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Tremor essencial: estudo da Movement Disorder Society revisa as evidências dos remédios mais usados

Dr Diego de Castro
18/08/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Uma revisão baseada em evidências publicada na Movement Disorders, conduzida pela International Parkinson and Movement Disorder Society (MDS), reavaliou os estudos que sustentam o uso de propranolol, primidona, topiramato e toxina botulínica no tratamento do tremor essencial.

Usando um método mais rigoroso (GRADE modificado), os autores concluíram que a evidência atual — baseada em 31 ensaios clínicos, muitos pequenos e antigos — é insuficiente para afirmar com confiança a eficácia de qualquer uma dessas opções a longo prazo. Isso não significa que os remédios parem de funcionar na prática clínica, mas expõe uma fragilidade metodológica que a medicina baseada em evidências agora reconhece.

Por que publicamos esta notícia agora

Diferente da maioria das matérias, este estudo não traz uma terapia nova nem muda a forma como o tremor essencial é tratado hoje. Então por que falar sobre ele? Por dois motivos:

  1. Títulos como "estudo põe em xeque remédios para tremor essencial" já circulam e tendem a circular mais. E, lidos sem contexto, podem sugerir que os medicamentos usados há décadas simplesmente não funcionam. Não é isso que o estudo diz, e preferimos explicar isso antes que essa versão simplificada chegue até você por outro caminho.
  2. Essa é uma pesquisa que expõe uma lacuna real: faltam ensaios clínicos maiores e mais bem desenhados sobre tremor essencial. E entender por que isso importa pode ser útil para quem, no futuro, considera participar de um estudo clínico sobre o tema.

Compreendendo o contexto do estudo

Segundo a Mayo Clinic, o tremor essencial é um dos distúrbios do movimento mais comuns na prática neurológica. Ainda assim, o arsenal terapêutico disponível não mudou muito nas últimas décadas: os medicamentos mais usados — propranolol, primidona e topiramato — já eram indicados há anos, com base em estudos conduzidos majoritariamente entre as décadas de 1980 e 2000.

Em 2019, a MDS já havia publicado uma primeira revisão baseada em evidências sobre o tema, classificando propranolol, primidona e topiramato como "clinicamente úteis" e a toxina botulínica tipo A como "possivelmente útil". A nova revisão, publicada em 2026, atualiza essa análise com critérios metodológicos mais exigentes. E chega a uma conclusão mais cautelosa.

Metodologia

A equipe de pesquisadores realizou uma busca sistemática por ensaios clínicos randomizados (ECRs) que avaliaram intervenções medicamentosas para tremor essencial, com acompanhamento mínimo de um mês. Ao todo, foram incluídos 31 ensaios, avaliando 16 intervenções diferentes contra placebo.

O tamanho amostral desses estudos variou de apenas 5 a 117 participantes, e a duração do acompanhamento foi de 4 a 28 semanas. Para julgar a qualidade dessa evidência, os autores aplicaram uma versão adaptada do framework GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation), um sistema estruturado e transparente usado para avaliar a certeza de dados científicos. Este método não pergunta apenas "o remédio funcionou no estudo?", mas também "o estudo foi bem desenhado o suficiente para eu confiar nesse resultado?".

O que a revisão encontrou

Mais de um ensaio documentou melhora do tremor em comparação ao placebo para propranolol, primidona, topiramato e toxina botulínica tipo A — os quatro medicamentos mais usados na prática clínica atual. À primeira vista, isso soa como uma confirmação de eficácia.

Mas ao aplicar o GRADE, os revisores identificaram limitações e problemas metodológicos importantes nos estudos. Isso baixou a confiança na evidência a ponto de nenhuma das intervenções avaliadas atingir o patamar de "evidência suficiente para recomendação eficaz com confiança".

No caso específico do propranolol, por exemplo, mesmo havendo benefício estatisticamente significativo sobre o placebo nos estudos disponíveis, a certeza geral da evidência foi classificada como baixa, por causa do risco elevado de viés e de imprecisão nos dados.

"Sem evidência suficiente" não é a mesma coisa que "não funciona"

Este é o ponto mais importante da matéria, e vale repetir com ênfase:

❌ "O remédio não funciona" - não é essa a conclusão do estudo
✔️ "Os estudos que comprovam a eficácia do remédio são metodologicamente frágeis demais para gerar confiança científica alta" - essa sim é a conclusão da revisão.

Muitos dos ensaios sobre propranolol, primidona e topiramato foram conduzidos décadas atrás, com amostras pequenas (algumas com apenas 5 participantes) e desenhos que, pelos padrões atuais, deixam dúvidas sobre vieses. Isso não apaga a experiência clínica acumulada com esses medicamentos, mas mostra que essa experiência ainda não está bem ancorada em evidência de alta qualidade.

Composição visual comparando uma consulta médica humanizada (experiência clínica) com um gráfico de barras digital (certeza científica), unidos por uma balança que simboliza o equilíbrio do framework GRADE.

Se você já usa um desses medicamentos

A revisão não é motivo para suspender ou trocar um tratamento por conta própria. Se você sente melhora com propranolol, primidona, topiramato ou toxina botulínica, essa resposta individual continua válida. A conclusão dos autores é sobre a qualidade da evidência científica disponível, não sobre se o remédio funciona para você especificamente.

O que a revisão sugere é uma postura: manter o diálogo com o neurologista sobre expectativas realistas de resposta ao tratamento, e não interpretar notícias como esta como um sinal de que é preciso trocar de estratégia.

Próximos passos

Os próprios autores apontam a lacuna: é preciso de ensaios clínicos maiores, mais longos e com desenho metodológico mais robusto para confirmar — ou refutar — a eficácia dos tratamentos já usados na prática. Esse tipo de lacuna costuma abrir espaço, com o tempo, para novos estudos clínicos recrutando pacientes com tremor essencial, algo que vale acompanhar para quem tem interesse em participar de pesquisa.

Em resumo

A revisão da MDS publicada em 2026 não trouxe uma nova terapia nem invalidou o uso dos medicamentos atuais para tremor essencial. O que ela trouxe foi uma reavaliação crítica: ao aplicar critérios mais rigorosos, os estudos que sustentam propranolol, primidona, topiramato e toxina botulínica mostraram-se metodologicamente insuficientes para gerar confiança alta.

Trazemos essa notícia não porque ela muda o tratamento hoje, mas para que você entenda o que ela realmente diz, caso a leia em algum outro lugar com uma manchete menos cuidadosa.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Aprenda mais sobre os tremores em Neurologia, em nossos artigos:

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em Distúrbios do Movimento, Tremores e Eletroneuromiografia.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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