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Bocunebart: resultados positivos em estudo de fase 2b na prevenção da enxaqueca

Dr Diego de Castro
11/08/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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O Medicamento experimental bocunebart, também conhecido pelo código Lu AG09222, é um anticorpo monoclonal experimental que atua sobre o PACAP, um neuropeptídeo envolvido nos mecanismos de dor e na fisiopatologia da enxaqueca. Apesar de ainda não estar aprovado para uso clínico, em estudo de fase 2b, atingiu seu principal objetivo de eficácia na prevenção da enxaqueca: reduziu os dias mensais de crises.

A busca por terapias mais eficazes e com menos efeitos colaterais para enxaqueca é contínua, e esta pode ser uma notícia encorajadora no desenvolvimento de novas opções de tratamento.

O Papel do PACAP na Enxaqueca

O PACAP, sigla em inglês para pituitary adenylate cyclase-activating polypeptide, é um neuropeptídeo encontrado no sistema nervoso e envolvido na modulação da dor, na dilatação dos vasos sanguíneos e na transmissão de sinais relacionados à enxaqueca.

Estudos anteriores mostraram que a administração de PACAP pode desencadear sintomas semelhantes aos de uma crise de enxaqueca em algumas pessoas. Por isso, bloquear essa via passou a ser investigado como uma possível estratégia para prevenir as crises.

Como o Bocunebart Age

O bocunebart age ligando-se ao PACAP e neutralizando sua atividade. Dessa forma, o medicamento busca interromper parte da cascata de eventos associada à ativação e à manutenção da dor da enxaqueca.

A molécula pertence a uma abordagem diferente da utilizada pelos anticorpos monoclonais dirigidos ao CGRP. Essa característica pode ser particularmente relevante para pessoas que não respondem adequadamente aos tratamentos preventivos disponíveis ou que precisam de alternativas terapêuticas.

Diagrama ilustrando o mecanismo de ação do Bocunebart, com moléculas de PACAP sendo interceptadas por anticorpos anti-PACAP antes de se ligarem aos receptores, bloqueando a transmissão do sinal de dor da enxaqueca.

Resultados do estudo de fase 2b

Os resultados mais recentes vêm do estudo clínico PROCEED, um ensaio de fase 2b que avaliou diferentes doses intravenosas de bocunebart em adultos com enxaqueca e histórico de falha de tratamentos preventivos anteriores.

O endpoint primário foi a mudança no número mensal de dias de enxaqueca entre as semanas 1 e 12. Na análise divulgada, uma das doses avaliadas apresentou resultado estatisticamente superior ao placebo:

Em média, os participantes que receberam bocunebart tiveram 1,38 dia de enxaqueca a menos por mês do que aqueles que receberam placebo. Essa diferença foi considerada estatisticamente significativa, pois a probabilidade de obter um resultado igual ou mais extremo apenas pelo acaso foi estimada em 1,78%.

Com esses dados, a parte intravenosa do estudo atingiu seu endpoint primário. Entretanto, as doses mais altas avaliadas apresentaram reduções numéricas em relação ao placebo, mas não alcançaram significância estatística. Por isso, os resultados devem ser interpretados como promissores, mas ainda não definitivos.

O que os resultados significam?

A resposta observada no estudo sugere que a inibição do PACAP pode reduzir a frequência da enxaqueca e reforça a possibilidade de desenvolvimento de uma nova classe de medicamentos preventivos.

O bocunebart já havia apresentado resultados positivos em um estudo de fase 2a publicado no New England Journal of Medicine. Nessa pesquisa, uma única infusão intravenosa de 750 mg reduziu os dias de enxaqueca durante as quatro semanas seguintes, em comparação com o placebo.

Ainda assim, atingir o endpoint primário não significa que o medicamento esteja pronto para ser utilizado na prática clínica. É necessário analisar outros aspectos, como a proporção de pacientes que alcançaram redução de pelo menos 50% nas crises, o impacto sobre a incapacidade causada pela doença, a duração do benefício e a segurança em longo prazo.

Também é importante considerar que a resposta ao placebo foi significativa no PROCEED. Portanto, a diferença absoluta entre os grupos deve ser avaliada em conjunto com os demais resultados clínicos.

Próximas etapas

Os dados do PROCEED foram apresentados em 2026, durante o congresso da American Headache Society. A continuidade do desenvolvimento do bocunebart dependerá da análise completa dos resultados e do planejamento de estudos posteriores, incluindo possíveis ensaios de fase 3.

Esses estudos geralmente envolvem um número maior de participantes e fornecem informações mais robustas sobre eficácia, segurança, dose ideal e consistência dos resultados em diferentes perfis de pacientes.

Até o momento, o bocunebart continua sendo um medicamento investigacional. Ele não foi aprovado pela FDA nem por outras agências regulatórias e, portanto, ainda não está disponível para prescrição ou uso rotineiro no tratamento da enxaqueca.

Uma perspectiva promissora, mas ainda inicial

Os resultados do bocunebart são relevantes porque indicam que o PACAP pode ser um alvo terapêutico válido para a prevenção da enxaqueca. A novidade é especialmente importante para pacientes que não obtêm resposta suficiente com as terapias atuais.

No entanto, ainda não é possível afirmar que o medicamento será mais eficaz ou mais seguro do que os tratamentos anti-CGRP, a toxina botulínica ou outras opções preventivas já disponíveis. Antes de uma eventual aprovação, serão necessários estudos maiores, publicação completa dos dados e avaliação pelas autoridades regulatórias.

Em resumo, o bocunebart representa uma possibilidade promissora para o futuro da prevenção da enxaqueca, mas ainda não é uma terapia aprovada ou disponível para os pacientes.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro trabalha juntamente com cada um de seus pacientes que apresenta algum tipo de dor crônica, com estratégias que ajudem a melhorar sua função e minimizar sua necessidade de medicamentos.

Entendemos que a dor de cada paciente é única. Por isso, abordamos planos de tratamento individualizados, porém abrangentes de gerenciamento da dor.

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Dr Diego de Castro Neurologista pela USP, tratamento especializado para casos graves de enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES, por meio de aplicação de toxina botulínica, bloqueio de nervo occipital e novos tratamentos para enxaqueca.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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