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Tofersen na ELA genética: dados de até 5 anos sugerem progressão mais lenta

Dr Diego de Castro
07/09/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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O tofersen é um medicamento aprovado para uma forma rara e genética de esclerose lateral amiotrófica (ELA), causada por variantes no gene SOD1, responsáveis por cerca de 2% de todos os casos da doença. Agora, os primeiros resultados de longo prazo do tratamento — com pacientes acompanhados por até 5,4 anos — foram publicados na revista científica JAMA Neurology, trazendo um retrato mais completo sobre o que esperar do tratamento ao longo do tempo.

Por que estamos publicando isso agora

O tofersen é um medicamento já aprovado nos Estados Unidos, na Europa, na China, no Japão e em outros países desde 2023 (nome comercial Qalsody). O que esses novos dados trazem de importante é a extensão do acompanhamento — a maioria dos estudos de ELA acompanha pacientes por meses, não por anos.

Entender o que acontece ao longo do tempo, incluindo segurança e possíveis sinais de perda de efeito, é uma informação essencial tanto para quem já iniciou o tratamento quanto para quem está avaliando essa possibilidade junto ao seu neurologista.

Contexto

Segundo a Mayo Clinic, a ELA é uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva da função dos músculos, incluindo os usados para falar, engolir, respirar e movimentar os membros. Formas mais agressivas da doença podem levar à morte em menos de dois anos após o início dos sintomas.

Em cerca de 2% dos casos, a ELA está associada a variantes no gene SOD1, que levam à produção de uma forma tóxica dessa proteína nos neurônios motores. O tofersen é uma molécula desenhada para reduzir a produção dessa proteína alterada, agindo diretamente sobre um mecanismo considerado central na origem da doença nesses pacientes.

Metodologia

Os dados vêm da integração de dois estudos: o VALOR, um ensaio clínico de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido entre 2019 e 2021 com 108 adultos com ELA ligada a variantes no gene SOD1 em 32 centros de 10 países; e sua extensão aberta (OLE), na qual todos os participantes — inclusive os que estavam no grupo placebo — passaram a receber tofersen após cerca de 6 meses.

Essa passagem de todo o grupo placebo para o tratamento ativo é importante para entender os limites do estudo: a partir desse ponto, não existe mais um grupo de comparação sem o medicamento, o que reduz a capacidade de fazer comparações estatísticas robustas ao longo dos anos seguintes. Além disso, a fase de extensão não foi cega (os participantes e a equipe já sabiam que todos estavam recebendo o medicamento), diferentemente da fase inicial do VALOR.

Ao final do acompanhamento, os participantes haviam sido seguidos por um período que variou de 3,6 a 5,4 anos desde o início do estudo. Dos 108 participantes originais, 46 completaram todo o acompanhamento estendido.

É importante mencionar que o estudo foi financiado pela empresa Biogen, fabricante do tofersen, e que parte dos autores tem vínculo empregatício ou de consultoria com a empresa — uma informação relevante para contextualizar os resultados. Por outro lado, o fato de a fase inicial ter sido randomizada e duplo-cega ajuda a reduzir o risco de viés nessa etapa específica da pesquisa.

Ilustração do mecanismo de ação do tofersen, com redução da produção de proteína SOD1 alterada em um neurônio motor.

Principais achados

Ao longo de quase 3 anos de acompanhamento, quem começou o tratamento mais cedo apresentou, em média, uma queda numericamente menor em medidas de função clínica, força muscular e capacidade respiratória, quando comparado a quem começou o tratamento cerca de 6 meses depois. Também houve resultados numericamente melhores em qualidade de vida.

Uma parcela dos participantes que iniciou o tratamento mais cedo — cerca de 27% — apresentou estabilização ou até melhora na força muscular avaliada por dinamometria, e cerca de 23% teve estabilização ou melhora na função respiratória. Os pesquisadores destacam que isso é incomum na história da ELA, doença cujo curso natural costuma ser de perda progressiva e não de recuperação de função.

Em relação à sobrevida, os dados sugerem que o tofersen prolongou a sobrevida em comparação com o que seria esperado pela evolução natural dessa forma da doença. Mais da metade dos participantes de ambos os grupos continuava viva ao final do acompanhamento. Para efeito de comparação, a expectativa de sobrevida típica dessa forma genética de ELA, a partir do início dos sintomas, é estimada em pouco mais de 2 anos.

Vale destacar que essas diferenças, embora numericamente favoráveis ao início mais precoce do tratamento, não alcançaram significância estatística formal na maioria das análises — o estudo é pequeno e não foi desenhado com poder estatístico suficiente para isso, especialmente após todo o grupo placebo passar a receber o medicamento. Os próprios pesquisadores reconhecem que a resposta ao tratamento variou bastante entre os participantes.

Sobre segurança, os efeitos colaterais mais comuns foram os já esperados para o procedimento (o tofersen é aplicado por punção lombar) e para a própria progressão da ELA, como dor de cabeça, dor no procedimento, quedas e dor nas costas. Cerca de 9% dos participantes apresentaram eventos neurológicos mais sérios, a maioria de natureza inflamatória (como inflamação da medula ou das meninges) — todos foram considerados reversíveis e controláveis com tratamento padrão, e a maior parte dos pacientes conseguiu continuar o tratamento.

O que isso significa para os pacientes?

Para os pacientes com ELA ligada a variantes SOD1, esses dados de longo prazo reforçam a lógica de iniciar o tratamento com tofersen o quanto antes, já que os resultados numericamente mais favoráveis foram observados em quem começou mais cedo. Isso é especialmente relevante para quem tem formas de progressão mais rápida da doença, identificadas por marcadores biológicos.

Ao mesmo tempo, é importante manter as expectativas calibradas: o tofersen não interrompe nem reverte a ELA na maioria dos pacientes. O que os dados mostram é uma redução no ritmo de perda de função e um prolongamento da sobrevida em relação ao que seria esperado sem o tratamento — o que já representa uma mudança importante, mas não uma cura.

Por fim, o tofersen segue sendo indicado apenas para a forma da ELA associada a variantes no gene SOD1, o que corresponde a uma pequena fração de todos os casos da doença. Ele não é aplicável à maioria das pessoas com ELA, que têm outras causas genéticas ou não têm causa genética identificada.

Próximos passos

Um dos desdobramentos mais aguardados é o estudo ATLAS, atualmente em andamento, que está testando o tofersen em pessoas que ainda não têm sintomas de ELA, mas que carregam uma variante SOD1 associada à doença e já apresentam sinais biológicos de que ela pode estar começando. A ideia é entender se tratar antes mesmo do aparecimento dos sintomas pode atrasar ou até prevenir a manifestação clínica da doença — uma lógica parecida com a que já mostrou bons resultados em outras doenças neurodegenerativas genéticas.

Também estão em andamento estudos observacionais com pessoas que têm risco genético de desenvolver a doença, para entender melhor a fase pré-sintomática da ELA associada ao SOD1.

Em resumo

Dados de acompanhamento de longo prazo (até 5,4 anos) de pacientes com ELA ligada a variantes SOD1 tratados com tofersen sugerem uma progressão mais lenta da doença e sobrevida prolongada em relação à evolução natural esperada, especialmente entre quem iniciou o tratamento mais cedo. Os resultados são numericamente favoráveis, mas o estudo é pequeno, não teve poder estatístico para confirmar diferenças formais entre os grupos ao longo do tempo, e a resposta variou bastante entre os pacientes. Nenhum novo sinal de segurança preocupante surgiu com o uso prolongado do medicamento.

O tofersen continua sendo indicado apenas para a forma genética da ELA associada ao gene SOD1, uma pequena fração de todos os casos da doença — mas, para esse grupo específico, os dados de longo prazo reforçam o racional para iniciar o tratamento o quanto antes.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referência

Tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica - Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP, especialista em doenças neurogenéticas e neuromusculares. Atualmente é colaborador do ambulatório de Neurogenética dessa instituição, onde cuida de doenças raras.

É comum que filhos de pacientes procurem na internet sobre a doença, principalmente sobre o risco de desenvolverem a condição. Há muitos genes fatores envolvidos, inclusive emocionais, que precisamos considerar. Busque adequado aconselhamento com um profissional responsável e que tenha experiência no assunto.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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