

Um estudo com 79 adultos com síndrome de Lennox-Gastaut, uma forma grave de epilepsia que costuma começar na infância e responde mal aos medicamentos, sugere que o canabidiol, usado como complemento ao tratamento, pode estar associado a menos crises: boa parte dos pacientes teve redução relevante ao longo de cerca de três anos e meio. O trabalho foi publicado na European Journal of Neurology e acompanhou 79 adultos com essa síndrome que usavam canabidiol como complemento ao tratamento já em andamento. Ao longo de cerca de três anos e meio, boa parte deles teve menos crises.
Como não havia grupo de comparação, os resultados indicam uma associação e não provam que o canabidiol foi a causa da melhora.
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O canabidiol para a síndrome de Lennox-Gastaut já é aprovado nos Estados Unidos e na Europa, com base em ensaios clínicos randomizados que incluíram sobretudo crianças e adolescentes. Sobre adultos, e sobre o que acontece depois do primeiro ano de uso, há bem menos informação. Este estudo ajuda a preencher essa lacuna, com a ressalva de que é uma observação da prática clínica e não um ensaio controlado. Vale comentar por isso: ele mostra como o tratamento se comporta no dia a dia de um serviço de epilepsia, sem substituir as evidências dos ensaios.
Já publicamos aqui um texto sobre canabidiol na dor neuropática crônica após lesão medular. O assunto de hoje é outro: epilepsia grave de início na infância, em adultos, com um tipo de evidência diferente.
Na síndrome de Lennox-Gastaut, as crises são frequentes e de vários tipos. Entre as mais temidas estão as "crises de queda", em que a pessoa cai de repente e pode se machucar.
Muitos pacientes já tentaram vários medicamentos antiepilépticos, e a síndrome costuma vir acompanhada de dificuldades cognitivas e de comportamento. O canabidiol purificado, em solução oral, é usado como complemento a esses medicamentos, e não como substituto.
Os pesquisadores revisaram, de forma retrospectiva, os dados de 79 adultos com a síndrome tratados com canabidiol em um único centro. As informações vieram de prontuários eletrônicos e de diários de crises padronizados, preenchidos pelos cuidadores. Retrospectivo significa que os autores olharam para trás, para registros já existentes, em vez de acompanhar os pacientes desde o início segundo um protocolo definido de antemão.
As crises foram avaliadas em três momentos: antes do início do canabidiol, aos 6 meses e no último acompanhamento. A mediana de seguimento foi de 41 meses, pouco mais de três anos. A mediana de idade dos participantes foi de 29 anos.

Para quem convive com a síndrome de Lennox-Gastaut, o estudo sugere que o canabidiol, como complemento, pode continuar associado a menos crises e a boa permanência no tratamento ao longo de vários anos, inclusive em adultos. É um dado tranquilizador, mas não uma garantia individual: a resposta varia de pessoa para pessoa.
Algumas orientações práticas, que não decorrem diretamente deste estudo e não substituem a avaliação médica:
Para confirmar esses achados, seriam necessários estudos com acompanhamento prospectivo, vários centros e, se possível, comparação com pacientes que não usam o canabidiol, com atenção específica aos adultos. Também falta entender melhor por que alguns pacientes respondem e outros não, e como a melhora cognitiva e comportamental relatada se relaciona (ou não) com as crises.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Conhece algum paciente com epilepsia? Tem dúvidas sobre o seu caso? Estamos a disposição para uma consulta clínica e avaliação.
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