

Por muito tempo, os tiques da síndrome de Tourette foram entendidos principalmente como um problema restrito ao córtex motor, a região do cérebro que comanda o movimento voluntário. Mas um novo estudo em camundongos publicado em 2026 na revista Cell Reports, encontrou uma possível relação entre tiques e emoções, sugerindo que essa visão está incompleta: os tiques também parecem envolver uma via de comunicação com o córtex insular, região ligada ao processamento de emoções e à percepção do próprio corpo.
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Este é um estudo em modelo animal, não em pessoas. E, por isso, ele não muda nada no tratamento disponível hoje para quem vive com Tourette. Estamos trazendo essa notícia porque ela ajuda a responder duas perguntas que intrigavam clínicos e pesquisadores há anos:
Entender o "porquê" de um tratamento já em uso, e dos padrões clínicos já observados, tem valor mesmo quando não gera uma novidade terapêutica imediata.
Segundo a Mayo Clinic, os tiques motores e vocais — muitas vezes precedidos por uma sensação incômoda conhecida como "urgência premonitória" — são o principal sinal da síndrome de Tourette, mas os mecanismos neurais que os causam ainda são pouco compreendidos.
A pesquisa em tiques historicamente se concentrou em circuitos motores, especialmente na relação entre os gânglios da base (um conjunto de estruturas cerebrais envolvidas no controle do movimento) e o córtex motor.
Mas essa explicação nunca contou toda a história. A urgência premonitória é uma experiência subjetiva e emocional, não puramente motora. Além disso, Tourette frequentemente coexiste com TOC, TDAH e TEA — condições que também envolvem regulação emocional.
Isso levantava a suspeita de que outras regiões do cérebro, além das puramente motoras, precisavam estar envolvidas.
A equipe, liderada pelo neurofisiologista Yoshihisa Tachibana, criou um modelo de tiques em camundongos por meio da injeção, no estriado (parte dos gânglios da base), de uma substância que bloqueia um tipo específico de receptor neural, induzindo movimentos semelhantes a tiques.
Usando técnicas de rastreamento de neurônios e monitoramento da atividade cerebral em tempo real, os pesquisadores identificaram que, durante os tiques induzidos, havia ativação tanto em estruturas motoras quanto no córtex insular. Ao investigar como essas regiões se comunicavam, encontraram uma via específica: dos gânglios da base, passando por uma "estação de triagem" no tálamo — os núcleos talâmicos intralaminares — até o córtex insular.

Para testar se essa via realmente participava da geração dos tiques, e não apenas estava presente ao mesmo tempo, os pesquisadores bloquearam quimicamente essa conexão tálamo-insular. O resultado: os tiques ficaram menos intensos, embora não menos frequentes.
É importante destacar uma limitação reconhecida pelos próprios pesquisadores: camundongos não conseguem relatar se sentem uma "urgência premonitória", então o modelo captura apenas alguns aspectos do que acontece em humanos com Tourette, não a experiência completa da condição.
Para quem vive com Tourette, ou tem um familiar com a condição, esse estudo não representa uma mudança de tratamento — pelo menos não ainda. Ele não valida uma nova terapia, nem altera as diretrizes atuais, que continuam incluindo abordagens comportamentais, terapias medicamentosas e, em casos graves, a estimulação cerebral profunda.
O valor da descoberta está em outro lugar: ela começa a explicar por que certas coisas já observadas na prática clínica acontecem. Por que a estimulação cerebral profunda no tálamo ajuda em casos graves. Por que tantas pessoas com Tourette também convivem com TOC, TDAH ou TEA. E por que a urgência premonitória, essa sensação que antecede o tique, é tão central na experiência da condição, mesmo sendo algo emocional e não puramente motor.
Esse é um passo importante — mesmo que ainda não se traduza em uma nova opção terapêutica.
Os próprios pesquisadores apontam a região insular como um novo candidato a alvo terapêutico e reforçam que a conexão entre os núcleos talâmicos intralaminares e essa região merece mais investigação. Os próximos passos naturais incluem confirmar se esse mesmo circuito existe e funciona da mesma forma em humanos, e investigar se ele também está relacionado à urgência premonitória e às comorbidades psiquiátricas associadas à Tourette.
Um estudo em camundongos, conduzido pela Universidade de Kobe, identificou uma via neural que conecta circuitos motores ao córtex insular — região ligada às emoções — passando por uma estação de triagem no tálamo já usada como alvo em tratamentos de estimulação cerebral profunda para Tourette. Ao bloquear essa via, os pesquisadores reduziram a intensidade dos tiques nos animais, sugerindo que ela participa ativamente do fenômeno.
A descoberta não muda o tratamento disponível hoje, mas ajuda a explicar mecanismos até então obscuros: por que a estimulação cerebral profunda funciona, e por que Tourette tantas vezes coexiste com outras condições ligadas à regulação emocional.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro Neurologista pela USP especialista em tiques nervosos e transtornos do movimento.
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