

Segundo a U.S. National Library of Medicine, a esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica imuno-mediada que afeta o sistema nervoso central, danificando a bainha de mielina, o material que envolve e protege as células nervosas. Ela pode afetar o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos, causando problemas de visão, equilíbrio, controle muscular e outras funções do corpo.
Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre as causas da Esclerose Múltipla.
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Conforme a Multiple Sclerosis Australia, a Esclerose Múltipla é uma doença autoimune. Em outras palavras, o sistema imunológico, que normalmente protege seu corpo de agentes que podem causar doenças, sofre uma espécie de desregulação e começa a atacar partes saudáveis do organismo.
Estudos recentes reforçam que a esclerose múltipla resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, com destaque crescente para a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), hoje considerada um dos achados mais consistentes na etiologia da doença.
Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca e danifica erroneamente a mielina, uma camada protetora ao redor das células nervosas, composta por um material gorduroso. A mielina é importante para que as mensagens elétricas que o cérebro envia para o resto do corpo viajem de forma rápida e eficiente.
À medida que a mielina se quebra (processo chamado de desmielinização) durante um ataque do sistema imunológico, o cérebro não consegue enviar sinais nervosos para outras partes do corpo, resultando em uma série de sintomas.

A Multiple Sclerosis Society explica que o processo autoimune parece ser desencadeado pela combinação de suscetibilidade genética e exposições ambientais ao longo da vida. Entre os fatores mais estudados estão a infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr, tabagismo, baixa exposição solar/baixa vitamina D, obesidade na adolescência e alguns fatores geográficos e ambientais.
Os fatores de risco para Esclerose Múltipla são muito comuns, e milhares de pessoas são expostas a eles todos os dias. Mas apenas uma pequena fração realmente desenvolve a doença.
Por este motivo, acredita-se que diferentes fatores precisem se unir para desencadear a Esclerose Múltipla. Entre os principais fatores que podem estar envolvidos no desenvolvimento da doença, estão:
A esclerose múltipla não é herdada diretamente de pai para filho e não há um único gene que cause a doença. Já foram identificados mais de 200 genes que podem afetar a chance de ter esclerose múltipla, mas os fatores genéticos são apenas parte da história.
A esclerose múltipla pode acontecer mais de uma vez na mesma família, mas é mais provável que isso não aconteça. Há apenas cerca de 1,5% de chance de desenvolver esclerose múltipla de forma herdada.
Conforme a National Organization for Rare Disorders, muitos vírus e bactérias estão sendo investigados para determinar se estão envolvidos no desenvolvimento da esclerose múltipla. Entre os agentes mais estudados, o vírus Epstein-Barr tem o maior peso nas evidências recentes e é hoje considerado um dos principais candidatos a gatilho da doença em pessoas suscetíveis.
Embora a causa da EM não seja conhecida, conforme os estudos avançam, mais está sendo aprendido sobre fatores ambientais que contribuem para o risco. Por exemplo:
Evidências crescentes sugerem que baixos níveis de vitamina D desempenham um papel importante no risco para o desenvolvimento de EM.
Alguns pesquisadores acreditam que a exposição solar (a fonte natural de Vitamina D) pode ajudar a explicar a distribuição norte-sul da doença.
Pessoas que vivem mais perto do Equador estão expostas a maiores quantidades de luz solar durante todo o ano. Como resultado, eles tendem a ter níveis mais elevados de vitamina D produzida naturalmente, o que promove uma boa função imunológica e pode ajudar a proteger contra doenças imuno-mediadas como a EM.
Acredita-se que a poluição do ar pode aumentar o risco de condições autoimunes como a EM, promovendo inflamação e estresse oxidativo no corpo.
No entanto, mais pesquisas precisam ser realizadas para compreendermos o papel da poluição do ar no risco de EM.
Solventes orgânicos, como benzeno e tetracloroetileno, são produtos químicos que podem estar presentes em produtos como tintas, adesivos e lacas.
Acredita-se que alta exposição a esses produtos químicos promova inflamação, potencialmente interagindo com outros fatores de risco de EM para aumentar o risco.
Informações da National Multiple Sclerosis Society apontam que é mais provável ter esclerose múltipla quando uma pessoa fuma, pois os produtos químicos na fumaça do cigarro afetam o sistema imunológico. O risco é ainda maior em pessoas com esclerose múltipla na família, estando associado até mesmo ao tabagismo passivo.
Pessoas com esclerose múltipla recidiva que param de fumar podem diminuir a velocidade com que a doença evolui para esclerose múltipla progressiva secundária.
Estudos já demonstraram que a esclerose múltipla pode estar relacionada ao excesso de peso. As explicações para isto são os baixos níveis de vitamina D, que é comum em pessoas obesas e o fato de que a obesidade pode tornar o sistema imunológico hiperativo e causar inflamação.
Algumas pessoas desenvolvem esclerose múltipla como resultado direto de algum evento ou trauma estressante. As evidências dessa conexão ainda estão sendo investigadas. Alguns estudos veem um efeito, enquanto outros não.
O tipo de personalidade parece ser mais relevante do que a quantidade ou tipo de estresse na determinação do efeito sobre sua saúde.
Segundo o NHS, outros fatores podem aumentar as possibilidades de desenvolver esclerose múltipla. Entre eles, podemos citar:
Você pode até se perguntar se fez algo para causar o desenvolvimento da esclerose múltipla ou se poderia ter impedido que ela acontecesse com você. A resposta é "não".
Será preciso muito mais pesquisa para descobrir como estes fatores relacionam-se entre si para levar ao desenvolvimento da doença e, em seguida, utilizar esse conhecimento para prevenir a a doença. Assista ao vídeo abaixo e saiba mais sobre a esclerose múltipla.
A esclerose múltipla é uma doença complexa, multifatorial e ainda cercada de muitas perguntas sem resposta definitiva. O que a ciência já sabe é que genética, histórico infeccioso, fatores ambientais e hábitos de vida se combinam de formas diferentes em cada pessoa, o que torna cada caso único e exige uma avaliação neurológica individualizada e criteriosa.
Ainda há muito a ser esclarecido sobre como fatores genéticos, infecciosos e ambientais se combinam para desencadear a esclerose múltipla, mas o avanço de biomarcadores, critérios diagnósticos e estudos sobre o EBV tem aproximado a medicina de um diagnóstico mais precoce e de uma estratificação de risco mais precisa.
Identificar a doença precocemente é o que abre caminho para um tratamento eficaz, capaz de retardar a progressão e preservar a qualidade de vida. Se você percebe sintomas como alterações visuais, fraqueza muscular, formigamentos ou desequilíbrio, buscar avaliação com um neurologista especializado é uma atitude responsável com a sua saúde e o ponto de partida para entender o que está acontecendo no seu sistema nervoso.
Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.
Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.
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