

A polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica, conhecida como CIDP, é uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca a mielina, a camada que envolve os nervos periféricos. O resultado pode ser fraqueza, perda de sensibilidade e dificuldade para caminhar ou usar as mãos, em um quadro que progride ou oscila ao longo do tempo. Por isso, novos dados sobre tratamentos que já existem merecem atenção, desde que sejam lidos com cuidado.
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Não há aqui uma nova aprovação nem um novo ensaio. O que há são dados de acompanhamento mais longo de um medicamento que já é usado em outros países. Vale comentar porque a CIDP costuma exigir tratamento por muito tempo, e a dúvida mais comum de quem convive com ela é se o benefício e a segurança se mantêm com os anos.
Como os dados vêm da própria fabricante, o texto separa o que foi mostrado do que ainda não dá para afirmar.
O efgartigimode é um medicamento aplicado por via subcutânea que bloqueia o FcRn, um receptor que "recicla" os anticorpos do tipo IgG e os devolve à circulação. Ao bloquear esse receptor, a quantidade de IgG no sangue diminui. Na CIDP, acredita-se que parte desses anticorpos contribua para o dano aos nervos, embora isso não esteja demonstrado da mesma forma em todos os pacientes.
O medicamento já foi aprovado para CIDP nos Estados Unidos e na União Europeia, com base no estudo ADHERE. A situação regulatória varia de país para país, e a disponibilidade deve ser conversada com o neurologista.

Em setembro de 2026, a fabricante, a Argenx, apresentou no congresso AANEM/MGFA, em Orlando, dados de longo prazo dos estudos ADHERE e ADHERE+. O ADHERE+ é a fase de extensão aberta, na qual os pacientes continuam recebendo o medicamento. Segundo a fabricante, o acompanhamento se estende além de cinco anos, e a segurança observada foi consistente com a de estudos anteriores.
Esses resultados foram apresentados pela própria fabricante, em congresso, e esta versão ainda não é uma publicação revisada por pares. Vários pontos pedem cautela:
Também não há, nesses dados, comparação direta com outros tratamentos usados na CIDP, como imunoglobulina, corticoide ou plasmaférese. Portanto, não é possível dizer que o efgartigimode seja superior a eles.
Para quem convive com CIDP, o principal recado é de continuidade: os dados reforçam que o efgartigimode mantém seu perfil de eficácia e segurança em parte dos pacientes acompanhados por mais tempo. Eles não indicam que todos terão o mesmo resultado, nem que o medicamento deva substituir os tratamentos atuais. A escolha da terapia continua dependendo do quadro clínico, do histórico de tratamento e da avaliação do neurologista.
Além do tratamento medicamentoso, o acompanhamento regular com o neurologista e, quando indicado, a reabilitação com fisioterapia são parte do cuidado da CIDP. Manter-se ativo dentro dos limites de cada pessoa também costuma ser incentivado. Isso não é conclusão deste estudo e não substitui a avaliação médica.
Os dados de longo prazo apresentados pela Argenx indicam que o efgartigimode segue mostrando benefício funcional em parte dos pacientes com CIDP, com segurança consistente com a de estudos anteriores. Mas vêm da fabricante, ainda não foram revisados por pares, descrevem sobretudo respondedores e incluem análises exploratórias. São um sinal encorajador, não uma prova de superioridade a longo prazo.
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