

Quem passou por uma internação grave por covid-19 pode ter problemas de memória e atenção anos depois? Um estudo que acompanhou pacientes por 36 meses sugere que isso acontece com uma parcela deles, mas não com todos: os pesquisadores identificaram quatro caminhos diferentes, de quem nunca teve alteração a quem só apresentou comprometimento mais tarde.
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O estudo foi publicado em abril de 2026, mas a pergunta que ele toca continua atual no consultório: quem teve covid-19 grave e hoje percebe esquecimentos ou dificuldade de concentração, e quem se sente bem e quer saber se pode ficar tranquilo. Além disso, boa parte do que circulou sobre o estudo veio de um comunicado da empresa que fabrica a plataforma de testes usada na pesquisa. Por isso, vale uma leitura calma, que separe o que os dados mostram do que eles ainda não conseguem responder.
Depois da fase aguda da covid-19, algumas pessoas relatam sintomas neurológicos persistentes, entre eles dificuldade de atenção, lentidão para pensar e falhas de memória. Esse conjunto costuma ser chamado de covid longa (ou Neuro-PASC, quando afeta o sistema nervoso). Quem passou por uma internação grave está entre os grupos em que essas queixas são mais descritas.
O que faltava eram estudos que acompanhassem esses pacientes por bastante tempo para mostrar como a cognição evolui: se piora, se melhora ou se permanece igual. Muitos acompanhamentos publicados são mais curtos.

Os pesquisadores, vinculados à UTHealth Houston, nos Estados Unidos, acompanharam por 36 meses 630 pacientes que haviam sido internados por covid-19 grave. A cognição foi avaliada repetidamente por uma plataforma digital chamada BrainCheck, que mede atenção, flexibilidade mental, velocidade de processamento e memória e permite repetir os testes ao longo do tempo sem exigir visitas presenciais. Depois, os pacientes foram agrupados de acordo com a evolução do desempenho nos três anos.
É um estudo observacional: ele descreve o que aconteceu com esses pacientes, mas não permite afirmar o que causou cada trajetória. A plataforma foi desenvolvida por uma empresa que também foi quem divulgou o estudo à imprensa, o que não invalida os resultados, mas é uma informação que o leitor deve conhecer.
Entre os pacientes cujas trajetórias puderam ser classificadas (cerca de 214 dos 630 acompanhados), foram identificados quatro padrões:
Somando os grupos, cerca de 6 em cada 10 pacientes estavam sem comprometimento ao final do acompanhamento, e cerca de 4 em cada 10 estavam comprometidos.
O estudo também observou desfechos piores entre pacientes de etnia hispânica em alguns domínios cognitivos. Como o desenho é observacional, ele não permite explicar o motivo dessa diferença.
Dois cuidados na leitura: o grupo com piora tardia é pequeno (14 pessoas), e os percentuais se referem a uma fração dos pacientes acompanhados, de modo que perdas de seguimento podem ter influenciado as proporções.
Para quem teve covid-19 grave, o estudo traz uma mensagem equilibrada. A maior parte dos pacientes estava sem comprometimento ao final dos três anos, e parte dos que estavam comprometidos recuperou o desempenho. Ao mesmo tempo, uma parcela relevante manteve alterações persistentes, e um grupo menor só as apresentou mais tarde.
Na prática, isso sugere que um teste normal logo após a alta não garante que tudo permanecerá assim, e que queixas novas de memória, atenção ou raciocínio meses depois merecem ser levadas à consulta, em vez de serem atribuídas apenas ao cansaço ou à idade. O comunicado que divulgou o estudo defende o monitoramento prolongado. É uma interpretação razoável, mas o estudo não testou se acompanhar esses pacientes muda a evolução deles.
Vale lembrar que dificuldades de memória e concentração têm muitas causas, como sono ruim, estresse, depressão e outras doenças, e que um teste digital não substitui a avaliação de um neurologista. Este estudo também não permite dizer que a covid-19 causou as alterações em cada paciente, nem que o mesmo valha para quem teve covid-19 leve.
Para entender melhor esses achados, serão necessários estudos que incluam grupos de comparação (por exemplo, pessoas internadas por outras causas ou que não tiveram covid-19), identifiquem fatores que antecipem cada trajetória e investiguem os mecanismos por trás da recuperação e da piora tardia. Também será importante saber se o acompanhamento regular da cognição realmente traz benefício aos pacientes.
Um acompanhamento de 36 meses de pacientes internados por covid-19 grave identificou quatro trajetórias cognitivas: estabilidade, comprometimento persistente, recuperação e piora tardia. A maior parte estava sem comprometimento ao final, mas uma parcela relevante manteve alterações, e um pequeno grupo só as desenvolveu mais tarde. O estudo é observacional, parte das informações vem de uma empresa interessada no tema e os resultados ainda precisam de confirmação, mas reforçam um ponto prático: queixas cognitivas que aparecem ou persistem depois de uma covid-19 grave merecem atenção e conversa com o médico.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e se dedica integralmente ao universo do diagnóstico e assistência.
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