Aviso de privacidade: Nosso site utiliza arquivos chamados “cookies” que, inseridos em seu dispositivo, coletam dados para análise estatística. Essas informações melhoram nosso site e sua experiência como usuário. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies. Você pode ler mais sobre nossos cookies, em nossa página: política de privacidade/cookies.
São Paulo: (11) 3504-4304 | Vitória: (27) 99707-3433 - (27) 99886-7489

Fibromialgia Pode Matar?

Dr Diego de Castro
10/07/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
Compartilhe

"Fibromialgia pode matar?". É provavelmente a primeira pergunta em sua mente depois receber o diagnóstico de fibromialgia. Afinal, é uma doença complexa, que poucas pessoas entendem.

Na realidade, a fibromialgia não causa, por si só, a morte. Os sintomas não evoluem ao ponto de causarem complicações, como acontece em doenças terminais, como o câncer.

No entanto, conviver com fibromialgia sem um tratamento adequado pode ser perigoso sob outros pontos de vista, por exemplo, reduzindo sua qualidade de vida e capacidades de funcionamento.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, tenta responder à pergunta: "Fibromialgia pode matar?" e explica os fatores aos quais precisamos nos atentar quando se convive com esta doença.

Compreendendo o que é Fibromilagia

Segundo a Mayo Clinic, fibromialgia é uma doença caracterizada por dor musculoesquelética generalizada acompanhada de:

  • Fadiga
  • Distúrbios do sono
  • Dificuldades cognitivas
  • Alterações de humor.

Apesar de sua causa ainda não ter sido totalmente esclarecida, os pesquisadores acreditam que a fibromialgia amplifica sensações dolorosas afetando a forma como o cérebro e a medula espinhal processam sinais dolorosos.

As manifestações físicas da fibromialgia superam as psicológicas, mas sintomas de depressão e a ansiedade também podem estar presentes.

Fibromialgia Pode Matar?

A resposta curta para esta pergunta é: 'não'. Apesar de muito intensa, a dor que os pacientes experimentam não chega ao ponto de "desligar órgãos vitais". Por outro lado, a dor pode piorar com o tempo, tornando difícil viver uma vida normal. Um estudo publicado no International Journal of Social Psychiatry demonstrou que a fibromialgia afeta a qualidade de vida de uma pessoa tão severamente quanto a esclerose múltipla.

E a somatória de fatores associados à fibromialgia fazem desta uma doença grave que tem a capacidade de impactar praticamente todas as áreas da vida. Por exemplo, além de sentir dor generalizada, uma pessoa com fibromialgia precisa lidar com:

  • Privação do sono
  • Cansaço
  • Problemas de memória
  • Depressão e ansiedade.

A gravidade destes sintomas impõe severas limitações à qualidade de vida do indivíduo com fibromialgia, favorecendo também o aparecimento de outras doenças que podem contribuir para um quadro fatal.

Estudos realizados em 2023 analisaram dados de quase 200 mil pacientes e mostraram que, embora a fibromialgia não cause morte direta por falência de órgãos, há um aumento de 27% no risco de mortalidade por todas as causas, principalmente devido a suicídio (risco 3 vezes maior), infecções graves (66% mais risco) e possivelmente acidentes. Esses dados reforçam que a fibromialgia deve ser levada a sério, com vigilância ativa para saúde mental, prevenção de infecções e segurança no dia a dia.

Fatores de Risco Associados à Fibromialgia

Pessoas com fibromialgia enfrentam regularmente desafios extremos, dor crônica e dificuldade crescente em muitas práticas de sua rotina diária.

A fibromialgia gradualmente reduz sua capacidade de cuidar de si mesmo. Assim, uma tendência a adotar comportamentos que aumentem o risco de desenvolver doenças crônicas acaba sendo muito comum.

Os fatores de risco para doenças crônicas que podem evoluir para um quadro fatal encontrados mais frequentemente em pessoas com fibromialgia são:

  • Estar acima do peso, ou mesmo obeso
  • Evitar a prática de atividades físicas
  • Tabagismo e abuso de álcool
  • Depressão e ansiedade
  • Isolamento social.

Segundo o NHS, esses são fatores que estão associados a:

Doenças Cardiovasculares

Segundo artigo publicado na European Journal of Rheumatology, a intolerância ao exercício tem sido uma característica conhecida da fibromialgia, o que pode levar a um maior risco de eventos cardiovasculares, incluindo os fatais.

Um maior risco de doenças cardiovasculares pode ser atribuído aos níveis de peso e condicionamento físico. Além disso, o número de cigarros tragados e a inatividade física podem favorecer o desenvolvimento de aterosclerose (o endurecimento das artérias), um grave fator de risco para derrames e infartos.

Pessoas com fibromialgia precisam estar atentas à sua saúde cardiovascular
Pessoas com fibromialgia precisam estar atentas à sua saúde cardiovascular

Complicações Psiquiátricas (Sucídio)

Conforme artigo publicado na Neuropsychiatric Disease and Treatment, pessoas com fibromialgia têm um risco maior de pensar em suicídio do que a maioria das pessoas. Isso pode acontecer devido a muitos fatores. Por exemplo:

  • A fibromialgia é uma doença severamente dolorosa
  • Gradualmente, o paciente deixa de realizar suas rotinas diárias com facilidade
  • Experimentar dor constante pode tornar mais difícil cuidar de si mesmo
  • As dificuldades cognitivas e o cansaço constante dificultam o funcionamento adequado
  • Os pacientes acabam se isolando de seus amigos e familiares
  • A situação de uma doença não controlada pode alterar a química cerebral, levando a quadros de depressão grave.

Estar em constante dor tem seu preço nas pessoas, não importa o quão fortes elas possam ser. Sem apoio ou esperança de alívio de sua doença, juntamente com agravantes como ansiedade, tristeza e medos, os pacientes com fibromialgia podem eventualmente desistir.

Se você está enfrentando esse desafio neste momento, lembre-se de que sempre há pessoas, grupos e recursos que você pode recorrer para pedir ajuda. Tenha sempre em mente que você não está sozinho em suas lutas.

Procure ajuda de pessoas que sabem como você se sente. Junte-se a grupos de apoio para que você possa ser exposto a pessoas que estão no mesmo barco que você. Eles podem falar sobre suas lutas, medos e esperanças.

Além de manter-se amparado por seus amigos e familiares, estar em contato com grupos de apoio ou associações, a regularidade nas consultas com seu médico é fundamental para manter sua doença controlada. Pacientes com fibromialgia também devem praticar exercícios regulares e/ou fisioterapia, conforme indicação para seu caso e realizar acompanhamento com um psicólogo ou profissional de saúde mental.

Recomendações Atualizadas de Manejo (EULAR 2023–2024)

As recomendações mais recentes da EULAR (European League Against Rheumatism) para manejo da fibromialgia enfatizam:

  • Diagnóstico precoce para reduzir o tempo sem tratamento adequado
  • Exercício físico aeróbico e de fortalecimento como intervenção de primeira linha com maior evidência de benefício
  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para manejo de dor, humor e estratégias de enfrentamento
  • Abordagem multimodal combinando exercício, educação, técnicas de relaxamento e, quando necessário, farmacoterapia individualizada.semanticscholar
  • Decisão compartilhada entre médico e paciente, priorizando qualidade de vida e minimizando riscos de tratamentos farmacológicos

Não há medicamentos com evidência forte de benefício, e o foco deve ser em intervenções não farmacológicas, com medicação reservada para casos de dor severa ou distúrbios de sono refratários.

Perguntas Frequentes

  • Por que pessoas com fibromialgia têm maior risco de problemas cardíacos?
    • A relação entre fibromialgia e risco cardiovascular é multifatorial. A dor crônica e a fadiga intensa tornam difícil, muitas vezes impossível, manter uma rotina de atividade física, o que leva ao descondicionamento progressivo. Esse sedentarismo, combinado com maior prevalência de sobrepeso, tabagismo e distúrbios do sono entre pacientes com fibromialgia, cria um cenário propício ao desenvolvimento de aterosclerose, hipertensão e outros fatores de risco cardíacos.
  • A fibromialgia piora com o tempo se não for tratada?
    • Em muitos casos, sim. Sem tratamento adequado, o ciclo da fibromialgia tende a se retroalimentar: a dor leva ao sedentarismo, que leva ao descondicionamento físico e ao ganho de peso, que aumenta a dor e a fadiga, que aprofunda a depressão e o isolamento, que por sua vez agravam todos os outros sintomas. Não se trata de uma progressão irreversível — com o tratamento certo, muitos pacientes conseguem reduzir significativamente os sintomas e retomar atividades que julgavam perdidas. Mas o tempo importa: quanto mais cedo o diagnóstico é feito e o tratamento iniciado, maiores as chances de evitar que esse ciclo se instale de forma mais grave.
  • Além de medicamentos, o que realmente ajuda no tratamento da fibromialgia?
    • As abordagens não farmacológicas são, hoje, consideradas tão importantes quanto os medicamentos — e em alguns aspectos até mais eficazes a longo prazo. A atividade física supervisionada e personalizada é o pilar mais sólido do tratamento: exercícios aeróbicos de intensidade moderada, musculação e atividades como Tai Chi e yoga demonstraram melhorar a dor, o sono, o humor e a função física. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), a terapia de aceitação e compromisso (ACT) e o suporte psicológico também têm evidências sólidas na redução da dor, da ansiedade e da depressão. Uma dieta anti-inflamatória, rica em alimentos naturais, pode complementar o tratamento com benefícios adicionais.
  • Fui diagnosticado com fibromialgia, mas também tenho sintomas parecidos com os de Long Covid. Pode haver alguma relação?
    • O Long Covid — síndrome pós-infecção por COVID-19 — compartilha muitas características com a fibromialgia: dor generalizada, fadiga crônica, névoa mental ("brain fog"), distúrbios do sono e sensibilização central ao estímulo doloroso. Em alguns pacientes, a infecção por COVID-19 pode ter funcionado como gatilho para o início ou agravamento da fibromialgia. O ponto mais importante: independentemente da origem, o tratamento multidisciplinar e o acompanhamento especializado são fundamentais nos dois casos.

Em Resumo

A fibromialgia não mata diretamente. Ela não compromete órgãos vitais nem evolui como uma doença terminal. Mas seria um erro grave subestimar sua gravidade. A somatória de dor generalizada e persistente, privação de sono, fadiga, dificuldades cognitivas, depressão e isolamento social impõe um peso enorme sobre quem vive com a doença, favorecendo um ciclo de comportamentos prejudiciais à saúde:

  • Sedentarismo
  • Ganho de peso
  • Tabagismo
  • Abandono de cuidados básicos.

Os riscos mais preocupantes incluem eventos cardiovasculares — favorecidos pela intolerância ao exercício, sedentarismo e fatores metabólicos —, maior vulnerabilidade a infecções e, sobretudo, um risco significativamente elevado de suicídio, estimado em mais de três vezes o da população geral. Esses dados tornam absolutamente claro que a fibromialgia é uma condição médica séria, que precisa ser levada a sério — pelo paciente, pela família e pelos profissionais de saúde.

Mas todos esses riscos são modificáveis com o tratamento adequado. Manter acompanhamento neurológico regular, aderir a um programa de exercícios supervisionado e personalizado, cuidar da saúde mental com psicoterapia e, quando necessário, com medicação e contar com uma rede de suporte social ativa são as ferramentas mais poderosas que um paciente com fibromialgia tem à sua disposição.

A ciência avança rapidamente: o ano de 2024 foi particularmente produtivo em pesquisas sobre fibromialgia, com novas evidências sobre o papel do eixo intestino-cérebro, disfunções mitocondrias, neuromodulação e terapias complementares. Isso significa que o horizonte terapêutico está se expandindo, e que estar bem acompanhado por um especialista atualizado faz toda a diferença na qualidade e na segurança de vida de quem convive com essa condição.

Assista ao vídeo abaixo e conheça algumas recomendações para uma vida longa, saudável e com disposição para aproveitar cada momento:

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em eletroneuromiografia e doenças neuromusculares.

Gostou deste artigo? Compartilhe com um amigo! Siga-nos nas redes sociais!

Continue aprendendo sobre cuidados em saúde:

Veja abaixo nossas informações para agendamento de consultas:

Endereço: Rua Itapeva, 518 - sala 1301 - Bela Vista São Paulo - SP, 01332-904

Telefone: (11) 3504-4304

Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia

Entendendo que a dor de cada paciente é única, no Serviço de Especialidades Neurológicas, elaboramos um plano de tratamento individualizado para cada paciente:

  • Aprender a lidar com a dor;
  • Encontrar alívio, reduzindo a duração e a gravidade do desconforto;
  • Resolver problemas de sono;
  • Alcançar maior função, permitindo participar das atividades de que desfrutam;
  • Melhorar sua qualidade de vida.

Informação de contato: Avenida Americo Buaiz, 501 – Victória Office Tower – Torre Leste – Enseada do Suá, Vitória – ES, 29050-911, próximo ao Shopping Vitória.

Telefone: (27) 99707-3433

Posts Relacionados:


Compartilhe
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro 

CRM-SP 160074 
CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
Posts mais Populares
Acompanhe nosso Podcast!
Escute nossos conteúdos em áudio, na sua plataforma preferida:
Assine nossa Newsletter!

Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail todos os nossos novos artigos.

Dr Diego de Castro dos Santos
Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
Dúvidas? Sugestões?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DR DIEGO DE CASTRO

Dr. Diego de Castro dos Santos
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153
Diretor Clínico Autor e Responsável Técnico pelo Site – Mantenedor.

Missão do Site: Prover Soluções cada vez mais completas de forma facilitada para a gestão da saúde e o bem-estar das pessoas, com excelência, humanidade e sustentabilidade. Destinado ao público em geral.
NEUROLOGISTA EM SÃO PAULO – SP
CRM-SP 160074

R. Itapeva, 518 - sala 1301
Bela Vista - São Paulo - SP 
CEP: 01332-904

Telefones:
(11) 3504-4304


NEUROLOGISTA VITÓRIA – ES
CRM-ES 11.111

Av. Américo Buaiz, 501 – Sala 109
Ed. Victória Office Tower Leste, Enseada do Suá, Vitória – ES, CEP: 29050-911

Telefones:
(27) 99707-3433
(27) 99886-7489

magnifier
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram