

Segundo a Mayo Clinic, Incoordenação Motora ou perda de coordenação são termos populares para uma condição chamada ataxia.
Para a maioria das pessoas, movimentos como andar, jogar uma bola e pegar um lápis não exigem uma quantidade significativa de pensamento ou esforço para serem coordenados. Mas cada movimento envolve vários grupos musculares que são, em grande parte, controlados pelo cerebelo, uma estrutura importante no cérebro.
A ataxia ocorre quando há uma interrupção na transmissão nervosa entre o cerebelo e os diferentes grupos musculares do corpo. Isso causa movimentos irregulares e instáveis, tendo um grande impacto nas atividades diárias de uma pessoa.
Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre a Incoordenação Motora, suas causas e sintomas, formas de diagnóstico e gerenciamento de sintomas.
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Para algumas pessoas, a ataxia pode ter um desenvolvimento mais lento. Para outras, pode ocorrer de forma repentina. O NHS explica que os sintomas mais comuns da ataxia são:
Se a condição progredir, pode haver:
Também pode haver uma perda de habilidades motoras finas, afetando atividades como escrever ou abotoar a camisa.
Outros sintomas comuns de incoordenação motora podem incluir:
Esses sintomas podem causar preocupação, já que podem ser muito semelhantes a os de um AVC. A orientação é procurar atendimento médico de emergência quando esses sintomas aparecem de repente.
Há uma série de causas conhecidas para ataxia, que variam de condições crônicas a aquelas com início repentino. No entanto, de acordo com a Johns Hopkins Medicine, a maioria das condições se relaciona com danos ou degeneração do cerebelo.
Movimentos coordenados envolvem o cerebelo, os nervos periféricos do corpo e a medula espinhal. Doenças e lesões que danificam ou destroem qualquer uma dessas estruturas podem levar à ataxia. Por exemplo:
Exemplos de algumas condições herdadas relacionadas à ataxia são:
A pesquisa genética avançou significativamente nos últimos anos, permitindo identificar novas causas hereditárias de ataxia que antes eram classificadas como "esporádicas" ou idiopáticas. Um exemplo importante é a síndrome CANVAS (Cerebellar Ataxia with Neuropathy and Vestibular Areflexia Syndrome), causada por expansões de repetição no gene RFC1, que combina disfunção cerebelar, vestibulopatia bilateral e neuropatia sensitiva.
Essa condição tem início na vida adulta e era frequentemente não diagnosticada antes do desenvolvimento dos painéis genéticos modernos. Isso reforça a importância de realizar investigação genética ampliada em pacientes com ataxia de início tardio sem causa aparente, pois um diagnóstico preciso pode mudar completamente o plano de tratamento e o acompanhamento.
Algumas substâncias têm efeitos tóxicos que podem levar à ataxia. Estas incluem:
Algumas pessoas acabam desenvolvendo uma condição conhecida como ataxia esporádica, pois não está relacionada a uma desordem genética ou uma causa conhecida específica.
Segundo artigo publicado na StatPearls, é importante agendar uma visita médica se você experimentar qualquer um dos seguintes sintomas:
Começamos avaliando seu histórico médico e realizando um exame físico, incluindo um exame neurológico. É necessário verificar sua habilidade de:
Outro teste comum é o teste de Romberg. É usado para ver se você consegue se equilibrar enquanto fecha os olhos e mantém os pés juntos.

Às vezes, a causa da ataxia é clara, como uma lesão cerebral, infecção ou toxina. Outras vezes, precisamos realizar algumas perguntas sobre seus sintomas para reduzir a possível causa de sua ataxia. Essas perguntas geralmente incluem:
Entre os exames que podemos solicitar para identificar a causa da incoordenação motora, podemos destacar:
Conforme a U.S. National Library of Medicine, não há cura para a ataxia em si na maioria das formas da doença. Quando uma causa específica é identificada - como uma infecção, deficiência nutricional ou condição autoimune -, tratar essa causa pode levar à melhora ou até à resolução dos sintomas.
Em casos de ataxia hereditária neurodegenerativa, o cenário mudou recentemente de forma histórica: o omaveloxolone (Skyclarys), aprovado pela FDA e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em 2023, tornou-se o primeiro medicamento com aprovação regulatória capaz de modificar o curso da Ataxia de Friedreich em pacientes a partir de 16 anos. Ele atua reduzindo o estresse oxidativo nas mitocôndrias dos neurônios, retardando a progressão da doença.
Para as demais formas de ataxia genética, ainda não existem medicamentos modificadores aprovados, mas o cenário de pesquisa nunca foi tão promissor, com ensaios clínicos de terapias gênicas, oligonucleotídeos antissenso e novas moléculas em curso para vários subtipos.
Terapias que podem ajudar a melhorar a coordenação motora incluem:
Mudanças simples também podem facilitar para uma pessoa com ataxia se locomover pela casa. Por exemplo:
Para pacientes com ataxias hereditárias, o horizonte científico está se transformando rapidamente. Em 2025, o DT-216P2 - uma terapia experimental que atua diretamente na causa genética da Ataxia de Friedreich, buscando restaurar a produção da proteína frataxina - dosou seu primeiro paciente em um ensaio clínico de fase 1, no estudo chamado RESTORE-FA. Para as Ataxias Espinocerebelares (SCAs), abordagens moleculares inovadoras, como oligonucleotídeos antissenso (ASOs) que reduzem a expressão do gene mutante, estão em fase pré-clínica avançada ou em ensaios iniciais para SCA1, SCA2 e SCA3.
Técnicas de edição genômica por CRISPR/Cas9 também demonstraram eficácia em modelos animais de SCA1, expandindo ainda mais o horizonte terapêutico. Nenhuma dessas abordagens está disponível fora de ensaios clínicos ainda — mas elas representam a fronteira mais importante da pesquisa em ataxias e reforçam a importância de manter o acompanhamento neurológico especializado, que é o caminho para ter acesso a essas opções à medida que se tornarem disponíveis.
Existe uma forma tratável de ataxia, pois sua causa é a deficiência de vitamina E (AVED- Ataxia com Deficiência de Vitamina E). Esta forma de ataxia melhora com a suplementação de Vitamina E.
Segundo artigo publicado na Cerebellum, a ataxia do glúten é uma doença imuno-mediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. Neste caso, o tratamento com uma dieta sem glúten pode melhorar a ataxia e impedir sua progressão.
A incoordenação motora, tecnicamente chamada de ataxia, é uma condição neurológica que resulta da interrupção da comunicação entre o cerebelo e os músculos do corpo. Ela se manifesta através de movimentos irregulares, perda de equilíbrio, dificuldades na fala, na deglutição e na coordenação motora fina (como escrever ou abotoar roupas). As causas são diversas, variando de eventos agudos como AVC e traumatismos, a condições crônicas como esclerose múltipla, alcoolismo, toxinas e doenças genéticas (como a Ataxia de Friedreich).
O diagnóstico exige uma avaliação neurológica minuciosa, incluindo exames físicos, de imagem (ressonância magnética) e, em muitos casos, testes genéticos. Embora muitas formas de ataxia não tenham cura definitiva, o tratamento evoluiu significativamente. O foco atual combina o manejo da causa subjacente com terapias de reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional) e, mais recentemente, avanços farmacológicos promissores, como o primeiro medicamento aprovado para a Ataxia de Friedreich. O diagnóstico precoce é essencial, especialmente em formas tratáveis como a ataxia por deficiência de vitamina E ou a ataxia do glúten.
Independente do que esteja causando problemas de incoordenação motora, existem tratamentos para gerenciar os sintomas e manter uma boa qualidade de vida. Um passo importante é procurar ajuda médica para identificar a causa da ataxia.
Como Neurologista Especialista em Ataxia, Dr Diego de Castro concentra-se em oferecer a seus pacientes uma avaliação neurológica e investigação para diagnóstico.
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Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética.
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sou o Cícero tenho 58 anos a 2 anos comecei com fala mole nem eu percebi em seguida desequilíbrio evoluiu dificuldade de deglutição fiz vários exames tais como RN licuor eletroneuromiografia exames laboratoriais e não fechou diagnóstico sou funcionário da santa casa de São Paulo trabalho como técnico de enfermagem na UTI adulto sou acompanhado na santa casa e no hospital São Paulo tenho muito desequilíbrio dificuldade para falar e andar afastado a perna direita faço uso de andador tomo Riluzol baclofeno por favor em que me ajudar