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Causas da Esclerose Múltipla

Dr Diego de Castro
05/06/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Segundo a U.S. National Library of Medicine, a esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica imuno-mediada que afeta o sistema nervoso central, danificando a bainha de mielina, o material que envolve e protege as células nervosas. Ela pode afetar o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos, causando problemas de visão, equilíbrio, controle muscular e outras funções do corpo.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre as causas da Esclerose Múltipla.

Como a Esclerose Múltipla se Desenvolve

Conforme a Multiple Sclerosis Australia, a Esclerose Múltipla é uma doença autoimune. Em outras palavras, o sistema imunológico, que normalmente protege seu corpo de agentes que podem causar doenças, sofre uma espécie de desregulação e começa a atacar partes saudáveis do organismo.

Estudos recentes reforçam que a esclerose múltipla resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, com destaque crescente para a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), hoje considerada um dos achados mais consistentes na etiologia da doença.

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca e danifica erroneamente a mielina, uma camada protetora ao redor das células nervosas, composta por um material gorduroso. A mielina é importante para que as mensagens elétricas que o cérebro envia para o resto do corpo viajem de forma rápida e eficiente.

À medida que a mielina se quebra (processo chamado de desmielinização) durante um ataque do sistema imunológico, o cérebro não consegue enviar sinais nervosos para outras partes do corpo, resultando em uma série de sintomas.

Processo de Desmielinização
Processo de Desmielinização

Causas da Esclerose Múltipla

A Multiple Sclerosis Society explica que o processo autoimune parece ser desencadeado pela combinação de suscetibilidade genética e exposições ambientais ao longo da vida. Entre os fatores mais estudados estão a infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr, tabagismo, baixa exposição solar/baixa vitamina D, obesidade na adolescência e alguns fatores geográficos e ambientais.

Os fatores de risco para Esclerose Múltipla são muito comuns, e milhares de pessoas são expostas a eles todos os dias. Mas apenas uma pequena fração realmente desenvolve a doença.

Por este motivo, acredita-se que diferentes fatores precisem se unir para desencadear a Esclerose Múltipla. Entre os principais fatores que podem estar envolvidos no desenvolvimento da doença, estão:

Fatores Genéticos

A esclerose múltipla não é herdada diretamente de pai para filho e não há um único gene que cause a doença. Já foram identificados mais de 200 genes que podem afetar a chance de ter esclerose múltipla, mas os fatores genéticos são apenas parte da história.

A esclerose múltipla pode acontecer mais de uma vez na mesma família, mas é mais provável que isso não aconteça. Há apenas cerca de 1,5% de chance de desenvolver esclerose múltipla de forma herdada.

Fatores Infecciosos

Conforme a National Organization for Rare Disorders, muitos vírus e bactérias estão sendo investigados para determinar se estão envolvidos no desenvolvimento da esclerose múltipla. Entre os agentes mais estudados, o vírus Epstein-Barr tem o maior peso nas evidências recentes e é hoje considerado um dos principais candidatos a gatilho da doença em pessoas suscetíveis.

Fatores Ambientais

Embora a causa da EM não seja conhecida, conforme os estudos avançam, mais está sendo aprendido sobre fatores ambientais que contribuem para o risco. Por exemplo:

Exposição ao Sol e Níveis de Vitamina D

Evidências crescentes sugerem que baixos níveis de vitamina D desempenham um papel importante no risco para o desenvolvimento de EM.

Alguns pesquisadores acreditam que a exposição solar (a fonte natural de Vitamina D) pode ajudar a explicar a distribuição norte-sul da doença.

Pessoas que vivem mais perto do Equador estão expostas a maiores quantidades de luz solar durante todo o ano. Como resultado, eles tendem a ter níveis mais elevados de vitamina D produzida naturalmente, o que promove uma boa função imunológica e pode ajudar a proteger contra doenças imuno-mediadas como a EM.

Poluição do Ar

Acredita-se que a poluição do ar pode aumentar o risco de condições autoimunes como a EM, promovendo inflamação e estresse oxidativo no corpo.

No entanto, mais pesquisas precisam ser realizadas para compreendermos o papel da poluição do ar no risco de EM.

Solventes Orgânicos

Solventes orgânicos, como benzeno e tetracloroetileno, são produtos químicos que podem estar presentes em produtos como tintas, adesivos e lacas.

Acredita-se que alta exposição a esses produtos químicos promova inflamação, potencialmente interagindo com outros fatores de risco de EM para aumentar o risco.

Fatores do Estilo de Vida

Tabagismo

Informações da National Multiple Sclerosis Society apontam que é mais provável ter esclerose múltipla quando uma pessoa fuma, pois os produtos químicos na fumaça do cigarro afetam o sistema imunológico. O risco é ainda maior em pessoas com esclerose múltipla na família, estando associado até mesmo ao tabagismo passivo.

Pessoas com esclerose múltipla recidiva que param de fumar podem diminuir a velocidade com que a doença evolui para esclerose múltipla progressiva secundária.

Obesidade

Estudos já demonstraram que a esclerose múltipla pode estar relacionada ao excesso de peso. As explicações para isto são os baixos níveis de vitamina D, que é comum em pessoas obesas e o fato de que a obesidade pode tornar o sistema imunológico hiperativo e causar inflamação.

Estresse

Algumas pessoas desenvolvem esclerose múltipla como resultado direto de algum evento ou trauma estressante. As evidências dessa conexão ainda estão sendo investigadas. Alguns estudos veem um efeito, enquanto outros não.

O tipo de personalidade parece ser mais relevante do que a quantidade ou tipo de estresse na determinação do efeito sobre sua saúde.

Principais Fatores de Risco

Segundo o NHS, outros fatores podem aumentar as possibilidades de desenvolver esclerose múltipla. Entre eles, podemos citar:

  • Idade. Pode ocorrer em qualquer idade, mas inicia geralmente em torno de 20 e 40 anos de idade
  • Sexo. As mulheres têm de duas a três vezes mais chances que os homens de ter esclerose múltipla
  • Raça. Percebemos um risco aumentado em pessoas de raça branca, particularmente de ascendência norte-europeia. Por outro lado, pessoas de ascendência asiática, africana ou nativa americana têm demonstrado uma menor incidência
  • Certas doenças autoimunes. Você tem um risco ligeiramente maior de desenvolver EM se tiver outras doenças autoimunes, como doença da tireoide, anemia perniciosa, psoríase, diabetes tipo 1 ou doença inflamatória intestinal.

Você pode até se perguntar se fez algo para causar o desenvolvimento da esclerose múltipla ou se poderia ter impedido que ela acontecesse com você. A resposta é "não".

Será preciso muito mais pesquisa para descobrir como estes fatores relacionam-se entre si para levar ao desenvolvimento da doença e, em seguida, utilizar esse conhecimento para prevenir a a doença. Assista ao vídeo abaixo e saiba mais sobre a esclerose múltipla.

Perguntas Frequentes

  • A Esclerose Múltipla é hereditária?
    • Não de forma direta. A EM não segue um padrão de herança simples como outras doenças genéticas. Não existe um único gene responsável pela doença. O que existe é uma combinação de mais de 200 variantes genéticas que podem aumentar a suscetibilidade. A chance de desenvolver EM por herança familiar é de aproximadamente 1,5%, segundo dados da Multiple Sclerosis Society. Ou seja, mesmo tendo um familiar com a doença, a maioria das pessoas não a desenvolve.
  • Vírus podem causar Esclerose Múltipla?
    • A relação entre infecções virais e a EM é um dos campos mais investigados atualmente. Vírus como o Epstein-Barr (EBV), causador da mononucleose, o herpes humano-6 e o varicella zoster estão entre os agentes com maior evidência de envolvimento. Isso não significa que quem teve mononucleose vai desenvolver EM — mas que esse histórico é um fator que merece atenção clínica.
  • Estilo de vida influencia no risco de desenvolver Esclerose Múltipla?
    • Sim, e de maneira bastante concreta. O tabagismo, por exemplo, aumenta o risco de EM e, em pessoas que já têm a doença, acelera a progressão para formas mais graves. A obesidade também aparece como fator de risco, tanto pelos baixos níveis de vitamina D quanto pela inflamação sistêmica que provoca. O estresse também está sendo investigado, embora as evidências ainda sejam inconsistentes.
  • Quem tem mais risco de desenvolver Esclerose Múltipla?
    • A EM acomete com mais frequência mulheres entre 20 e 40 anos, de ascendência norte-europeia. Pessoas com outras doenças autoimunes também apresentam risco ligeiramente aumentado. A distribuição geográfica da doença é outro dado relevante: populações que vivem mais distantes do Equador, com menor exposição solar e, consequentemente, menores níveis de vitamina D, têm maior incidência de EM.
  • É possível prevenir a Esclerose Múltipla?
    • Ainda não existe uma forma comprovada de prevenção. A esclerose múltipla resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos que a ciência ainda está mapeando. O que se sabe é que alguns hábitos, como parar de fumar, manter um peso saudável e garantir níveis adequados de vitamina D, podem reduzir fatores de risco modificáveis. Mas nenhum desses cuidados elimina o risco por completo. Ninguém desenvolve EM por escolha, e nenhum paciente poderia ter impedido o diagnóstico sozinho.

Em Resumo

A esclerose múltipla é uma doença complexa, multifatorial e ainda cercada de muitas perguntas sem resposta definitiva. O que a ciência já sabe é que genética, histórico infeccioso, fatores ambientais e hábitos de vida se combinam de formas diferentes em cada pessoa, o que torna cada caso único e exige uma avaliação neurológica individualizada e criteriosa.

Ainda há muito a ser esclarecido sobre como fatores genéticos, infecciosos e ambientais se combinam para desencadear a esclerose múltipla, mas o avanço de biomarcadores, critérios diagnósticos e estudos sobre o EBV tem aproximado a medicina de um diagnóstico mais precoce e de uma estratificação de risco mais precisa.

Identificar a doença precocemente é o que abre caminho para um tratamento eficaz, capaz de retardar a progressão e preservar a qualidade de vida. Se você percebe sintomas como alterações visuais, fraqueza muscular, formigamentos ou desequilíbrio, buscar avaliação com um neurologista especializado é uma atitude responsável com a sua saúde e o ponto de partida para entender o que está acontecendo no seu sistema nervoso.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.

Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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