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Atogepant recebe nova indicação na Europa para o tratamento agudo da enxaqueca

Dr Diego de Castro
06/08/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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A enxaqueca é uma doença neurológica que pode causar crises incapacitantes, com frequência suficiente para exigir tratamento preventivo. Na União Europeia, o medicamento atogepant já era autorizado para a prevenção da enxaqueca; em junho de 2026, a Comissão Europeia ampliou sua indicação para incluir também o tratamento agudo das crises em adultos, com ou sem aura.

Com essa decisão, o medicamento passou a ter duas indicações diferentes:

  1. Uso regular para reduzir a frequência das crises
  2. Uso sob demanda para tratar uma crise já iniciada.

Esta notícia não representa uma aprovação inicial do medicamento na Europa, mas uma ampliação do papel do atogepant no tratamento da enxaqueca.

O atogepant e o bloqueio do CGRP

Segundo a Mayo Clinic, o atogepant pertence à classe dos gepantos, medicamentos que bloqueiam o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido como CGRP.

O CGRP participa da fisiopatologia da enxaqueca e da transmissão dos sinais relacionados à dor. Ao bloquear o seu receptor, o atogepant reduz essa sinalização, o que pode ajudar tanto na prevenção das crises quanto no tratamento de uma crise já instalada.

Diagrama detalhado do mecanismo de ação do Atogepant, mostrando moléculas de CGRP tentando se ligar a receptores em um neurônio, e moléculas de Atogepant bloqueando efetivamente esses receptores, impedindo a transmissão do sinal de dor.

A dupla indicação: prevenção e tratamento agudo

A autorização europeia agora contempla dois contextos diferentes:

  • Prevenção: uso regular em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.
  • Tratamento agudo: uso conforme a necessidade para tratar uma crise de enxaqueca já iniciada, com ou sem aura.

Essa distinção é importante porque o objetivo do tratamento não é o mesmo nos dois casos. A prevenção busca diminuir a frequência e o impacto das crises ao longo do tempo, enquanto o tratamento agudo procura aliviar uma crise específica.

Embora o mesmo medicamento possa ser utilizado nos dois contextos, a dose e o esquema de administração dependem da indicação e devem seguir a orientação médica.

O que sustentou a nova indicação

A ampliação da autorização foi apoiada pelos resultados do estudo de fase 3 ECLIPSE, que avaliou o atogepant para o tratamento agudo de crises de enxaqueca. O estudo comparou o medicamento com placebo e analisou desfechos como ausência de dor e desaparecimento de sintomas associados após o tratamento.

Um dos principais resultados avaliados foi a proporção de participantes que estava sem dor duas horas após o uso do medicamento. Esse tipo de desfecho é importante porque mede um benefício diretamente relevante para quem está enfrentando uma crise.

Além disso, o estudo investigou a resposta em crises subsequentes, ajudando a avaliar se o efeito observado poderia ser reproduzido em diferentes episódios de enxaqueca.

O que muda para os pacientes na Europa

Para os pacientes europeus, a nova indicação amplia as possibilidades de uso de uma terapia oral que já era empregada na prevenção. Em alguns casos, isso pode simplificar o planejamento terapêutico, especialmente quando a mesma classe de medicamento é considerada tanto para reduzir a frequência das crises quanto para tratar episódios agudos.

Ainda assim, a aprovação da Comissão Europeia não significa que o medicamento estará imediatamente disponível nas mesmas condições em todos os países. Preço, reembolso, incorporação aos sistemas nacionais de saúde e disponibilidade comercial são definidos em cada país.

Por isso, a autorização regulatória representa um passo importante, mas o acesso efetivo pode variar entre as diferentes regiões da Europa.

Como o atogepant se encaixa no tratamento

A nova indicação não significa que o atogepant será a melhor opção para todos os pacientes. A escolha do tratamento depende de vários fatores, como:

  • Frequência e intensidade das crises
  • Presença de aura
  • Resposta a tratamentos anteriores
  • Contraindicações e outras condições de saúde
  • Uso de medicamentos preventivos
  • Risco de cefaleia por uso excessivo de medicação
  • Preferência do paciente por uma estratégia preventiva ou sob demanda.

Os gepantos passaram a ampliar o conjunto de opções disponíveis para a enxaqueca, mas a decisão deve ser individualizada e feita com acompanhamento médico.

Por que essa notícia é importante

A aprovação europeia reforça o papel do bloqueio do CGRP como uma das estratégias mais importantes da neurologia moderna para o tratamento da enxaqueca. Neste caso, o avanço está na ampliação da indicação: o atogepant, antes autorizado na União Europeia para prevenção, passa também a ser uma opção para o tratamento agudo das crises.

A novidade também mostra como uma mesma via biológica pode ser explorada em diferentes momentos da doença. O importante é não confundir essas duas aplicações: prevenir crises e tratar uma crise já iniciada são objetivos distintos, mesmo quando envolvem o mesmo medicamento.

Em resumo

O atogepant já era aprovado na União Europeia para a prevenção da enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. Em junho de 2026, a Comissão Europeia ampliou sua autorização para incluir o tratamento agudo de crises em adultos, com ou sem aura.

A mudança oferece uma nova alternativa oral para o manejo da doença, mas a disponibilidade e as condições de acesso podem variar entre os países. Além disso, a escolha do tratamento continua dependendo da avaliação individual de cada paciente e da orientação de um neurologista especializado em cefaleias.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro trabalha juntamente com cada um de seus pacientes que apresenta algum tipo de dor crônica, com estratégias que ajudem a melhorar sua função e minimizar sua necessidade de medicamentos.

Entendemos que a dor de cada paciente é única. Por isso, abordamos planos de tratamento individualizados, porém abrangentes de gerenciamento da dor.

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Neurologista Especializado em Enxaqueca - Tratamento de Enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES

Dr Diego de Castro Neurologista pela USP, tratamento especializado para casos graves de enxaqueca em Vitória Espírito Santo ES, por meio de aplicação de toxina botulínica, bloqueio de nervo occipital e novos tratamentos para enxaqueca.

Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 - Enseada do Suá, Vitória - ES, 29050-911

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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