

A psilocibina, substância psicoativa de certos cogumelos que faz parte do grupo dos psicodélicos, vem sendo testada em pesquisas clínicas como possível tratamento para a depressão.
Um estudo do Karolinska Institutet, na Suécia, analisou agora o que muda no líquor (o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal) de pacientes com depressão após receberem a substância em um ensaio clínico: duas substâncias químicas, a galanina e a noradrenalina, estavam mais baixas do que no grupo comparador, e a queda da galanina foi a que mais acompanhou a melhora dos sintomas. É um indício biológico interessante, mas ainda não explica como a psilocibina age nem a transforma em tratamento disponível.
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O estudo saiu em julho de 2026, e o interesse por psicodélicos na depressão segue alto, muitas vezes com mais entusiasmo do que evidência. Este trabalho é um bom exemplo para o leitor aprender a diferença entre associação e causa: ele mostra que algo muda no líquor junto com a melhora clínica, mas não mostra que essa mudança produz a melhora.
Também vale registrar que os próprios autores descrevem o achado como um candidato a marcador biológico que precisa ser confirmado em grupos maiores.
A depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo, e uma parte importante dos pacientes não alcança remissão com os tratamentos de primeira linha. Isso mantém a busca por terapias novas e por marcadores biológicos que ajudem a entender como cada tratamento funciona.
A psilocibina é um psicodélico clássico: atua principalmente em receptores de serotonina e altera a percepção e o estado de consciência. Encontrada em alguns cogumelos, vem sendo estudada em pesquisas clínicas como possível tratamento de ação rápida para a depressão, sempre administrada em ambiente controlado e com acompanhamento profissional.
O ensaio clínico que deu origem a esta análise foi publicado em maio de 2026 e apontou melhora maior dos sintomas com psilocibina do que com o comparador no oitavo dia de acompanhamento. Nesse mesmo ensaio, dois participantes do grupo psilocibina tiveram ansiedade intensa e persistente que exigiu atendimento médico, um lembrete de que o tratamento não é isento de riscos.
Duas substâncias ganham destaque neste novo estudo. A noradrenalina é um neurotransmissor ligado ao estado de alerta e à resposta ao estresse. A galanina é um neuropeptídeo, uma pequena molécula mensageira, que no locus coeruleus (região do tronco encefálico que produz noradrenalina) costuma aparecer junto com ela e pode reduzir a atividade desses neurônios. Estudos anteriores, em tecido cerebral pós-morte, em genética e em animais, já tinham sugerido alguma ligação entre a galanina e a depressão.
Trata-se de uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado e controlado, ou seja, os pesquisadores voltaram aos participantes e às amostras do ensaio original para investigar perguntas biológicas que não eram o foco principal daquele estudo.

A principal mensagem é de cautela. O estudo mostra uma associação: pessoas que melhoraram mais também tiveram maior queda da galanina. Isso não prova que a queda da galanina seja a causa da melhora. Ela pode ser consequência, pode caminhar em paralelo por outro motivo ou refletir um mecanismo ainda não identificado. Os próprios autores levantam hipóteses sobre como galanina e noradrenalina se relacionam, mas elas ainda precisam ser testadas.
Há limitações importantes:
Na prática, este estudo não indica um novo tratamento nem um exame pronto para uso. A psilocibina continua sendo investigada em pesquisas clínicas e não deve ser buscada por conta própria, fora de protocolos de estudo e de acompanhamento médico. Quem convive com depressão deve discutir as opções de tratamento com seu médico, e qualquer mudança de conduta passa por avaliação profissional.
Os autores indicam que a galanina reduzida no líquor é um candidato a marcador que precisa ser validado em grupos maiores e relacionado de forma mais detalhada aos desfechos clínicos. Também apontam que coletas em outros momentos poderiam captar efeitos que um único ponto de coleta deixa passar, e que subgrupos mais homogêneos de pacientes poderiam revelar efeitos mais claros.
Segundo o Karolinska, o projeto também prevê analisar exames de PET para investigar se a psilocibina altera a densidade das sinapses no cérebro.
Um estudo sueco com 25 pacientes com amostras pareadas mostrou que, duas semanas após a psilocibina, o líquor apresentava menos galanina e menos noradrenalina do que o do grupo comparador, e que a queda da galanina foi a que mais acompanhou a melhora dos sintomas. É uma pista sobre como a psilocibina pode atuar no sistema nervoso, não a descoberta do mecanismo do efeito antidepressivo e não uma indicação de tratamento pronto. Antes de qualquer conclusão, os achados precisam ser repetidos em grupos maiores.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista e neurofisiologista pela USP e cuida de pessoas com diferentes condições neurológicas por meio de estimulação magnética transcraniana e outras técnicas de neuromodulação.
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