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Inteligência artificial sugere que a enxaqueca pode ter diferentes perfis biológicos

Dr Diego de Castro
02/10/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Um estudo publicado na revista Neurology usou inteligência artificial para analisar dados gerais de saúde de milhares de pessoas e encontrou indícios de que a enxaqueca pode se dividir em perfis distintos, com características diferentes entre si. O trabalho não oferece um exame para diagnosticar a doença, mas reforça uma ideia que a neurologia vem discutindo há tempo: enxaqueca provavelmente não é uma condição única, e entender essas diferenças pode, no futuro, ajudar a personalizar o cuidado.

Por que estamos publicando isso agora

No fim de julho, mostramos aqui que a dosagem de CGRP no sangue não parece servir como marcador confiável para diagnosticar enxaqueca. Este novo estudo olha para a mesma pergunta, "como identificar e entender melhor a enxaqueca sem depender só do relato dos sintomas?", por outro caminho: em vez de um único marcador isolado, a IA combina dezenas de informações de saúde ao mesmo tempo.

Para quem convive com a doença, isso importa porque a enxaqueca é muito diferente de pessoa para pessoa, e nem todo paciente responde da mesma forma aos tratamentos. Estudos que ajudam a entender essa diversidade podem orientar pesquisas futuras sobre quem tende a se beneficiar de cada abordagem. Ao mesmo tempo, é um trabalho inicial, e por isso vale explicar o que ele mostra e o que ainda não mostra.

Contexto

Hoje, o diagnóstico de enxaqueca é clínico: baseia-se na história do paciente e nas características das crises, seguindo critérios internacionais. Não existe um exame de sangue ou de imagem que confirme a doença. Por isso, os pesquisadores buscam há anos biomarcadores e outras formas de descrever a biologia da enxaqueca.

Uma limitação dos estudos com IA nessa área é que muitos usam como informação justamente as características da dor de cabeça, que já definem o diagnóstico. Nesse caso, o modelo tende a reproduzir os critérios existentes, e não a revelar algo novo sobre a biologia da doença.

Metodologia

O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), usou dados do HUNT, um grande estudo de saúde da população da região de Trøndelag, na Noruega. Segundo a cobertura do Migraine Science Collaborative, que também ouviu os autores, o trabalho teve duas etapas.

Na primeira, modelos de aprendizado de máquina foram treinados com mais de 60 informações de saúde sem relação direta com dor de cabeça, como sono, atividade física, dores musculares e articulares, pressão arterial e sintomas digestivos, em cerca de 43 mil pessoas. A tarefa era distinguir quem tinha enxaqueca de quem não tinha dor de cabeça.

Na segunda, mais de 12 mil pessoas com algum tipo de dor de cabeça foram agrupadas pela IA de acordo com suas características, para verificar se surgiam subgrupos naturais.

Principais achados

O modelo conseguiu separar pessoas com enxaqueca das sem dor de cabeça com um desempenho considerado bom para esse tipo de ferramenta, mesmo sem usar nenhuma informação sobre a dor em si. Acrescentar dados genéticos melhorou muito pouco o resultado, o que sugere que as informações clínicas gerais já capturam boa parte do que o modelo precisava. Entre os fatores mais informativos estavam idade, características ligadas ao sexo, dor no pescoço e náusea.

Na etapa seguinte, a IA identificou um grupo de pessoas em que a grande maioria tinha enxaqueca. Dentro dele, as características da dor de cabeça não bastaram para separar subtipos. Quando os pesquisadores usaram as informações gerais de saúde mais importantes do primeiro modelo, surgiram quatro subgrupos:

  • Um grupo formado apenas por homens.
  • Mulheres com dor cervical (no pescoço) proeminente, sem sintomas digestivos gerais, o que os autores associam a um possível componente cervical.
  • Mulheres com dor musculoesquelética generalizada, pior percepção da própria saúde e mais ansiedade e depressão.
  • Mulheres com dor pulsátil e menos ansiedade e depressão, perfil mais próximo da enxaqueca considerada "clássica".

Esses subgrupos também diferiram em escores de risco genético calculados por aprendizado de máquina, que os separaram melhor do que os escores genéticos convencionais. Isso sugere que efeitos genéticos mais complexos podem estar envolvidos, embora essa seja uma pista, e não uma conclusão.

Infográfico em que variáveis gerais de saúde convergem para uma rede neural central, que se ramifica em quatro grupos coloridos de silhuetas humanas, representando os quatro subgrupos de enxaqueca identificados por inteligência artificial.

O que isso significa para os pacientes?

Por enquanto, o estudo não muda a forma de diagnosticar nem de tratar a enxaqueca. Os próprios autores e os especialistas que comentaram o trabalho ressaltam que ainda não se sabe se esses subgrupos diferem em prognóstico, risco de a enxaqueca se tornar crônica, grau de incapacidade ou resposta aos medicamentos. Também não se sabe se os resultados se repetem em outras populações.

O estudo tem limitações importantes: os dados foram coletados entre 1995 e 2008, dependem de informações relatadas pelos próprios participantes e usam uma plataforma genética mais antiga.

O que o trabalho oferece é uma pista de que a enxaqueca pode ser mais bem entendida como um espectro de condições, e não como uma doença única. Se você convive com enxaqueca, o caminho continua sendo o acompanhamento com um neurologista, que avalia seu caso individualmente.

Próximos passos

Os pesquisadores afirmam que continuam a usar aprendizado de máquina para estudar a enxaqueca, cruzando dados de saúde ao longo de décadas, e que já testam a abordagem em um estudo clínico com cerca de 200 pacientes para verificar se ela ajuda a prever qual medicamento funciona melhor para cada pessoa. Para que algo disso chegue ao consultório, será preciso confirmar os achados em outros grupos e mostrar, com estudos futuros, que os subgrupos têm utilidade prática.

Em resumo

Um estudo publicado na Neurology usou IA com dados gerais de saúde de milhares de pessoas e sugeriu que a enxaqueca pode se dividir em quatro perfis com características diferentes. É um resultado promissor para a pesquisa, mas ainda inicial: não é um exame de diagnóstico, e ainda não se sabe se esses perfis ajudarão a escolher tratamentos.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro trabalha juntamente com cada um de seus pacientes que apresenta algum tipo de dor crônica, com estratégias que ajudem a melhorar sua função e minimizar sua necessidade de medicamentos.

Entendemos que a dor de cada paciente é única. Por isso, abordamos planos de tratamento individualizados, porém abrangentes de gerenciamento da dor.

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Neurologista Especializado em Enxaqueca - Tratamento de Enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES

Dr Diego de Castro Neurologista pela USP, tratamento especializado para casos graves de enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES, por meio de aplicação de toxina botulínica, bloqueio de nervo occipital e novos tratamentos para enxaqueca.

Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 - Enseada do Suá, Vitória - ES, 29050-911

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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