado, embora inferior ao observado no primeiro grupo. Esse tipo de queda é comum quando um teste é aplicado a uma nova população, e é justamente por isso que a validação é uma etapa importante.

O estudo também observou que, entre os pacientes com PSP, níveis mais altos de alguns marcadores se associaram a pior desempenho cognitivo, e que o neurofilamento de cadeia leve acompanhou a gravidade da doença.

Ilustração esquemática que ajuda a diferenciar Parkinson de PSP: dois troncos cerebrais, um deles com o mesencéfalo reduzido em relação à ponte, ao lado de ícones de gota de sangue e de ressonância magnética.

O que isso significa para os pacientes?

Para quem convive com Parkinson ou com suspeita de parkinsonismo atípico, a principal mensagem é que esse exame ainda não está disponível para diferenciar Parkinson de PSP. O estudo aponta um caminho promissor, mas não muda, por enquanto, a forma como o diagnóstico é feito.

Também é importante saber que exames de pTau217 no sangue já existem para investigar a doença de Alzheimer. Eles não foram validados para diferenciar Parkinson de PSP, e um resultado alterado pode ter outras explicações. Pesquisas do mesmo grupo mostraram, por exemplo, que esse marcador pode estar mais elevado em pessoas com Parkinson que apresentam alterações de memória e raciocínio. Por isso, esses testes não devem ser solicitados ou interpretados com essa finalidade fora de um contexto de pesquisa.

Vale lembrar ainda que o melhor desempenho do estudo dependeu da ressonância magnética, e não apenas do exame de sangue. A ressonância já faz parte da investigação de muitos pacientes com parkinsonismo e continua sendo uma ferramenta importante.

Se você ou um familiar tem dúvidas sobre o diagnóstico, especialmente diante de quedas frequentes no início da doença, dificuldade para mover os olhos ou pouca resposta à medicação, o caminho é conversar com o neurologista. O acompanhamento ao longo do tempo segue sendo uma das ferramentas mais valiosas para esclarecer o quadro.

Próximos passos

Para que essa abordagem chegue à prática clínica, ainda são necessárias várias etapas:

  • Validação em populações de outros países, com características genéticas e clínicas diferentes
  • Inclusão de pacientes com Parkinson e alterações cognitivas, em quem os marcadores podem se comportar de forma diferente
  • Avaliação de outros parkinsonismos atípicos, como a atrofia de múltiplos sistemas, que não foi estudada nesta pesquisa
  • Estudos com pacientes em fases muito iniciais, quando a dúvida diagnóstica é maior
  • Padronização das dosagens entre laboratórios, para que os resultados sejam comparáveis

Em resumo

Um estudo publicado na Neurology sugere que a combinação de dois marcadores medidos no sangue com uma medida simples da ressonância magnética pode ajudar a diferenciar a paralisia supranuclear progressiva da doença de Parkinson, com desempenho comparável ao de um PET especializado. Os resultados foram confirmados em um segundo grupo de pacientes, ainda que com desempenho menor.

O exame, no entanto, ainda não está disponível para esse uso, e testes de pTau217 oferecidos para Alzheimer não devem ser usados para investigar parkinsonismo. A pesquisa representa um passo relevante em direção a diagnósticos mais precisos e acessíveis, mas precisa ser confirmada em estudos maiores e mais diversos antes de chegar ao consultório.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista Tratamento da Doença de Parkinson

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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