

Um novo ensaio clínico randomizado, publicado em 29 de maio de 2026 na revista eClinicalMedicine testou o canabidiol (CBD) em altas doses no tratamento da dor neuropática crônica associada à lesão medular. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney na Neuroscience Research Australia, o estudo encontrou uma redução média de dor de aproximadamente 14% com o CBD, contra 6,5% com placebo — uma diferença real, mas modesta, que os próprios autores destacam ter limitações importantes de interpretação.
Navegação pelo Artigo
A dor neuropática crônica é um dos aspectos mais difíceis de tratar na lesão medular. Segundo os pesquisadores, as terapias tradicionais são ineficazes em cerca de metade dos casos, e muitas das opções disponíveis trazem efeitos colaterais significativos. Nesse cenário, qualquer sinal positivo vindo de um ensaio clínico bem desenhado — com grupo controle, randomização e duplo-cego — merece atenção.
Ao mesmo tempo, este não é um estudo que anuncia uma nova terapia pronta para uso, nem contradiz diretamente alguma cobertura anterior. Publicamos porque o CBD já é usado informalmente por muitas pessoas com dor crônica, muitas vezes sem evidência clínica robusta. E este estudo é uma das tentativas mais cuidadosas até agora de testar essa hipótese em condições controladas.
O canabidiol é um composto derivado da planta de cânhamo que, ao contrário do THC, não provoca efeitos psicoativos. No Brasil e na Austrália, é um medicamento sujeito a prescrição, já utilizado em quadros como a epilepsia resistente a tratamento. O interesse em usá-lo para dor crônica vem crescendo, mas até aqui a maior parte da evidência disponível vinha de estudos pequenos, abertos (sem cegamento) ou observacionais — o que limita a confiança nos resultados.
Este novo estudo buscou preencher essa lacuna com um desenho mais rigoroso, especificamente em pessoas com dor neuropática decorrente de lesão medular, uma população para a qual as opções terapêuticas eficazes ainda são limitadas.
O estudo foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e de desenho cruzado (crossover). Isso significa que cada participante passou por dois períodos de tratamento de seis semanas — um recebendo CBD e outro recebendo placebo, em ordem definida aleatoriamente — separados por um intervalo de quatro semanas sem tratamento (washout), para reduzir a interferência de um período sobre o outro.
Foram recrutados 40 adultos com dor neuropática crônica (com pelo menos três meses de duração) decorrente de lesão medular. Desses, 38 tiveram seus dados incluídos na análise principal do desfecho primário. Durante o período com CBD, a dose foi aumentada progressivamente, de 200 mg por dia no início até 800 mg por dia ao final do tratamento. Os participantes registraram sua dor várias vezes por semana, usando uma escala validada de 0 (sem dor) a 10 (pior dor imaginável).
Os participantes relataram uma redução média de dor de aproximadamente 14% durante o período com CBD, contra 6,5% durante o período com placebo — uma diferença que os pesquisadores descrevem como estatisticamente significativa. Em um subgrupo de participantes, a redução da dor foi ainda mais expressiva, ultrapassando 30%.
O CBD, mesmo em doses elevadas, foi considerado bem tolerado ao longo do estudo, com poucos efeitos colaterais relevantes relatados — um dado importante, já que a segurança em doses altas era uma dúvida em aberto.
No entanto, os próprios pesquisadores apontam duas limitações que pedem cautela:

Para quem convive com dor neuropática crônica após lesão medular, o resultado é um sinal encorajador, mas não uma confirmação de que o CBD deva substituir ou se somar automaticamente ao tratamento atual. A amostra é pequena (38 a 40 pessoas), o que limita a capacidade de generalizar os achados — inclusive para outras causas de dor neuropática além da lesão medular, já que esse foi o único grupo estudado.
As duas limitações reconhecidas pelos próprios autores — possíveis interações medicamentosas e quebra parcial do cegamento — significam que parte da diferença observada entre CBD e placebo pode não refletir puramente um efeito farmacológico do canabidiol. Por isso, o resultado deve ser lido como um indício preliminar favorável, e não como prova definitiva de eficácia.
Decisões sobre uso de CBD para dor crônica devem continuar sendo discutidas com a equipe médica responsável, especialmente considerando o potencial de interação com outros medicamentos e a necessidade de prescrição.
Os próprios pesquisadores indicam que ainda é preciso entender melhor por que o CBD funcionou melhor para alguns participantes do que para outros, e como ele pode interagir com outros medicamentos usados por essa população. Estudos maiores, com amostras mais amplas e estratégias para reduzir a quebra do cegamento, serão necessários antes que o CBD possa ser recomendado de forma mais ampla para dor neuropática crônica.
Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego, com desenho cruzado, encontrou redução de dor neuropática crônica em pessoas com lesão medular usando CBD em altas doses (até 800 mg/dia), com boa tolerabilidade. A diferença frente ao placebo foi real, mas modesta — e os próprios pesquisadores identificaram duas limitações importantes: possíveis interações medicamentosas e quebra parcial do cegamento, que podem ter inflado o resultado a favor do CBD. Estudos maiores e mais rigorosos ainda são necessários antes de qualquer recomendação clínica mais ampla.
Nota de Transparência: Comprometidos com a vanguarda da medicina, utilizamos ferramentas de IA para monitorar as notícias mais recentes da neurologia mundial. Este conteúdo foi estruturado por IA e revisado detalhadamente pelo Dr. Diego de Castro para assegurar a autoridade médica e empatia com o paciente.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento. Também é membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC). Cuida de pacientes com Parkinson e condições neurológicas raras. Também disponibiliza informações para pacientes e familiares. Leia nossos artigos:
Estamos disponíveis para cuidar de você nos endereços:
Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 - Enseada do Suá, Vitória - ES, 29050-911
Tel: (27) 99707-3433
Rua Itapeva, 518 - sala 1301 Bela Vista - São Paulo - SP, CEP: 01332-904
Telefones: (11) 3504-4304
Posts Relacionados:




