

Resposta Rápida: A VPPB (vertigem postural paroxística benigna) é uma crise breve de vertigem, com sensação de que tudo gira, provocada por mudanças na posição da cabeça, como virar na cama. Acontece quando pequenos cristais de cálcio do ouvido interno se soltam e entram nos canais do equilíbrio. O diagnóstico é clínico, com o teste de Dix-Hallpike, e o tratamento é feito com manobras de reposicionamento, como a de Epley.
Você deita, vira para o lado e o quarto gira. Em menos de um minuto a sensação passa, mas deixa enjoo, medo de repetir o movimento e a dúvida sobre o que está acontecendo. Esse é o retrato clássico da VPPB, uma das causas mais comuns de vertigem ao mexer a cabeça, e ela tem tratamento.
Neste artigo, Dr. Diego de Castro, neurologista e neurofisiologista pela USP, explica o que é a VPPB, como ela é diagnosticada e como funciona a manobra que costuma resolver o problema.
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Segundo a Mayo Clinic, VPPB é um distúrbio do equilíbrio que causa episódios súbitos de tontura, incluindo a sensação de giro (vertigem), desencadeados por mudanças na posição da cabeça. Também é chamada de vertigem posicional paroxística benigna. “Paroxística” quer dizer que vem em crises curtas, e “benigna” indica que, em geral, não é uma doença grave.
A vertigem da VPPB é uma sensação intensa de rodar, que aparece em segundos ao mudar a posição da cabeça e dura em geral menos de um minuto. Os episódios costumam ser desencadeados por movimentos como:
Além do giro, é comum apresentar:
As crises podem sumir por um tempo e voltar. Por isso muita gente fica semanas convivendo com o problema sem saber o que é.
O ouvido interno guarda pequenos cristais de cálcio que ajudam o cérebro a saber a posição da sua cabeça. Quando alguns se soltam e entram em um dos canais semicirculares, eles se movem a cada mudança de posição e enviam ao cérebro um sinal falso de movimento. O resultado é a vertigem, mesmo com o corpo parado. O canal mais afetado é o posterior, seguido do horizontal, conforme o StatPearls.
Qualquer pessoa pode ter VPPB, mas alguns fatores aumentam a chance. De acordo com a Mayo Clinic:
Em muitos casos, nenhuma causa é encontrada. Mais raramente, a VPPB aparece depois de cirurgia no ouvido ou de longos períodos deitado de costas, como em repouso prolongado.
O diagnóstico da VPPB é clínico: parte da história das crises e se confirma ao reproduzir a vertigem no consultório com manobras de posição. Em geral, não é necessário exame de imagem.
No teste de Dix-Hallpike, você começa sentado e é deitado rapidamente de costas, com a cabeça virada cerca de 45 graus para um lado. O médico observa seus olhos. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia orienta diagnosticar a VPPB do canal posterior quando esse movimento provoca vertigem com um padrão característico de movimento dos olhos. Se o resultado mostra movimento horizontal ou nenhum, o médico pode fazer o teste com rotação da cabeça deitada (supine roll test), que avalia o canal horizontal.
O teste pode provocar a vertigem de propósito. É desconfortável por alguns segundos, mas faz parte da confirmação do diagnóstico.

Na maioria dos casos, não. A mesma diretriz recomenda não pedir exame de imagem quando a pessoa preenche os critérios de VPPB e não tem outros sinais que fujam do quadro. A ressonância entra na investigação quando há suspeita de outra causa.
Nem toda vertigem vem do ouvido. O neurologista precisa descartar causas centrais, ou seja, do cérebro, como o AVC. A Mayo Clinic orienta procurar atendimento imediato se a tontura vier acompanhada de:
Outras causas, como a labirintite e as emoções, também entram no diagnóstico diferencial. A tontura que não vem em crises curtas ao mexer a cabeça pede outro raciocínio clínico.
O tratamento da VPPB é feito com manobras de reposicionamento, que levam os cristais de volta ao lugar onde não causam sintomas. Elas podem ser realizadas por médicos, como otorrinolaringologistas e neurologistas, ou por fisioterapeutas treinados em reabilitação vestibular.
A manobra é feita no consultório e, em muitos casos, uma ou duas sessões bastam para a melhora. Algumas pessoas precisam repetir o procedimento, e a vertigem pode voltar mais tarde. Por isso, o profissional costuma reavaliar o paciente após o tratamento, e quem tem novos episódios deve procurar atendimento para repetir a manobra.

A manobra de Epley é uma sequência de mudanças de posição da cabeça e do corpo, conduzida por um profissional, que guia os cristais para fora do canal afetado. O StatPearls a descreve como um procedimento de baixo custo e não invasivo. Há outras manobras, escolhidas conforme o canal e o lado acometidos.
O ideal é que o diagnóstico e a manobra sejam feitos por um profissional. A manobra depende de saber qual canal e qual lado estão afetados, e fazê-la errado pode piorar a tontura. Se a vertigem for de outra origem, você perde tempo de investigação.
Remédios podem aliviar a náusea, mas não tratam a causa da VPPB. A diretriz americana recomenda contra o uso de rotina de antialérgicos e benzodiazepínicos como tratamento da VPPB. Quem define se algum remédio faz sentido no seu caso é o médico.
A VPPB tem tratamento eficaz, mas pode voltar. Ter menos de 40 anos e pouco tempo de crises antes do tratamento são fatores de melhor prognóstico. Se a vertigem voltar, a manobra pode ser repetida.
O maior risco prático da VPPB é a queda, por causa do desequilíbrio. Alguns cuidados ajudam:
Vertigem ao deitar e virar na cama é sempre VPPB?
Não. É o sintoma mais típico da VPPB, mas outras causas, inclusive neurológicas, podem provocar vertigem. Quando a tontura é constante, dura mais que alguns minutos ou vem com fraqueza, fala enrolada, visão dupla ou dor de cabeça forte, a investigação precisa ir além do ouvido.
A VPPB passa sozinha?
Pode melhorar sozinha, mas as crises podem sumir por um tempo e voltar. A diretriz americana admite a observação com acompanhamento como opção inicial, mas a manobra costuma acelerar a melhora. A decisão é do médico.
Quanto tempo dura uma crise de VPPB?
Em geral, menos de um minuto. A sensação de desequilíbrio e o enjoo podem durar um pouco mais.
Preciso ficar de repouso depois da manobra de Epley?
Não há necessidade de restrições de postura. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia faz uma forte recomendação contra elas depois da manobra no canal posterior. Siga a orientação do profissional que fez o procedimento.
Quem trata a VPPB: neurologista ou otorrinolaringologista?
Os dois podem diagnosticar e tratar. O neurologista é importante quando há dúvida sobre a origem da vertigem, quando surgem sinais de alerta ou quando as crises não respondem como esperado.
A VPPB causa crises curtas de vertigem ao mudar a posição da cabeça, como ao virar na cama, por cristais deslocados no ouvido interno. O diagnóstico é clínico, feito com o teste de Dix-Hallpike, e o tratamento por manobras de reposicionamento, como a de Epley, resolve a maior parte dos casos. A condição pode voltar, e sinais como fraqueza, dificuldade para falar ou dor de cabeça intensa pedem avaliação imediata.
Se a tontura atrapalha seu sono, sua rotina ou sua segurança, identificar a causa é o caminho para recuperar a confiança nos próprios movimentos. Uma avaliação neurológica define se é VPPB e qual manobra se aplica ao seu caso.
Dr. Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP, especializado em condições neurológicas que causam sintomas como tontura.
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