

Por décadas, o diagnóstico da doença de Parkinson dependeu estritamente da manifestação de sintomas motores clássicos, como a bradicinesia, o tremor de repouso e a rigidez. Mas esse processo vem evoluindo significativamente com o Diagnóstico baseado em Biomarcadores da Doença de Parkinson.
Isso é muito importante porque, quando esses sinais clássicos da doença se tornam evidentes no exame clínico, uma parcela significativa dos neurônios dopaminérgicos na substância negra já sofreu degeneração irreversível.
Neste artigo, Dr. Diego de Castro explica sobre o que a Neurologia atual já sabe sobre esses avanços no diagnóstico, com base em revisões científicas recentes.
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Segundo The Michael J. Fox Foundation, os biomarcadores são sinais que o próprio organismo produz e indicam se algo está funcionando de forma normal ou anormal. Eles podem ser encontrados no sangue, urina, líquor ou tecidos.
Na doença de Parkinson, a medicina avançou na identificação dos seguintes biomarcadores:
A busca por proteínas específicas em fluidos corporais (especialmente Alfa-sinucleína, a principal proteína associada ao Parkinson) é um dos campos mais promissores. Esses biomarcadores auxiliam na detecção precoce, diferenciação de outros parkinsonismos e monitoramento da progressão da doença.
Exames de imagem avançados ajudam a mapear as alterações funcionais e estruturais no cérebro:
Esses biomarcadores ajudaram por muitos anos no diagnóstico clínico da doença de Parkinson, pois muitos sintomas não motores surgem anos antes dos sintomas clássicos.
A alfa-sinucleína é uma proteína naturalmente presente no cérebro. Na doença de Parkinson, ela se dobra de maneira errada e forma aglomerados chamados corpos de Lewy, considerados a "marca registrada" da doença no tecido cerebral.
Quando essas proteínas mal dobradas se acumulam, os neurônios que produzem dopamina vão morrendo, gerando os sintomas da doença.
Com os chamados Ensaios de Amplificação de Sementes (SAA), podemos coletar o líquido da espinha (líquido cefalorraquidiano) ou até uma pequena amostra de pele para avaliar se a alfa-sinucleína defeituosa está presente.
A precisão técnica desse ensaio apresenta uma sensibilidade superior a 90% em pacientes nas fases iniciais, diferenciando com segurança o Parkinson de outras síndromes Parkinsonianas atípicas que compartilham sintomas semelhantes.
Artigo publicado no The Lancet em Maio 2023 validou os testes iniciais (os ensaios de amplificação de semente ou SAAs). Este estudo representou a maior análise até aquele momento da SAA α-sinucleína para o diagnóstico bioquímico da doença de Parkinson.
Agora em fevereiro de 2026, um artigo publicado na Nature Reviews Neurology pelos pesquisadores Eduardo Tolosa, Werner Poewe e equipe discute como a Neurologia está deixando de usar critérios puramente clínicos (esperar o paciente tremer ou ficar rígido) para construir um modelo de diagnóstico biológico.
A importância de estabelecer critérios biológicos ganha força no manejo do paciente prodrômico (aquele indivíduo que já possui a doença de Parkinson ativa em seu organismo, mas ainda não apresenta os sintomas motores clássicos).
Indivíduos que apresentam distúrbio comportamental do sono REM (RBD) ou hiposmia idiopática acentuada agora são monitorados sob uma nova perspectiva. Ao correlacionar esses sintomas não motores com testes positivos de αSyn-SAA e biomarcadores de integridade axonal, como os níveis plasmáticos de neurofilamento leve (NfL), o neurologista consegue traçar uma linha do tempo precisa da neurodegeneração.
A inserção dos testes de alfa-sinucleína na rotina diagnóstica atual está acontecendo de forma acelerada, mas exige cautela. É fundamental para os pacientes e cuidadores compreender a real disponibilidade e as limitações práticas desses exames:
Laboratórios de referência em LCR no Brasil já utilizam tecnologia RT-QuIC, base do αSyn-SAA, embora sua aplicação específica para Parkinson ainda esteja em expansão.
Portanto, o diagnóstico clínico ainda é o "Padrão-Ouro" e a avaliação do neurologista é fundamental nesse processo. Os testes de biomarcadores entram apenas como ferramentas de apoio que devem ser consideradas juntamente com o neurologista que acompanha o seu caso.
A perspectiva mais animadora são as pesquisas com amostras minimamente invasivas, como pele, mucosa olfatória e até saliva, que estão em andamento. Além disso, a validação desses biomarcadores deve acelerar os ensaios clínicos de novas terapias neuroprotetoras, aumentando as chances de tratamentos que atuem na causa da doença, não apenas nos sintomas.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).
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