

Quem sobrevive a um AVC costuma ter a atenção voltada para a recuperação dos movimentos, da fala e da independência no dia a dia. Mas alterações de humor e de memória também são complicações frequentes nos meses seguintes, especialmente a depressão após o AVC, que muitas vezes passam despercebidas.
Um estudo publicado em maio de 2026 na revista Frontiers in Neurology acompanhou sobreviventes de AVC por seis meses para investigar quais características, observadas logo nos primeiros dias, poderiam ajudar a identificar quem tem maior risco de desenvolver depressão ou comprometimento cognitivo. Os resultados ainda são preliminares, mas trazem uma mensagem prática importante: sinais emocionais e cognitivos da primeira semana merecem atenção.
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Após um AVC, é comum que tristeza, desânimo, ansiedade ou pequenos esquecimentos sejam vistos como uma reação "natural" ao susto e à internação, algo que vai passar sozinho. Este estudo sugere que, em parte dos pacientes, esses sinais iniciais não são passageiros: eles tendem a persistir e podem anteceder quadros de depressão ou de declínio cognitivo nos meses seguintes.
Essa informação é útil para pacientes e familiares porque aponta para algo simples e acessível: questionários breves de humor e de cognição, que podem ser aplicados ainda na fase inicial, talvez ajudem a identificar quem precisa de acompanhamento mais próximo. Não se trata de uma ferramenta nova, pronta para prever o futuro de cada paciente, mas de um reforço de que o cuidado após o AVC deve incluir a saúde emocional e cognitiva desde o começo.
Recentemente, falamos aqui no blog sobre a fadiga pós-AVC. O conteúdo de hoje aborda outro lado das sequelas não motoras: a depressão e o comprometimento cognitivo, e os fatores que podem indicar maior risco de desenvolvê-los.
A depressão pós-AVC e o comprometimento cognitivo pós-AVC estão entre as sequelas não motoras mais relevantes do derrame. A primeira envolve sintomas como tristeza persistente, perda de interesse e desânimo. O segundo inclui dificuldades de memória, atenção, raciocínio ou organização que surgem após o AVC e persistem além da fase aguda.
As duas condições frequentemente aparecem juntas e parecem se influenciar mutuamente: a depressão pode piorar o desempenho cognitivo, e as dificuldades cognitivas podem aumentar o risco de sintomas depressivos. Ambas podem atrapalhar a reabilitação, a retomada das atividades e a qualidade de vida.
Um dos desafios é identificar precocemente quem está em maior risco. Muitas vezes, esses quadros só são percebidos meses depois, quando já interferem na recuperação. Por isso, pesquisadores buscam indicadores simples, disponíveis nos primeiros dias após o AVC, que ajudem a orientar o acompanhamento.

O estudo trata-se de uma coorte prospectiva, ou seja, os participantes foram avaliados no início e acompanhados ao longo do tempo para observar quem desenvolveria as complicações.
Foram incluídos pacientes com AVC isquêmico atendidos até 72 horas após o início dos sintomas, entre 2018 e 2022. Dos 215 pacientes avaliados inicialmente, 78 compuseram a análise final. Pacientes com afasia grave, alteração de consciência, comprometimento cognitivo prévio ou transtornos psiquiátricos foram excluídos. Também ficaram fora da análise os pacientes que abandonaram o acompanhamento ou faleceram durante o período do estudo.
Na primeira semana após o AVC, os participantes passaram por exames de imagem, exames de sangue e avaliações com escalas de humor, ansiedade, sono e cognição, entre elas:
Os pacientes foram reavaliados em um mês, três meses e seis meses. Ao final, os pesquisadores compararam quem desenvolveu depressão e/ou comprometimento cognitivo com quem não desenvolveu, buscando os fatores associados a esse desfecho.
Vale destacar o perfil da amostra: a maioria dos participantes era do sexo masculino, e os AVCs foram, em geral, de gravidade leve.
A maior parte dos participantes desenvolveu depressão, comprometimento cognitivo ou ambos ao longo dos seis meses. A depressão isolada foi o quadro mais comum, seguida pela combinação das duas condições e, depois, pelo comprometimento cognitivo isolado.
Três fatores avaliados no início apareceram associados, de forma independente, a um maior risco dessas complicações:
Idade mais avançada e níveis mais altos de ureia no sangue mostraram apenas uma tendência de associação, sem significância estatística. Os autores levantam a hipótese de uma relação entre rins e cérebro, mas eles próprios reconhecem que essa possibilidade ainda precisa ser investigada.
Para pacientes e familiares, a principal mensagem é que alterações de humor e de memória após o AVC não devem ser ignoradas nem tratadas como algo esperado e sem importância. Sintomas como tristeza persistente, desânimo, perda de interesse, ansiedade ou dificuldade de memória e concentração merecem ser comunicados à equipe de saúde, inclusive nos primeiros dias.
Ao mesmo tempo, o estudo não oferece uma forma de prever, individualmente, quem vai desenvolver depressão ou declínio cognitivo. Ter uma lesão no hemisfério direito, por exemplo, não significa que a pessoa terá essas complicações, e não ter esses fatores também não garante proteção.
A amostra foi pequena, veio de um único hospital na China e incluiu principalmente homens com AVCs leves. Pacientes mais graves, com afasia importante ou que não completaram o acompanhamento, ficaram de fora. Por isso, os resultados podem não se aplicar a todos os sobreviventes de AVC.
Na prática, o estudo reforça algo que já faz parte de um cuidado mais completo após o AVC:
Os próprios autores descrevem seus achados como marcadores preliminares, que precisam ser confirmados em estudos maiores, com mais participantes e realizados em diferentes centros. Também será importante incluir pacientes com AVCs mais graves e reduzir as perdas durante o acompanhamento, para que os resultados reflitam melhor a realidade de todos os sobreviventes.
Se confirmados, esses indicadores simples, baseados em questionários já disponíveis, poderão ajudar a definir quais pacientes devem receber acompanhamento emocional e cognitivo mais próximo desde a fase inicial.
Um estudo com sobreviventes de AVC acompanhados por seis meses sugere que sintomas emocionais na primeira semana, desempenho cognitivo inicial mais baixo e, possivelmente, lesões no hemisfério direito estão associados a maior risco de depressão e comprometimento cognitivo após o derrame.
Os resultados ainda são preliminares e não permitem prever o futuro de cada paciente. Mas reforçam uma mensagem importante: a recuperação após o AVC vai além dos movimentos. Humor, memória e atenção também fazem parte da reabilitação e devem ser observados e discutidos com a equipe de saúde desde o início.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista da USP e se dedica integralmente ao universo do diagnóstico e assistência. Cuida de pacientes vítimas de AVC hemorrágico e isquêmico, por meio de uma avaliação neurológica elaborada dos sintomas motores e cognitivos do paciente e da aplicação de toxina botulínica (Botox).
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