

Segundo a Cleveland Clinic, Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) é uma condição neurológica causada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano (ou líquor - LCR) nos ventrículos cerebrais.
A hidrocefalia de pressão normal ocorre é mais comum em pessoas acima de 60 anos. Este é um diagnóstico neurológico importante, uma vez que a hidrocefalia de pressão normal produz sintomas de demência, mas que são potencialmente reversíveis.
Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre as causas e sintomas da Hidrocefalia de Pressão Normal.
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Segundo artigo publicado na Neurology, o aumento da quantidade de líquor nos ventrículos cerebrais são o fator determinante da hidrocefalia de pressão normal. O líquor é produzido nas cavidades do cérebro por um emaranhado de pequenos vasos sanguíneos envoltos pelas meninges, denominado plexo coróide. O líquor mantém o cérebro flutuando e livre de atrito com o crânio.
O líquor produzido circula livremente pelas cavidades dos ventrículos cerebrais e é reabosrvido pelas meninges. Um fluxo constante de líquor mantém a pressão ao redor do cérebro estável. Quando há excesso de produção, obstrução ao seu fluxo ou dificuldade de reabsorção os ventrículos aumentam. Esta condição é chamada Hidrocefalia.
A Hidrocefalia de Pressão Normal é diferente de outros tipos de hidrocefalia, porque se desenvolve lentamente ao longo do tempo. A drenagem do líquido cefalorraquidiano é bloqueada gradualmente, e o volume de fluido extra se acumula lentamente.
Como os ventrículos aumentam de tamanho lentamente, a pressão do fluido no cérebro pode não aumentar como em outros tipos de hidrocefalia. No entanto, apesar de utilizarmos o termo "pressão normal", os ventrículos aumentados podem causar sintomas.
Conforme a Hydrocephalus Association, o termo "hidrocefalia de pressão normal" tem origem em um artigo de 1964 do Dr. Salomon Hakim, descrevendo alguns casos de hidrocefalia que apresentaram baixas pressões do LCR na punção lombar.
Como uma medição isolada de pressão do LCR por punção lombar não produz uma estimativa real da pressão intracraniana (PIC) em pacientes com HPN, alguns autores preferem o termo "hidrocefalia obstrutiva extraventricular". A teoria seria de que a obstrução ao fluxo de LCR leva ao alargamento dos ventrículos cerebrais e, à medida que eles aumentam, a pressão do LCR volta ao normal.
Mas o termo "hidrocefalia de pressão normal" continua sendo o nome mais comumente utilizado para a condição.

A Mayo Clinic explica que a causa exata da hidrocefalia de pressão normal ainda não é muito clara. Ao presente momento a teoria de aumento da produção do liquido cerebroespinhal é a mais aceita.
Na maioria dos casos, não é possível identificar o que leva ao acúmulo de fluido cefalorraquidiano. Nas situações em que conseguimos encontrar uma causa da hidrocefalia, ela é resultado de outras condições que afetam o cérebro, incluindo:
Ainda não foi possível esclarecer como essas condições podem levar ao desenvolvimento da hidrocefalia de pressão normal. Da mesma forma, não há uma maneira conhecida de preveni-la.
Contudo, é importante receber tratamento assim que os sintomas aparecem pois aumenta a chance de uma recuperação completa.
Segundo a Alzheimer's Association, existem três sintomas clássicos que definem a hidrocefalia de pressão normal:
Esta tríade de sintomas é considerada o quadro clínico "clássico" de hidrocefalia de pressão normal, mas nem todos com a doença experimentam os três sintomas.
Os sintomas da hidrocefalia de pressão normal podem ser semelhantes a muitas doenças neurológicas:
Fazer uma adequada distinção é muito importante, porque os tratamentos para essas condições são diferentes.
A hidrocefalia de pressão normal é muitas vezes negligenciada ou mal diagnosticada. A Hydrocephalus Association estima que menos de 20% das pessoas com esta condição sejam devidamente diagnosticadas. O subdiagnóstico da hidrocefalia de pressão normal não é um dado isolado — ele reflete um padrão real e preocupante na prática clínica.
Sintomas como dificuldade para caminhar, esquecimento e perda do controle urinário são frequentemente atribuídos ao envelhecimento natural ou confundidos com Alzheimer, Parkinson ou demência vascular, condições muito mais conhecidas pelo público geral. Essa confusão tem um custo humano alto: pacientes que poderiam se recuperar seguem sem o diagnóstico correto por meses ou até anos. E é por isso que uma avaliação especializada não deve ser adiada diante de qualquer combinação dos três sintomas clássicos da HPN.
Em nosso próximo artigo, vamos explicar mais sobre o diagnóstico e o tratamento da Hidrocefalia de Pressão Normal. Para além do tratamento cirúrgico convencional, a medicina avança na busca por alternativas ainda mais seguras e acessíveis.
Uma das perspectivas mais promissoras atualmente é o sistema eShunt, uma abordagem endovascular minimamente invasiva que está sendo investigada em um ensaio clínico de fase III chamado STRIDE. Embora ainda não esteja amplamente disponível, essa tecnologia representa uma fronteira importante — especialmente para pacientes idosos com maior risco cirúrgico —, e pode transformar significativamente a forma como a HPN será tratada nos próximos anos. Continue acompanhando nosso conteúdo para saber mais!
A Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) é uma condição neurológica causada pelo acúmulo gradual de líquor nos ventrículos cerebrais, afetando principalmente pessoas acima dos 60 anos. Seus três sintomas clássicos (dificuldade para caminhar com a chamada "marcha magnética", declínio cognitivo e perda do controle da bexiga) são frequentemente confundidos com sinais de envelhecimento natural ou atribuídos erroneamente a doenças como Alzheimer, demência vascular ou Parkinson.
Esse erro diagnóstico tem um custo alto: estima-se que menos de 20% das pessoas com HPN sejam devidamente diagnosticadas. O diagnóstico exige avaliação neurológica cuidadosa, associada a exames de imagem e, frequentemente, à punção lombar. A distinção correta em relação a outras causas de demência é fundamental, porque a HPN é uma das raras formas de demência potencialmente reversível.
Diferentemente das demências neurodegenerativas, para as quais ainda não existe tratamento modificador da doença, a HPN pode ser tratada. A cirurgia de implantação de uma derivação ventricular (shunt) — que drena o excesso de líquor para o abdômen — é o tratamento de referência e, quando bem indicada, pode levar à melhora expressiva da marcha, da cognição e do controle urinário.
Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.
Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.
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