

A estimulação cerebral profunda ajuda pessoas com epilepsia que não respondem aos medicamentos? Um estudo francês chamado FRANCE, publicado na revista Epilepsia, sugere que pode ajudar, mas não conseguiu mostrar que o procedimento seja melhor do que o tratamento clínico otimizado. O resultado é promissor, porém ainda não conclusivo.
Navegação pelo Artigo
Notícias sobre "cirurgia que reduz crises" costumam chegar aos pacientes e às famílias como promessa ou como decepção, e o estudo FRANCE não é nem uma coisa nem outra. Ele é um exemplo útil de como ler um resultado que parece favorável, mas que não atingiu o critério estatístico definido pelos pesquisadores.
Para quem convive com uma epilepsia difícil de controlar, entender essa diferença ajuda a conversar com o neurologista com expectativas realistas, sem descartar uma opção que pode ter valor e sem tratá-la como solução garantida.
A epilepsia é considerada resistente aos medicamentos quando as crises persistem mesmo após o uso adequado de diferentes remédios. Para parte desses pacientes, a cirurgia para retirar a área que origina as crises é possível. Para outros, não. Nesses casos, entram as terapias de neuromodulação, que buscam regular a atividade elétrica do cérebro, como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda.
Na estimulação cerebral profunda, eletrodos são implantados em uma região específica do cérebro e conectados a um dispositivo que envia estímulos elétricos de forma contínua. No caso da epilepsia, um dos alvos mais estudados é o núcleo anterior do tálamo, uma estrutura profunda que participa da rede por onde as crises podem se propagar. Esse alvo ganhou atenção depois do estudo SANTE, um ensaio duplo-cego com 110 participantes que indicou redução das crises com a estimulação.
Revisões da literatura apontam que, entre os alvos testados na epilepsia, o núcleo anterior do tálamo é o que tem a evidência mais consistente. Ainda assim, faltavam ensaios que comparassem a técnica com o melhor tratamento clínico em pessoas que já tinham esgotado outras opções, inclusive a estimulação do nervo vago. O FRANCE foi desenhado para responder a essa pergunta.
O FRANCE foi um ensaio clínico randomizado e multicêntrico, conduzido em 14 centros especializados na França. Participaram 61 adultos com epilepsia focal ou multifocal resistente, que não tinham obtido controle com medicamentos nem com a estimulação do nervo vago.
Os participantes foram sorteados para dois grupos. Um recebeu a estimulação cerebral profunda bilateral, contínua, no núcleo anterior do tálamo. O outro continuou com o melhor tratamento clínico disponível, incluindo a estimulação do nervo vago nos pacientes que já a utilizavam. O acompanhamento comparativo durou 12 meses. Depois disso, os pacientes do grupo clínico puderam receber a estimulação cerebral profunda e foram acompanhados por mais um ano.
Um ponto importante: o estudo foi aberto, ou seja, pacientes e médicos sabiam qual tratamento estava sendo usado. Como as crises são registradas em boa parte pelos próprios pacientes e familiares, esse tipo de desenho pode influenciar a percepção dos resultados e exige cautela na interpretação.

Após 12 meses, o grupo com estimulação cerebral profunda teve uma redução maior na frequência das crises mais graves do que o grupo em tratamento clínico. Cerca de 45% dos pacientes estimulados tiveram redução de pelo menos metade das crises, contra cerca de 27% no grupo clínico. No entanto, a comparação direta entre os grupos, que era o objetivo principal do estudo, não atingiu significância estatística.
Em termos práticos, isso significa que o estudo não conseguiu demonstrar que a estimulação seja superior ao melhor tratamento clínico nessa amostra.
Os próprios autores apontam duas razões possíveis: o número relativamente pequeno de participantes e uma resposta no grupo clínico maior do que a esperada, o que reduziu a diferença entre os grupos e o poder do estudo para detectá-la.
Outros achados:
O FRANCE não mostra que a estimulação cerebral profunda "não funciona", nem que "funciona melhor que tudo". Ele sugere que a técnica pode reduzir crises em uma parte das pessoas com epilepsia resistente, inclusive aquelas que já não responderam à estimulação do nervo vago, mas deixa em aberto se esse benefício supera o do melhor tratamento clínico.
Na prática:
Para esclarecer o papel da técnica, serão necessários estudos maiores, com mais participantes, e análises que ajudem a identificar quem tem mais chance de responder, assim como a definir melhor os parâmetros de estimulação. O acompanhamento mais longo, tanto da eficácia quanto da segurança, também é uma lacuna importante. Os autores concluem que o benefício observado merece investigação adicional e que a técnica pode ser considerada em casos graves e resistentes, em decisão individualizada com a equipe médica.
O estudo FRANCE avaliou a estimulação cerebral profunda do núcleo anterior do tálamo em 61 adultos com epilepsia resistente aos medicamentos e à estimulação do nervo vago. A redução das crises foi maior no grupo estimulado, e o benefício se manteve ao longo de dois anos nesse grupo, mas a diferença em relação ao melhor tratamento clínico não atingiu significância estatística, em um estudo pequeno e aberto. A leitura mais honesta é a de um resultado promissor, porém ainda não conclusivo. Qualquer decisão sobre o procedimento deve ser tomada com a equipe de um centro especializado em epilepsia.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Conhece algum paciente com epilepsia? Tem dúvidas sobre o seu caso? Estamos a disposição para uma consulta clínica e avaliação.
Gostou deste artigo? Compartilhe com um amigo! Siga-nos nas redes sociais!
Leia nossos outros artigos:
Nossos endereços para atendimento presencial:
Av. Américo Buaiz, 501 – Sala 109
Ed. Victória Office Tower Leste, Enseada do Suá, Vitória – ES, CEP: 29050-911
Telefone: (27) 99707-3433
Rua Itapeva, 518 - sala 1301 Bela Vista - São Paulo - SP, CEP: 01332-904
Telefones: (11) 3504-4304
Posts Relacionados:




