

Um eletrodo bem posicionado no núcleo subtalâmico já é capaz de aliviar tremor, rigidez e lentidão no Parkinson — mas nem todo paciente responde da mesma forma à estimulação cerebral profunda (DBS). Por que alguns eletrodos produzem mais benefício clínico do que outros, mesmo quando a posição anatômica parece semelhante?
Um estudo publicado na revista Brain aponta uma possível resposta: a diferença pode estar associada a um ritmo elétrico específico — a chamada "beta alta" (20 a 35 Hz) — que conecta o núcleo subtalâmico ao córtex cerebral.
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Este não é um estudo sobre um medicamento novo, nem sobre uma mudança de protocolo clínico. Mas ajuda a entender por que a DBS funciona melhor em alguns pacientes do que em outros — e que aponta um caminho concreto para tornar a estimulação mais precisa no futuro.
A DBS já é usada há décadas no tratamento do Parkinson, mas a forma como ela é programada ainda depende bastante da experiência clínica e de ajustes por tentativa e erro. Um biomarcador elétrico como o identificado aqui, se confirmado em estudos futuros, pode ajudar a guiar essa programação de forma mais objetiva. Por isso vale conhecer o achado agora, mesmo sem repercussão prática imediata para quem já é tratado com DBS.
Conforme artigo publicado no Deep Brain Stimulation Journal, a DBS do núcleo subtalâmico é um tratamento cirúrgico eficaz para os sintomas motores do Parkinson, mas seu resultado depende fortemente de onde exatamente o eletrodo é posicionado e de como o dispositivo é programado.
Estudos anteriores já haviam mapeado, por ressonância magnética funcional, uma rede cerebral associada a bons resultados da DBS — os chamados "pontos ideais" de estimulação. Paralelamente, outra linha de pesquisa, baseada em eletrofisiologia, já vinha associando a atividade sincronizada na faixa beta a sintomas parkinsonianos.
Essas duas abordagens nunca haviam sido combinadas em um único estudo.
Este estudo se propôs a unir as duas dimensões — espacial e temporal — pela primeira vez.
Os pesquisadores usaram gravações simultâneas de potenciais de campo local (sinais elétricos captados diretamente pelo eletrodo já implantado no núcleo subtalâmico) e de magnetoencefalografia de cérebro inteiro (que mapeia a atividade elétrica de todo o córtex). Essas gravações foram feitas em repouso, no dia seguinte à cirurgia de implante, com o estimulador desligado e sem medicação para Parkinson — ou seja, o estudo não testou diferentes parâmetros de estimulação elétrica, e sim observou o padrão natural de conectividade entre o núcleo subtalâmico e o córtex antes de qualquer ajuste terapêutico.
Um ano depois, os pesquisadores mediram a melhora motora de cada paciente (pela escala UPDRS-III) já em uso do tratamento padrão programado pela equipe clínica, e cruzaram esse resultado com o padrão de conectividade elétrica registrado logo após a cirurgia — em três faixas de frequência:
O estudo foi financiado pela Fundação Prof. Dr. Klaus Thiemann (bolsa Parkinson 2022), e um dos autores seniores declara vínculos com empresas do setor de neuroestimulação (consultoria e palestras remuneradas por fabricantes de dispositivos), embora os autores afirmem que essas relações não têm ligação direta com este trabalho específico — informação relevante para transparência, ainda que não comprometa o desenho do estudo.
A conectividade na faixa de beta alta entre o núcleo subtalâmico e o córtex explicou uma parcela significativa da variação na melhora motora entre os pacientes. Já as faixas de teta-alfa e beta baixa — historicamente mais estudadas — não mostraram associação significativa com o resultado do tratamento.
Esse achado se mostrou consistente em diferentes testes estatísticos de robustez, incluindo validação cruzada e um desenho que dividiu a amostra em dois grupos independentes. A rede elétrica identificada também se assemelhou espacialmente à rede já conhecida por estudos de ressonância funcional, reforçando que os dois métodos — eletrofisiologia e imagem — parecem estar captando o mesmo fenômeno biológico, só que em escalas de tempo diferentes.
Vale registrar uma nuance: quando os pesquisadores repetiram a análise separando os sintomas, o padrão se confirmou bem para rigidez e bradicinesia (lentidão), mas não para o tremor — que não teve seu resultado validado pelo mesmo modelo. Isso sugere que a rede de beta alta pode estar mais ligada a alguns sintomas motores do Parkinson do que a outros.

Para quem já faz ou vai fazer DBS, este estudo não representa uma mudança prática hoje.
Ainda assim, a descoberta é relevante porque aponta um caminho: no futuro, esse tipo de biomarcador - a conectividade em beta alta (20–35 Hz) entre o núcleo subtalâmico e o córtex - pode ajudar a escolher com mais precisão qual contato do eletrodo ativar durante a programação da DBS.
Os próximos passos incluem tentar reproduzir o achado com equipamentos mais simples e acessíveis — como o EEG combinado ao registro elétrico do próprio eletrodo — e conduzir estudos prospectivos e, idealmente, controlados, capazes de testar se estimular deliberadamente essa rede de beta alta melhora os resultados clínicos. Os pesquisadores afirmam que estudos sobre os efeitos causais da DBS nessas redes cerebrais já estão em curso.
Um estudo publicado na Brain identificou que a conectividade entre o núcleo subtalâmico e o córtex cerebral, na faixa de beta alta (20–35 Hz), está associada a melhores resultados da estimulação cerebral profunda no Parkinson — enquanto outras faixas de frequência não mostraram a mesma relação. O achado foi validado com testes estatísticos robustos e replicado entre diferentes centros e equipamentos, e converge com o que já se sabia por estudos de ressonância funcional.
É importante ter clareza que o estudo trata-se de uma análise correlacional, com dados de pacientes já implantados, sem manipulação experimental do ritmo elétrico — e não um teste de novos parâmetros de estimulação. A "beta alta" é, por ora, um candidato promissor a biomarcador para orientar a programação da DBS no futuro, não uma mudança de protocolo disponível hoje. Ainda assim, é um passo relevante para tornar um tratamento já consolidado no Parkinson cada vez mais preciso.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Dr Diego de Castro também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC).
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