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Depois do AVC: quais sinais podem indicar maior risco de depressão e perda cognitiva?

Dr Diego de Castro
25/09/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Quem sobrevive a um AVC costuma ter a atenção voltada para a recuperação dos movimentos, da fala e da independência no dia a dia. Mas alterações de humor e de memória também são complicações frequentes nos meses seguintes, especialmente a depressão após o AVC, que muitas vezes passam despercebidas.

Um estudo publicado em maio de 2026 na revista Frontiers in Neurology acompanhou sobreviventes de AVC por seis meses para investigar quais características, observadas logo nos primeiros dias, poderiam ajudar a identificar quem tem maior risco de desenvolver depressão ou comprometimento cognitivo. Os resultados ainda são preliminares, mas trazem uma mensagem prática importante: sinais emocionais e cognitivos da primeira semana merecem atenção.

Por que estamos publicando isso agora

Após um AVC, é comum que tristeza, desânimo, ansiedade ou pequenos esquecimentos sejam vistos como uma reação "natural" ao susto e à internação, algo que vai passar sozinho. Este estudo sugere que, em parte dos pacientes, esses sinais iniciais não são passageiros: eles tendem a persistir e podem anteceder quadros de depressão ou de declínio cognitivo nos meses seguintes.

Essa informação é útil para pacientes e familiares porque aponta para algo simples e acessível: questionários breves de humor e de cognição, que podem ser aplicados ainda na fase inicial, talvez ajudem a identificar quem precisa de acompanhamento mais próximo. Não se trata de uma ferramenta nova, pronta para prever o futuro de cada paciente, mas de um reforço de que o cuidado após o AVC deve incluir a saúde emocional e cognitiva desde o começo.

Recentemente, falamos aqui no blog sobre a fadiga pós-AVC. O conteúdo de hoje aborda outro lado das sequelas não motoras: a depressão e o comprometimento cognitivo, e os fatores que podem indicar maior risco de desenvolvê-los.

Contexto: depressão e perda cognitiva após o AVC

A depressão pós-AVC e o comprometimento cognitivo pós-AVC estão entre as sequelas não motoras mais relevantes do derrame. A primeira envolve sintomas como tristeza persistente, perda de interesse e desânimo. O segundo inclui dificuldades de memória, atenção, raciocínio ou organização que surgem após o AVC e persistem além da fase aguda.

As duas condições frequentemente aparecem juntas e parecem se influenciar mutuamente: a depressão pode piorar o desempenho cognitivo, e as dificuldades cognitivas podem aumentar o risco de sintomas depressivos. Ambas podem atrapalhar a reabilitação, a retomada das atividades e a qualidade de vida.

Um dos desafios é identificar precocemente quem está em maior risco. Muitas vezes, esses quadros só são percebidos meses depois, quando já interferem na recuperação. Por isso, pesquisadores buscam indicadores simples, disponíveis nos primeiros dias após o AVC, que ajudem a orientar o acompanhamento.

Ilustração esquemática de um cérebro visto de cima, com o hemisfério direito destacado, associado a ícones de humor e memória.

Metodologia

O estudo trata-se de uma coorte prospectiva, ou seja, os participantes foram avaliados no início e acompanhados ao longo do tempo para observar quem desenvolveria as complicações.

Foram incluídos pacientes com AVC isquêmico atendidos até 72 horas após o início dos sintomas, entre 2018 e 2022. Dos 215 pacientes avaliados inicialmente, 78 compuseram a análise final. Pacientes com afasia grave, alteração de consciência, comprometimento cognitivo prévio ou transtornos psiquiátricos foram excluídos. Também ficaram fora da análise os pacientes que abandonaram o acompanhamento ou faleceram durante o período do estudo.

Na primeira semana após o AVC, os participantes passaram por exames de imagem, exames de sangue e avaliações com escalas de humor, ansiedade, sono e cognição, entre elas:

  • PHQ-9, um questionário breve que avalia sintomas depressivos
  • MMSE (Miniexame do Estado Mental), um teste de rastreio cognitivo que avalia memória, orientação, atenção e linguagem

Os pacientes foram reavaliados em um mês, três meses e seis meses. Ao final, os pesquisadores compararam quem desenvolveu depressão e/ou comprometimento cognitivo com quem não desenvolveu, buscando os fatores associados a esse desfecho.

Vale destacar o perfil da amostra: a maioria dos participantes era do sexo masculino, e os AVCs foram, em geral, de gravidade leve.

Principais achados

A maior parte dos participantes desenvolveu depressão, comprometimento cognitivo ou ambos ao longo dos seis meses. A depressão isolada foi o quadro mais comum, seguida pela combinação das duas condições e, depois, pelo comprometimento cognitivo isolado.

Três fatores avaliados no início apareceram associados, de forma independente, a um maior risco dessas complicações:

  1. Sintomas emocionais já na primeira semana. Pacientes com pontuações mais altas no PHQ-9 logo após o AVC tiveram maior probabilidade de desenvolver as complicações. Segundo os autores, isso sugere que o sofrimento emocional inicial tende a persistir, e não simplesmente desaparecer com o tempo.
  2. Desempenho cognitivo inicial mais baixo. Quanto menor a pontuação no MMSE na fase aguda, maior o risco. Os pesquisadores interpretam esse achado como um possível reflexo de uma "reserva cognitiva" menor, ou seja, uma menor capacidade do cérebro de compensar o dano causado pelo AVC.
  3. Lesão no hemisfério direito do cérebro. Pacientes com AVC do lado direito apresentaram maior risco no modelo estatístico. Esse resultado, porém, deve ser lido com cautela: a estimativa foi imprecisa, e estudos anteriores divergem sobre o papel do lado da lesão, com alguns apontando o hemisfério esquerdo e outros não encontrando associação.

Idade mais avançada e níveis mais altos de ureia no sangue mostraram apenas uma tendência de associação, sem significância estatística. Os autores levantam a hipótese de uma relação entre rins e cérebro, mas eles próprios reconhecem que essa possibilidade ainda precisa ser investigada.

O que isso significa para os pacientes?

Para pacientes e familiares, a principal mensagem é que alterações de humor e de memória após o AVC não devem ser ignoradas nem tratadas como algo esperado e sem importância. Sintomas como tristeza persistente, desânimo, perda de interesse, ansiedade ou dificuldade de memória e concentração merecem ser comunicados à equipe de saúde, inclusive nos primeiros dias.

Ao mesmo tempo, o estudo não oferece uma forma de prever, individualmente, quem vai desenvolver depressão ou declínio cognitivo. Ter uma lesão no hemisfério direito, por exemplo, não significa que a pessoa terá essas complicações, e não ter esses fatores também não garante proteção.

A amostra foi pequena, veio de um único hospital na China e incluiu principalmente homens com AVCs leves. Pacientes mais graves, com afasia importante ou que não completaram o acompanhamento, ficaram de fora. Por isso, os resultados podem não se aplicar a todos os sobreviventes de AVC.

Na prática, o estudo reforça algo que já faz parte de um cuidado mais completo após o AVC:

  • Conversar com o médico sobre humor, sono, ansiedade e memória, e não apenas sobre os movimentos
  • Observar mudanças de comportamento, interesse e rotina nas semanas e meses seguintes
  • Manter o acompanhamento neurológico e, quando indicado, buscar avaliação com profissionais de saúde mental ou neuropsicologia
  • Lembrar que depressão e comprometimento cognitivo após o AVC podem ser identificados e acompanhados, e que o diagnóstico precoce ajuda a planejar o cuidado

Próximos passos

Os próprios autores descrevem seus achados como marcadores preliminares, que precisam ser confirmados em estudos maiores, com mais participantes e realizados em diferentes centros. Também será importante incluir pacientes com AVCs mais graves e reduzir as perdas durante o acompanhamento, para que os resultados reflitam melhor a realidade de todos os sobreviventes.

Se confirmados, esses indicadores simples, baseados em questionários já disponíveis, poderão ajudar a definir quais pacientes devem receber acompanhamento emocional e cognitivo mais próximo desde a fase inicial.

Em resumo

Um estudo com sobreviventes de AVC acompanhados por seis meses sugere que sintomas emocionais na primeira semana, desempenho cognitivo inicial mais baixo e, possivelmente, lesões no hemisfério direito estão associados a maior risco de depressão e comprometimento cognitivo após o derrame.

Os resultados ainda são preliminares e não permitem prever o futuro de cada paciente. Mas reforçam uma mensagem importante: a recuperação após o AVC vai além dos movimentos. Humor, memória e atenção também fazem parte da reabilitação e devem ser observados e discutidos com a equipe de saúde desde o início.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referência

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista Reabilitação Após AVC

Dr Diego de Castro é Neurologista da USP e se dedica integralmente ao universo do diagnóstico e assistência. Cuida de pacientes vítimas de AVC hemorrágico e isquêmico, por meio de uma avaliação neurológica elaborada dos sintomas motores e cognitivos do paciente e da aplicação de toxina botulínica (Botox).

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Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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