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Estimulação cerebral profunda no Parkinson: benefício vai além do controle motor, mostra estudo

Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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A estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) do núcleo subtalâmico é conhecida, sobretudo, por reduzir tremor, rigidez e lentidão dos movimentos no Parkinson. Mas um novo estudo publicado na revista Movement Disorders mostra que seus efeitos podem ir além do controle motor: usando eletroencefalografia (EEG), pesquisadores testaram se a DBS também influencia uma habilidade chamada predição temporal, importante para reações rápidas e coordenadas no dia a dia, como atravessar uma rua com carros em movimento ou reagir a um objeto que se aproxima.

Por que estamos publicando isso agora

Na semana passada, comentamos aqui um estudo publicado na revista Brain sobre um padrão de conectividade em banda beta alta na DBS. O estudo de hoje é diferente: foi conduzido por outro grupo de pesquisa e não investiga quem responde melhor à DBS, e sim um efeito específico e pouco explorado da estimulação — o impacto sobre a predição temporal, medido por EEG enquanto o dispositivo estava ligado ou desligado nos mesmos pacientes.

Achamos importante trazer essa pesquisa porque ela ajuda a entender, com dados objetivos de atividade cerebral, por que a DBS pode beneficiar pacientes com Parkinson também fora do domínio motor — algo que costuma receber menos atenção do que tremor e rigidez.

Contexto

Segundo a Mayo Clinic, o Parkinson está associado à perda progressiva de neurônios que produzem dopamina.

Este neurotransmissor, entre outras funções, ajuda a regular o mecanismo que permite estimar a duração de intervalos de tempo e prever quando um evento vai ocorrer. Por isso, muitos pacientes apresentam dificuldades sutis de percepção temporal, que podem persistir mesmo com o uso de medicação dopaminérgica.

A DBS do núcleo subtalâmico já é um tratamento estabelecido para os sintomas motores do Parkinson, atuando principalmente ao reduzir um padrão de atividade elétrica excessiva conhecido como sincronização de ondas beta nos circuitos que conectam o córtex cerebral aos núcleos da base. Estudos anteriores já haviam sugerido que a DBS também pode influenciar funções cognitivas, como memória de trabalho e flexibilidade mental, mas seu efeito específico sobre a predição temporal ainda era pouco compreendido.

Metodologia

O estudo envolveu 13 pacientes com Parkinson avançado e 20 voluntários saudáveis, pareados por idade, sem diagnóstico de Parkinson.

Cada paciente participou de duas sessões de teste em dias diferentes: uma com o dispositivo de DBS ligado e outra com o dispositivo desligado ao menos por uma hora, mantendo a medicação habitual em ambas as sessões. Durante essas sessões, tanto pacientes quanto voluntários saudáveis realizaram uma tarefa de predição temporal: observaram, na tela, um objeto que se movia e desaparecia atrás de um obstáculo visual, reaparecendo em um momento que podia ser antes, exatamente no horário esperado, ou depois do previsto. A tarefa consistia em julgar se o objeto havia reaparecido "cedo demais" ou "tarde demais", enquanto a atividade elétrica cerebral era registrada por EEG.

É importante destacar que a amostra é pequena — 13 pacientes — e que a tarefa avalia uma habilidade cognitiva específica em ambiente de laboratório controlado, não uma medida direta de qualidade de vida ou de funcionamento no dia a dia.

Principais achados

Com o DBS ligado, o desempenho dos pacientes na tarefa de predição temporal foi comparável ao dos voluntários saudáveis. Já com o DBS desligado, o desempenho foi significativamente pior.

Ilustração anatômica do cérebro mostrando o eletrodo de estimulação cerebral profunda no núcleo subtalâmico e a modulação dos circuitos dos gânglios da base.

Os registros de EEG ajudam a explicar essa diferença. Um padrão de atividade cerebral chamado supressão de ondas beta — reconhecido como parte do processamento normal de eventos e movimentos — apareceu de forma mais fraca nos pacientes com o DBS desligado do que nos voluntários saudáveis. Com o DBS ligado, esse padrão se aproximou do observado nas pessoas sem Parkinson, sugerindo que a estimulação ajuda a restaurar essa dinâmica cerebral específica.

Por outro lado, um segundo padrão elétrico avaliado — a sincronia de ondas delta, associada ao alinhamento da atividade cerebral com o momento esperado de um evento — permaneceu reduzida em relação aos voluntários saudáveis tanto com o DBS ligado quanto desligado. Ou seja, a estimulação não normalizou completamente a atividade cerebral relacionada à predição temporal, apenas parte dela.

O que isso significa para os pacientes?

Esse estudo não indica uma nova aplicação prática da DBS, nem sugere que os pacientes devam esperar melhora perceptível na vida cotidiana relacionada especificamente à predição temporal. O que ele mostra é que os efeitos da DBS no cérebro são mais amplos do que os observados apenas no controle de tremor e rigidez, alcançando também processos cognitivos ligados à forma como o cérebro antecipa eventos no tempo.

Isso é relevante porque reforça a mensagem de que o Parkinson não afeta apenas o movimento. Aspectos cognitivos, perceptivos e de atenção também podem ser influenciados, ainda que parcialmente, pelos tratamentos já utilizados na prática clínica, como a DBS.

Próximos passos

Os autores apontam limitações que precisam ser abordadas em pesquisas futuras:

  • Testar amostras maiores de pacientes
  • Investigar se diferentes parâmetros de estimulação (como frequência ou padrão de pulso) afetam de forma diferente a supressão de ondas beta e a sincronia de ondas delta
  • Explorar se a atividade de ondas delta poderia, no futuro, servir como um indicador (biomarcador) para prever quais pacientes se beneficiam mais da estimulação em domínios cognitivos
  • Avaliar se os efeitos observados em laboratório se traduzem em benefícios perceptíveis na rotina dos pacientes

Em resumo

O estudo comparou pacientes com Parkinson, com o DBS ligado e desligado, a voluntários saudáveis, em uma tarefa de predição temporal monitorada por EEG. Com a estimulação ligada, o desempenho dos pacientes ficou semelhante ao dos voluntários saudáveis, acompanhado da restauração parcial de um padrão de atividade cerebral (supressão de ondas beta).

Os resultados, obtidos em uma amostra pequena e em condições de laboratório, não mudam a prática clínica hoje, mas ajudam a entender melhor por que a DBS pode beneficiar pacientes com Parkinson também fora do domínio motor — e apontam caminhos para pesquisas futuras sobre os efeitos cognitivos da estimulação cerebral profunda.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista Tratamento da Doença de Parkinson

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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