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Efgartigimode na CIDP: o que os dados de longo prazo mostram, e o que ainda não mostram

Dr Diego de Castro
05/11/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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A polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica, conhecida como CIDP, é uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca a mielina, a camada que envolve os nervos periféricos. O resultado pode ser fraqueza, perda de sensibilidade e dificuldade para caminhar ou usar as mãos, em um quadro que progride ou oscila ao longo do tempo. Por isso, novos dados sobre tratamentos que já existem merecem atenção, desde que sejam lidos com cuidado.

Por que comentar isso agora

Não há aqui uma nova aprovação nem um novo ensaio. O que há são dados de acompanhamento mais longo de um medicamento que já é usado em outros países. Vale comentar porque a CIDP costuma exigir tratamento por muito tempo, e a dúvida mais comum de quem convive com ela é se o benefício e a segurança se mantêm com os anos.

Como os dados vêm da própria fabricante, o texto separa o que foi mostrado do que ainda não dá para afirmar.

O que é o efgartigimode

O efgartigimode é um medicamento aplicado por via subcutânea que bloqueia o FcRn, um receptor que "recicla" os anticorpos do tipo IgG e os devolve à circulação. Ao bloquear esse receptor, a quantidade de IgG no sangue diminui. Na CIDP, acredita-se que parte desses anticorpos contribua para o dano aos nervos, embora isso não esteja demonstrado da mesma forma em todos os pacientes.

O medicamento já foi aprovado para CIDP nos Estados Unidos e na União Europeia, com base no estudo ADHERE. A situação regulatória varia de país para país, e a disponibilidade deve ser conversada com o neurologista.

Ilustração conceitual do FcRn e de moléculas de IgG em vesícula celular, ao lado de um corte de nervo periférico com bainhas de mielina, para explicar o mecanismo do efgartigimode na CIDP.

O que foi apresentado agora

Em setembro de 2026, a fabricante, a Argenx, apresentou no congresso AANEM/MGFA, em Orlando, dados de longo prazo dos estudos ADHERE e ADHERE+. O ADHERE+ é a fase de extensão aberta, na qual os pacientes continuam recebendo o medicamento. Segundo a fabricante, o acompanhamento se estende além de cinco anos, e a segurança observada foi consistente com a de estudos anteriores.

Principais resultados

  • Cerca de 40% dos pacientes considerados respondedores ao tratamento chegaram a uma pontuação de 0 ou 1 na escala INCAT, que mede incapacidade em braços e pernas. Isso indica pouca ou nenhuma incapacidade nessas funções.
  • Uma análise post hoc, feita depois do estudo principal, avaliou a força de preensão da mão. Segundo a apresentação, o risco de piora foi 71,5% menor com o medicamento (razão de risco de 0,285; p<0,001). Essa comparação vem da fase randomizada do ADHERE, em que parte dos pacientes continuou o medicamento e parte passou a receber placebo.
  • A força de preensão mostrou melhora mais cedo do que as escalas clínicas tradicionais, o que a torna uma medida útil para acompanhar a resposta.

Limitações: o que isso não significa

Esses resultados foram apresentados pela própria fabricante, em congresso, e esta versão ainda não é uma publicação revisada por pares. Vários pontos pedem cautela:

  • O "além de cinco anos" descreve o acompanhamento mais longo, não o tempo típico de tratamento. Não se sabe quantos pacientes chegaram a esse ponto.
  • Os 40% se referem aos respondedores, um grupo já selecionado: cerca de dois terços dos pacientes do ADHERE tiveram melhora na fase inicial. Quem não respondeu não entra nessa conta.
  • A fase de extensão é aberta, sem grupo placebo ao longo de todo o período. Pacientes que permanecem em tratamento por anos tendem a ser os que se beneficiam, o que pode tornar o resultado mais favorável do que seria para todos.
  • A análise da força de preensão é post hoc, ou seja, exploratória, e serve para gerar hipóteses, não para confirmá-las.
  • A escala INCAT mede incapacidade de braços e pernas. Ela não captura dor, fadiga ou outros aspectos da vida diária.

Também não há, nesses dados, comparação direta com outros tratamentos usados na CIDP, como imunoglobulina, corticoide ou plasmaférese. Portanto, não é possível dizer que o efgartigimode seja superior a eles.

O que isso significa na prática

Para quem convive com CIDP, o principal recado é de continuidade: os dados reforçam que o efgartigimode mantém seu perfil de eficácia e segurança em parte dos pacientes acompanhados por mais tempo. Eles não indicam que todos terão o mesmo resultado, nem que o medicamento deva substituir os tratamentos atuais. A escolha da terapia continua dependendo do quadro clínico, do histórico de tratamento e da avaliação do neurologista.

Além do tratamento medicamentoso, o acompanhamento regular com o neurologista e, quando indicado, a reabilitação com fisioterapia são parte do cuidado da CIDP. Manter-se ativo dentro dos limites de cada pessoa também costuma ser incentivado. Isso não é conclusão deste estudo e não substitui a avaliação médica.

Em resumo

Os dados de longo prazo apresentados pela Argenx indicam que o efgartigimode segue mostrando benefício funcional em parte dos pacientes com CIDP, com segurança consistente com a de estudos anteriores. Mas vêm da fabricante, ainda não foram revisados por pares, descrevem sobretudo respondedores e incluem análises exploratórias. São um sinal encorajador, não uma prova de superioridade a longo prazo.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologisa - Tratamento da Polineuropatia Inflamatória Crônica

Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.

Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.

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Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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