

Resposta Rápida: O exame de sangue para Alzheimer mede a p-tau217, uma forma da proteína tau que aumenta no sangue quando há placas de beta-amiloide no cérebro. A Anvisa aprovou o registro de um teste de p-tau217 no fim de setembro de 2026. Ele ajuda a investigar o Alzheimer em quem já tem queixas de memória, mas não dá o diagnóstico sozinho nem substitui a avaliação do neurologista.
Durante anos, confirmar o Alzheimer em vida dependia de exames caros, invasivos ou de difícil acesso. O exame de sangue para Alzheimer promete mudar parte dessa realidade, e é natural que pacientes e familiares queiram saber se ele é confiável e se já está ao alcance no Brasil.
Neste artigo, Dr. Diego de Castro, neurologista e neurofisiologista pela USP, explica como o teste de p-tau217 funciona, o que ele mostra, o que ele não mostra e para quem faz sentido.
Navegação pelo Artigo
O exame de sangue para Alzheimer é um teste laboratorial que detecta, no plasma, sinais da alteração biológica que caracteriza a doença: o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro. A diferença em relação aos métodos anteriores está na praticidade. Uma coleta de sangue comum substitui, em muitos casos, uma punção lombar ou um exame de imagem especializado.
Mas praticidade não é sinônimo de diagnóstico automático. A seguir, compreenda o que a p-tau217 representa, qual a precisão dos testes, qual é a situação no Brasil e quem deve fazer o exame.
A p-tau217 é a proteína tau com um grupo fosfato ligado na posição 217, e seus níveis no sangue sobem quando o cérebro já tem placas de beta-amiloide. A tau existe normalmente dentro dos neurônios. Na doença de Alzheimer, ela é fosforilada de forma anormal e parte dela chega à circulação.
Entre os marcadores sanguíneos estudados, a p-tau217 é o que tem mostrado o melhor desempenho para indicar se existe patologia amiloide. Na prática, o exame não "enxerga" a memória. Ele indica se o processo biológico típico do Alzheimer está presente.
Esse detalhe importa. Ter amiloide no cérebro e ter demência não são a mesma coisa, e o resultado do exame só ganha sentido quando lido junto com os sintomas.
Os melhores testes de p-tau217 no plasma concordam com o PET-amiloide e com o líquor em cerca de 90% dos casos, desde que usados em quem já tem sintomas cognitivos e interpretados com critérios adequados. Esse número não é um padrão para qualquer teste: varia conforme a plataforma, o ponto de corte e o grupo de pessoas avaliado.
Um estudo publicado na Nature Medicine, com o teste Lumipulse, mostrou boa concordância com os métodos de referência. Vale destacar que esses dados vêm de uma plataforma específica. Eles não podem ser transferidos automaticamente para outro teste.
A revisão sistemática com metanálise na Lancet Neurology também apontou que os biomarcadores plasmáticos, em especial a p-tau217, têm desempenho diagnóstico elevado para identificar a patologia do Alzheimer.
As diretrizes da Alzheimer's Association, apresentadas na AAIC 2025, definem dois patamares de uso:
Ou seja, nem todo exame de sangue para Alzheimer tem o mesmo peso. O que ele permite depende de quanto ele acerta.
O resultado intermediário significa que o nível de p-tau217 ficou em uma faixa em que o teste não consegue dizer, com segurança, se há ou não amiloide. Os testes mais recentes usam dois pontos de corte justamente para isso: abaixo do primeiro, resultado negativo; acima do segundo, positivo; no meio, indefinido.
Uma parcela dos pacientes cai nessa zona. Nesses casos, o caminho costuma ser complementar a investigação com PET-amiloide ou análise do líquor, em vez de forçar uma conclusão.
A imprensa noticiou, entre 30 de setembro e 1º de outubro de 2026, que a Anvisa aprovou o registro do Elecsys pTau217, um teste sanguíneo de p-tau217 da Roche Diagnóstica. As reportagens se baseiam em comunicado da fabricante.
O registro, porém, é o passo regulatório: autoriza o produto, mas não garante que ele esteja disponível em todos os laboratórios, nem que seja coberto pelo SUS ou por planos de saúde. Nos Estados Unidos, o mesmo teste foi liberado pelo FDA em agosto de 2026, segundo a Alzheimer's Association, para pessoas com sinais ou sintomas de comprometimento cognitivo.
Por isso, vale confirmar caso a caso:
O exame é indicado, sobretudo, para adultos com queixas de memória ou de outras funções cognitivas, avaliados por um especialista. É nesse grupo que as diretrizes e os estudos de validação foram desenhados e é onde o resultado tem mais valor.
Situações em que o neurologista pode considerar o teste:
As diretrizes da Academia Brasileira de Neurologia para o diagnóstico da doença de Alzheimer, publicadas em 2024, já tratavam os biomarcadores como parte da investigação, embora tenham sido escritas antes da chegada do teste sanguíneo ao país.
Pessoas sem nenhuma queixa cognitiva não são o público para o qual o teste foi validado. Existe uma razão prática: uma parte das pessoas idosas e saudáveis tem amiloide no cérebro e nunca desenvolve demência. Um resultado positivo nesse contexto gera ansiedade e pouca orientação clara.
Pesam também:
Esses fatores não impedem o exame. Eles exigem leitura cuidadosa pelo médico.
O exame mostra se há sinal de patologia amiloide compatível com Alzheimer; ele não mostra a causa do problema de memória, a gravidade do quadro nem a velocidade com que a doença vai avançar. Isso explica por que ele não funciona sozinho.
Ele ajuda a:
Ele não consegue:
Outras condições também afetam a memória e podem simular ou somar-se ao Alzheimer. Um exemplo são as alterações de memória após a covid-19, que têm outro mecanismo e outro caminho de tratamento.

O diagnóstico do Alzheimer continua sendo clínico: ele combina história, exame neurológico, avaliação cognitiva e exames complementares. O teste de sangue entra como um apoio, não como o ponto final.
Na prática, a investigação costuma incluir:
Como a Abramed observa, os biomarcadores no sangue ampliam os caminhos para o diagnóstico, o que não elimina a necessidade de interpretação médica.
Seja qual for o resultado, o próximo passo é discuti-lo com o neurologista, que vai somá-lo ao quadro clínico. Um resultado negativo em quem tem sintomas leva a investigar outras causas. Um positivo confirma que existe patologia compatível com Alzheimer e abre a conversa sobre tratamento, acompanhamento e planejamento.
Esse planejamento inclui a rotina da família. Se o diagnóstico se confirmar, vale ler o nosso artigo: "Como cuidar de uma pessoa com Alzheimer", com orientações para o paciente e para quem cuida.
Em parte dos casos, sim, mas não em todos. Quando o teste atinge os critérios de acurácia de confirmação e o resultado cai fora da zona intermediária, ele pode dispensar o PET ou o líquor. Se o resultado for intermediário ou discordar do quadro clínico, o especialista pode pedir um desses exames para esclarecer.
Tecnicamente é possível, mas não é recomendado como rotina. As diretrizes foram feitas para pessoas com sintomas cognitivos. Em quem não tem queixas, um resultado positivo não indica quando, nem se, a demência vai aparecer, e isso pode gerar angústia sem benefício claro.
Até onde foi possível verificar, não há confirmação de cobertura obrigatória. O registro na Anvisa autoriza o produto, mas a incorporação ao SUS e a inclusão no rol de procedimentos da ANS são processos separados. Vale consultar a operadora e o laboratório antes de colher.
Não necessariamente. Um resultado positivo indica que existe patologia amiloide, e em quem já tem sintomas isso sustenta o diagnóstico de Alzheimer. Em quem não tem sintomas, indica risco aumentado, mas não prevê com certeza o aparecimento da doença.
Podem alterar. Na doença renal crônica, os níveis de p-tau217 no sangue podem ficar mais altos sem que o paciente tenha mais amiloide, e acima dos 80 anos há maior chance de resultados positivos e de outras alterações cerebrais associadas. O neurologista leva esses fatores em conta ao interpretar o exame.
O exame de sangue para Alzheimer mede a p-tau217, que reflete a presença de placas de beta-amiloide no cérebro, e os melhores testes têm concordância elevada com o PET-amiloide e o líquor. Ele foi pensado para pessoas com sintomas cognitivos, tem uma zona de resultado intermediário e não substitui a avaliação clínica. No Brasil, a Anvisa aprovou o registro do primeiro teste, mas a disponibilidade e a cobertura ainda precisam ser confirmadas caso a caso.
Quando a memória preocupa, entender o que está acontecendo é o caminho para planejar o cuidado e preservar a qualidade de vida do paciente e da família. Um acompanhamento neurológico bem conduzido transforma um número de laboratório em decisões práticas: investigar a causa certa, tratar o que for tratável e organizar a rotina com segurança.
Dr Diego de Castro tem como objetivo ajudar seus pacientes que apresentam uma condição neurodegenerativa a melhorar sua função, minimizar sua necessidade de medicamentos e alcançar uma melhor qualidade de vida.
Entendemos que a sintomatologia de cada paciente é única. Por isso, abordamos planos de tratamento individualizados, porém abrangentes de gerenciamento dos sintomas que afetam todos os aspectos da vida de uma pessoa com a doença de Alzheimer. Leia também: Como Cuidar de uma Pessoa com Alzheimer.
Para agendar uma consulta, veja abaixo nossas informações de contato:
Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 - Enseada do Suá, Vitória - ES, 29050-911
Tel: (27) 99707-3433
R. Itapeva, 518 - sala 1301 Bela Vista - São Paulo - SP, CEP: 01332-904
Telefones: (11) 3504-4304
Posts Relacionados:




