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Ecopipam: remédio específico para a Síndrome de Tourette com potencial de aprovação pelo FDA

Dr Diego de Castro
20/08/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Um ensaio clínico de fase 3, conduzido em 77 centros e liderado pelo Cincinnati Children's Hospital Medical Center, avaliou o primeiro remédio específico para a Síndrome de Tourette: o ecopipam, demonstrando que o uso contínuo reduziu pela metade o risco de recaída dos tiques em crianças e adolescentes com Tourette, em comparação com placebo.

Os resultados foram publicados na JAMA Neurology. Se aprovado pelo FDA, o ecopipam seria o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para Tourette nos Estados Unidos. Os três remédios já aprovados hoje são, na verdade, antipsicóticos originalmente criados para esquizofrenia e "emprestados" para tratar os tiques.

O que é a síndrome de Tourette

Segundo a Mayo Clinic, a síndrome de Tourette é um transtorno neurológico crônico que costuma aparecer antes dos 10 anos de idade, mais comum em meninos, e caracterizado por tiques motores e vocais involuntários, como piscar os olhos, encolher os ombros ou emitir sons. Ela afeta cerca de 1% das crianças em idade escolar.

O tratamento de tiques inclui terapias comportamentais e medicamentos; em casos graves e refratários, a estimulação cerebral profunda (DBS) também é uma opção, embora seja usada principalmente em adultos, com critérios de idade e segurança mais restritos quando indicada em crianças e adolescentes. E ainda, há uma lacuna importante: nenhum medicamento aprovado nos Estados Unidos foi desenvolvido pensando especificamente em Tourette.

Os três remédios disponíveis — haloperidol, pimozida e aripiprazol — são antipsicóticos originalmente criados para esquizofrenia, que bloqueiam receptores de dopamina do tipo D2 e acabam ajudando a reduzir os tiques como efeito colateral favorável. O problema é que esse bloqueio D2 também pode causar ganho de peso, tremores, rigidez, sintomas parecidos com os do Parkinson e, em casos raros, discinesia tardia — um distúrbio de movimento que causa protrusão repetida da língua.

Entendendo o estudo

O ecopipam segue um caminho diferente: em vez de agir sobre os receptores D2, ele bloqueia os receptores D1 de dopamina. A ideia dessa abordagem é que a hipersensibilidade dos receptores D1 pode estar envolvida nos comportamentos repetitivos e compulsivos característicos da Tourette.

Ilustração médica da sinapse dopaminérgica mostrando o ecopipam bloqueando receptores D1 e sua relação com circuitos cerebrais envolvidos na síndrome de Tourette

O estudo de fase 3, conhecido como D1AMOND, foi conduzido em 77 centros nos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, com financiamento da Emalex Biosciences, empresa que desenvolve o medicamento. A pesquisa teve duas etapas:

  • Fase aberta (12 semanas): 216 participantes (167 crianças e adolescentes, 49 adultos) receberam ecopipam sem distinção entre grupos.
  • Fase randomizada e controlada por placebo (12 semanas adicionais): apenas os participantes que apresentaram melhora clinicamente relevante dos tiques durante a fase aberta — 104 no total, sendo 90 deles crianças e adolescentes — foram então divididos aleatoriamente entre continuar com ecopipam ou trocar para placebo, para verificar se o benefício se mantinha.

Esse desenho é chamado de "retirada randomizada" (randomized withdrawal) e é diferente de um estudo placebo-controlado tradicional, no qual pacientes não selecionados são divididos em grupos desde o início. Na prática, isso significa que os resultados abaixo mostram o que acontece quando o tratamento é mantido ou interrompido em quem já respondeu bem ao remédio — não a chance de um paciente qualquer, ainda sem histórico de resposta, melhorar ao iniciar o ecopipam.

É uma metodologia consolidada para testar a manutenção do efeito de um medicamento, mas vale essa distinção para entender exatamente o que o resultado representa.

Principais resultados

Entre os participantes que foram randomizados após a fase aberta:

  • No grupo pediátrico (o desfecho principal do estudo), 41,9% dos que continuaram com ecopipam tiveram recaída dos tiques. Entre os que passaram a receber placebo, essa taxa foi de 68,1%.
  • Ao somar crianças, adolescentes e adultos, o resultado se manteve: 41,2% de recaída no grupo ecopipam e 67,9% no grupo placebo.
  • O medicamento foi, de forma geral, bem tolerado. Diferente dos antipsicóticos usados atualmente, os participantes não apresentaram ganho de peso expressivo nem sinais de outros distúrbios de movimento associados aos bloqueadores D2.

Esse último ponto é um dos aspectos mais comentados pelos pesquisadores: a possibilidade de controlar os tiques sem os efeitos colaterais mais incômodos dos tratamentos atuais é o que torna o mecanismo D1 particularmente interessante para pacientes e famílias.

O que isso significa para os pacientes

É importante deixar claro: o ecopipam ainda não foi aprovado pelo FDA nem por qualquer outra agência regulatória, e não está disponível para prescrição de rotina. O estudo de fase 3 atingiu seu objetivo principal, mas a aprovação depende agora da avaliação regulatória completa dos dados.

Ainda assim, o resultado é relevante por dois motivos:

  • Reforça que a inibição do receptor D1 pode ser uma estratégia eficaz para tiques — algo que já vinha sendo sugerido por estudos de fase 2 anteriores, publicados em 2023 na revista Pediatrics.
  • Se aprovado, o ecopipam seria o primeiro medicamento pensado desde o início para tratar especificamente a síndrome de Tourette, e não um antipsicótico redirecionado para essa finalidade — uma mudança de mais de cinco décadas de história no tratamento da doença.

Próximos passos

Com os resultados de fase 3 publicados, a Emalex Biosciences planeja se reunir com o FDA e outras agências regulatórias internacionais para discutir a submissão de um pedido de aprovação do ecopipam. Enquanto isso, alguns pacientes já têm acesso ao medicamento fora do estudo por meio de um Programa de Acesso Expandido, destinado a quem não respondeu bem aos tratamentos aprovados atualmente ou não tolerou seus efeitos colaterais.

Em resumo

O ecopipam reduziu pela metade o risco de recaída dos tiques em crianças e adolescentes com Tourette que já haviam respondido ao tratamento, em um estudo de fase 3 conduzido em 77 centros e publicado na JAMA Neurology. Diferente dos remédios hoje aprovados, todos antipsicóticos originalmente criados para esquizofrenia, o ecopipam age em um mecanismo diferente (receptor D1 em vez de D2) e não mostrou os efeitos colaterais típicos dessa classe de medicamentos.

O resultado ainda não significa aprovação ou disponibilidade imediata: os próximos passos dependem da análise regulatória do FDA. Mas, para uma condição que há mais de 50 anos é tratada apenas com medicamentos "emprestados" de outras finalidades, essa é uma notícia que marca um possível novo capítulo.

Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

Dr Diego de Castro Neurologista pela USP especialista em tiques nervosos e transtornos do movimento.

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Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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