

A toxina botulínica tipo A é, há mais de uma década, um dos principais recursos preventivos para a enxaqueca crônica. Um novo estudo sueco, em vez de olhar apenas para a frequência das crises, usou exames neurofisiológicos detalhados para investigar o que acontece com os músculos e os nervos de quem faz uso prolongado do medicamento — inclusive em pacientes que não relatam nenhum sintoma.
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A toxina botulínica é amplamente utilizada e segue sendo uma opção eficaz para enxaqueca crônica — isso o estudo confirma novamente. Mas ele também traz um dado que merece atenção de quem está em tratamento há anos: a maioria das pacientes tratadas por período prolongado relata algum efeito colateral neuromuscular, e exames de eletroneuromiografia detectam alterações sutis mesmo em quem não sente nada.
Esse é o tipo de informação que ajuda pacientes e médicos a conversar melhor sobre acompanhamento a longo prazo, sem que isso signifique abandonar um tratamento que funciona.
Segundo a Mayo Clinic, a toxina botulínica tipo A age bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, a região onde o nervo transmite o comando ao músculo. Esse bloqueio provoca um relaxamento muscular localizado e, quando aplicado nos pontos certos, tem efeito reconhecido na prevenção da enxaqueca crônica desde os estudos PREEMPT, que embasaram sua aprovação em 2010.
Na enxaqueca crônica, o protocolo padrão recomendado por diretrizes internacionais prevê aplicações repetidas a cada 12 semanas, com dose fixa distribuída por cerca de 31 pontos de injeção em sete grupos musculares da cabeça e do pescoço. O efeito clínico visível costuma durar de três a quatro meses, mas estudos anteriores já sugeriam que alterações neurofisiológicas nos músculos injetados — e mesmo em músculos vizinhos não injetados — podem persistir por mais tempo do que esse efeito percebido. O que faltava era um retrato mais detalhado de como isso evolui ao longo de anos de tratamento contínuo.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Uppsala (Suécia) e publicado na revista Clinical Neurophysiology Practice, acompanhou 40 mulheres com enxaqueca crônica, divididas em quatro grupos conforme o tempo de exposição à toxina botulínica: sem tratamento prévio, cerca de 1 ano, entre 2 e 5 anos, e mais de 5 anos de uso contínuo.
Todas as pacientes seguiam o protocolo padrão de aplicação a cada 12 semanas. Durante um ciclo de tratamento, foram realizadas avaliações neurofisiológicas — incluindo estudo da condução nervosa motora (com medida do CMAP, a resposta elétrica do músculo), eletromiografia quantitativa, análise de jitter (que mede a estabilidade da transmissão entre nervo e músculo) e reflexo de piscar — além da dosagem sérica de dois biomarcadores associados a lesão neural: neurofilamento de cadeia leve (NfL) e proteína glial fibrilar ácida (GFAP).
É importante destacar dois limites do desenho do estudo: por ser observacional, ele não permite afirmar relação de causa e efeito, e as avaliações neurofisiológicas foram feitas dentro de um único ciclo de tratamento — não ao longo de vários anos na mesma paciente.
A toxina botulínica reduziu de forma estatisticamente significativa o número de dias de enxaqueca, com benefício mantido nos diferentes grupos de tempo de tratamento.
Mas os achados neurofisiológicos chamam atenção para outros dois planos, que devem ser lidos separadamente:
Efeitos relatados pelas próprias pacientes. Entre as tratadas há um ano ou mais, 75% relataram algum efeito colateral neuromuscular perceptível — os mais comuns foram ptose (pálpebra caída), fraqueza no ombro, diplopia (visão dupla) e dificuldade para engolir ou mastigar. Entre as que nunca haviam sido tratadas, apenas 10% relataram algo semelhante.
Alterações detectadas apenas em exame, sem sintoma percebido. Independentemente dos sintomas relatados, os exames neurofisiológicos mostraram:
Os próprios autores fazem uma ressalva importante: o estudo não demonstra que essas alterações neurofisiológicas causem, isoladamente, fraqueza muscular incapacitante — isso permanece uma questão em aberto, a ser respondida por estudos maiores e com seguimento mais longo. O achado central é que a toxina botulínica parece deixar "marcas" mensuráveis no músculo e no nervo que vão além do período em que o efeito terapêutico é sentido, e que isso se acumula com o tempo de uso, principalmente no trapézio.
Para quem já usa toxina botulínica para enxaqueca crônica com bons resultados, este estudo não é motivo para suspender o tratamento. A eficácia na redução das crises foi, mais uma vez, confirmada.
O que a pesquisa sugere é a importância de um diálogo mais aberto com o médico sobre efeitos colaterais neuromusculares, especialmente após anos de aplicações consecutivas. Sintomas como fraqueza de ombro, queda de pálpebra ou dificuldade para engolir não devem ser encarados como "normais" ou automaticamente ignorados — vale relatá-los na consulta.
Os próprios pesquisadores apontam que a incorporação de avaliação neurofisiológica periódica pode ter valor no acompanhamento de pacientes em uso prolongado, sobretudo quando altas doses são usadas ou quando a aplicação envolve músculos do pescoço e da face.
Vale reforçar: o estudo foi feito apenas com mulheres e em uma amostra pequena (40 participantes), o que limita a generalização dos resultados para todos os perfis de pacientes.
Os autores apontam a necessidade de estudos maiores, com participantes de ambos os sexos, acompanhamento por múltiplos ciclos de tratamento ao longo dos anos — e não apenas um — e avaliação do que acontece após a eventual interrupção da toxina botulínica. Também sugerem que exames de imagem, como ultrassom ou ressonância muscular, poderiam ajudar a entender melhor se essas alterações são reversíveis e qual o real significado clínico delas a longo prazo.
Um novo estudo sueco confirmou que a toxina botulínica continua eficaz na redução dos dias de enxaqueca em pacientes com enxaqueca crônica, inclusive com maior benefício entre quem trata há mais tempo. Ao mesmo tempo, mostrou que o uso prolongado está associado a dois fenômenos distintos: efeitos colaterais neuromusculares relatados por 75% das pacientes tratadas há um ano ou mais (como ptose, fraqueza de ombro e diplopia), e alterações neurofisiológicas sutis — detectáveis apenas em exame — que se acumulam com os anos de tratamento, principalmente no músculo trapézio.
Os achados não indicam que o tratamento deva ser interrompido, mas reforçam a importância do acompanhamento clínico e, possivelmente, neurofisiológico periódico em quem faz uso prolongado da medicação.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro trabalha juntamente com cada um de seus pacientes que apresenta algum tipo de dor crônica, com estratégias que ajudem a melhorar sua função e minimizar sua necessidade de medicamentos.
Entendemos que a dor de cada paciente é única. Por isso, abordamos planos de tratamento individualizados, porém abrangentes de gerenciamento da dor.
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Dr Diego de Castro Neurologista pela USP, tratamento especializado para casos graves de enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES, por meio de aplicação de toxina botulínica, bloqueio de nervo occipital e novos tratamentos para enxaqueca.
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